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Correio da Manhã

Economia
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Rui Rio sugere investigação do Ministério Público à venda do Novo Banco

Líder do PSD afirma que o Governo "é responsável pela resposta que estiver capaz de dar a esses efeitos".
Lusa 24 de Julho de 2020 às 12:12
Rui Rio
Rui Rio FOTO: Pedro Catarino
O presidente do PSD avisou esta sexta-feira que o Governo não tem margem para falhar e fez duras críticas à gestão dos 'dossiers' da TAP e do Novo Banco, sugerindo até uma investigação à venda desta instituição.

Na sua intervenção de fundo no debate do estado da nação, Rui Rio defendeu que, se o Governo não é responsável pela pandemia da covid-19, "é responsável pela resposta que estiver capaz de dar a esses efeitos".

"Temos de ter consciência de que no estado em que se encontra a nossa dívida pública e o nosso endividamento externo, qualquer erro que o Governo cometa terá efeitos decisivos para o nosso futuro coletivo. Desta vez, não há margem para falhar, nem margem para adiar", sustentou.

Por isso, Rio disse ser "altamente preocupante assistir à forma como têm sido geridos os dossiers da TAP e do Novo Banco".

"Estamos perante dois monstros de proporções gigantescas em face da debilidade das nossas finanças públicas e da conjuntura económica e social que atravessamos", avisou.

No caso concreto do Novo Banco, Rio voltou a criticar que o Governo entregue "milhões de euros" dos impostos dos portugueses a esta instituição bancária e reiterou suspeitas sobre as perdas registadas na venda de imóveis, em momento de alta do mercado imobiliário.

"Tudo isto que temos visto e ouvido é já suficiente para que o Ministério Público se possa debruçar sobre a forma como este contrato de venda do Novo Banco à Lone Star tem vindo a ser executado", defendeu.

Já sobre a TAP, o presidente do PSD disse igualmente "temer o pior".

"A TAP é uma empresa falida, por permanente acumulação de prejuízos. A TAP não foi capaz de apresentar um plano de negócios e a correspondente reestruturação. A TAP apenas pediu o dinheiro que entendeu, e o Governo decidiu de forma temerária entregar-lhe imediatamente mil milhões de euros", criticou.

"Como eu sempre disse: sem plano credível, sem uma reestruturação devidamente negociada e sem um horizonte claramente definido, o Estado não devia entrar num negócio que tudo tem para ajudar o País a arruinar-se financeiramente", defendeu, questionando que explicação dará o Governo "se daqui por um ano a TAP estiver de mão estendida a pedir mais uns largos milhões de euros aos portugueses?".

Na fase dos pedidos de esclarecimento, o socialista João Paulo Correia acusou o PSD de "deixar as ideias e alternativas em casa" e respondeu a Rio sobre o Novo Banco, dizendo que o responsável pela venda da instituição foi o Banco de Portugal.

"Não venderam o Novo Banco em 2015, devido à proximidade das eleições, e essa foi mais uma pesada herança para o governo do PS, que teve de apoiar a decisão de venda do Banco de Portugal", afirmou o deputado do PS, que acrescentou que foi o executivo PSD/CDS que reconduziu o ex-governador do banco central, Carlos Costa.

Na resposta, Rio disse ter-se referido ao "passado recente" do Novo Banco e aproveitou para responder a uma crítica lançada pelo primeiro-ministro ao PSD.

"Se há bocado o primeiro-ministro disse que o PSD estava fossilizado, então o PS é que está fossilizado no passado", disse, voltando a dizer que é ao atual Governo que cabe apurar se as perdas que o Novo Banco tem alegado para receber injeções de capital "são reais ou fictícias".

Rio aconselhou ainda "mais humanidade e mais realismo" ao Governo perante a situação do país e acusou o deputado do PS de ter "coragem e lata" para dizer que o Serviço Nacional de Saúde saiu reforçado da pandemia.

No seu discurso, o líder do PSD já tinha apontado "falhas inaceitáveis" no SNS, sobretudo na resposta a doenças que não a covid-19, e pediu uma "capacidade extra do Ministério da educação para o próximo ano letivo".

"É, no entanto, na economia que tudo se vai decidir. Sem recuperação económica, não haverá meios suficientes para os demais setores", admitiu.

Nesse contexto, o líder do PSD defendeu que os "avultados fundos europeus" que o país vai receber têm de ser colocados "ao serviço de uma estratégia virada para a competitividade da economia, e não para uma mera distribuição de obediência conjuntural ou para projetos irrealistas ou megalómanos".

"Cair na tentação política de agradar apenas no curto prazo, distribuindo as verbas em função de lógicas partidárias ou de submissão aos interesses mais poderosos, será penhorar o futuro da nossa sociedade e fazer exatamente o contrário daquilo que se impõe", apontou.

Rio elencou então o que o PSD entende ser o que "Portugal verdadeiramente precisa", e que passa por "serviços públicos de maior eficácia", uma justiça célere "que combata a corrupção com competência e eficácia no lugar certo - que são os tribunais e não as páginas dos jornais" e um reforço da competitividade da economia.

"Saibamos extrair da situação que vivemos o que de positivo ela nos pode trazer e ultrapassar com trabalho, sabedoria e seriedade as graves dificuldades que ela nos coloca", apelou.

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