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Correio da Manhã

Economia

Um homem duro do Bloco Central

Mário Soares e Mota Pinto foram chamá-lo para o Governo num momento em que o País estava à beira da bancarrota. E Ernâni Lopes, ministro das Finanças e do Plano do Bloco Central, cumpriu à risca o programa de austeridade imposto pelo FMI.
3 de Dezembro de 2010 às 00:30
Ernâni Lopes em Setembro: “Comigo as medidas seriam mais duras”
Ernâni Lopes em Setembro: “Comigo as medidas seriam mais duras” FOTO: Pedro Catarino

Quando o finalizou, em 1985, o economista que tinha sido embaixador em Bona, então capital da República Federal da Alemanha, entre 1975 e 1979, nunca imaginou que o País iria cair outra vez numa situação económica e financeira que levou o Fundo Monetário Internacional a aterrar em Lisboa em 1983.

Homem rigoroso, duro, mas ao mesmo tempo profundamente humanista, Ernâni Lopes dirigiu as negociações de adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia. O seu trabalho começou em 1979 e culminou anos mais tarde, já como ministro das Finanças, com a assinatura do histórico acordo com Bruxelas.

Economista desde 1964, doutor em 1982, Ernâni Lopes tinha um linfoma desde 2006. A doença não o impediu de ter posições fortes e polémicas sobre a actual situação política e financeira do País.

Nasceu em 1942, morreu ontem aos 68 anos. O funeral realiza-se hoje para S. Martinho do Porto.

ERNÂNI LOPES EX-MINISTRO FINANÇAS ÓBITO
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