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Acusado de engravidar filha surda

Pais das duas jovens negam tudo ao CM. Dizem que filhas estão a inventar a história mas não sabem porquê.
31 de Maio de 2010 às 00:30
António e a mulher afirmam-se unidos no combate ao que chamam de uma invenção das filhas
António e a mulher afirmam-se unidos no combate ao que chamam de uma invenção das filhas FOTO: Luís Costa

Duas jovens acusam o pai de abuso sexual. Uma, mais velha, de 27 anos, surda--muda, já teve dois filhos que garante serem do progenitor. A outra, de 15, e surda, diz que o pai lhe tentou acariciar os seios.

Na semana passada, ‘Márcia’ deu à luz uma menina no Hospital de Faro. O seu segundo filho, depois de um rapaz, nascido há quatro anos. E ambos, garante, fruto de relações sexuais com o pai.

Quando o parto foi realizado, ‘Márcia’ já não vivia na casa da família, na zona norte do concelho de Faro. De lá saiu a 21 de Abril, depois de as autoridades terem ouvido as queixas da irmã. Foi ‘Alexandra’ que contou, na escola, que o pai tinha tentado abusar sexualmente dela. GNR e Comissão de Protecção de Crianças e Jovens avançaram e tiraram as duas jovens, tal como ao primeiro filho de ‘Márcia’, da casa (ver texto secundário).

'É tudo mentira, elas estão a inventar tudo', garantiram, ontem, ao CM, os pais das jovens, 'não sabemos porque é que estão a fazer isto, mas não é verdade'. Ambos foram ouvidos, a 12 de Maio, no Tribunal de Família e Menores de Faro e foi isso que contaram à juíza. 'Pedimos que os testes ou as análises ou que fosse preciso fossem feitos o mais rápido possível, mas até agora nada foi feito', acrescentam.

Desde essa altura, não tiveram qualquer outra informação sobre o caso e, asseguram, não foi recolhida qualquer amostra de ADN do pai das duas meninas. 'Temos uma advogada a tratar do assunto, mas nem ela sabe o que está escrito no processo', lamentam.

Fonte da PJ de Faro, a quem o caso foi entregue, não quis ontem fazer qualquer comentário.

NÚMEROS

9563

Segundo o último relatório da Segurança Social, Portugal tem 9563 crianças e jovens em instituições de acolhimento. Mais de 2000 foram acolhidas em 2009.

658

Das crianças e jovens em risco, apenas 658 estão em famílias de acolhimento, enquanto 6395 estão em Lares de Infância e Juventude e 2105 em Centros de Acolhimento Temporário.

1801

O distrito do Porto é aquele que regista o maior número de jovens e crianças em risco, com 1801 acolhimentos. Seguem-se os distritos de Lisboa (1266) e Braga (756).

TERCEIRA IRMÃ MORA NO NORTE

O casal tem uma terceira filha, actualmente com 25 anos. Casada, com um filho, vive no Norte do País. Segundo os pais, tem telefonado 'diariamente preocupada com o que se está a passar'.

Os progenitores das três jovens, de resto, garantem que a família está 'unida para repor a verdade'. E, acima de tudo, gostavam de saber 'porque é que elas inventaram tudo isto'.

HÁ 27 ANOS A VIVER NO ALGARVE

Família de poucos recursos, natural da Zona Centro de Portugal (o pai de Santarém, a mãe de Castelo Branco), mudaram-se para o Algarve há 27 anos.

Nos primeiros tempos, trabalharam ambos na construção civil. O homem como pedreiro, a mulher como ajudante dele. Mas, há dez anos, a mãe das meninas arranjou emprego como cozinheira num café próximo da casa onde vivem.

'CASOS MUITO TRAUMÁTICOS': Luís Villas-Boas Director Refúgio Aboim Ascensão

Correio da Manhã – São comuns casos de abusos sexuais de pais a filhos?

Luís Villas-Boas – A grande maioria das situações de abuso sexual acontece em contexto familiar e não é raro que seja entre pai e filho.

– Como reagem as vítimas?

– Como é natural, é sempre muito traumático. Quando são crianças abusadas repetidamente, muito novas, às vezes é possível efectuar um trabalho de recuperação com sucesso, temos casos desses. Quando acontece com crianças de 15, 14 ou mesmo dez anos, é mais complicado. Muitas vezes tornam-se pessoas violentas e podem tornar-se elas próprias abusadoras sexuais.

– E os filhos que surgem deste tipo de relações?

– Devido à consanguinidade há uma grande probabilidade de serem crianças com problemas ou deficiências congénitas. Nomeadamente, problemas ao nível muscular e do foro cardiovascular.

FILHO NO ABOIM ASCENÇÃO

O filho mais velho de ‘Márcia’, de quatro anos, foi colocado, na semana passada, no Refúgio Aboim Ascensão, em Faro. Aparentemente não tem qualquer deficiência física ou mental e depois dos primeiros dias de adaptação ao local tem tido um comportamento normal.

Em relação às duas filhas que acusam o pai de abuso sexual, também foram retiradas da casa da família. A mais nova, ‘Alexandra’, está numa outra instituição, não tornada pública mas em Faro, o que lhe permite continuar a ir às aulas numa escola da capital algarvia. Os familiares, no entanto, estão proibidos de a contactar.

Já a mais velha, ‘Márcia’, depois de dar à luz uma menina, no Hospital de Faro, na semana passada, não foi possível, ontem, apurar se continuava internada na instituição de saúde ou se já foi colocada em alguma instituição de apoio.

Às duas já terão sido feitas recolhas de amostras para análise, de forma a tentar comprovar a veracidade das acusações em relação ao pai.

Enquanto ‘Márcia’ é surda--muda de nascença, ‘Alexandra’ ficou surda após uma cirurgia, explicaram ao CM os pais.

SEQUESTRADA E VIOLADA 24 ANOS PELO PAI

Em Abril de 2008, Elizabeth Fritzl chocava o Mundo ao denunciar, numa esquadra da polícia de Amstetten, Áustria, ter sido mantida em cativeiro 24 anos pelo próprio pai, Josef Fritzl, abusada sexualmente e espancada. Durante esse período, em que viveu numa cave de apenas 5m2, teve sete filhos do próprio pai e abortou uma vez. Josef Fritzl foi julgado em Março de 2009 e condenado a prisão perpétua.

NOTAS

PAIS: SEXO EM GRUPO COM FILHOS

O casal de Vila do Conde violava os três filhos e obrigava-os a manter relações sexuais entre si quase todos os dias. O pai está em prisão preventiva desde Abril e a mãe não pode ver os filhos

PORTO: FOTOS PORNO E CARÍCIAS

Desde 2008 que duas irmãs, de nove e 11 anos, eram alvo das perversidades do padrasto, de 42. Acariciava-as e mostrava-lhes fotos pornográficas quando a companheira se ausentava

LISBOA: SEIS ANOS DE ABUSOS

Com 17 anos, uma rapariga confidenciou a um colega de escola que era abusada pelo pai desde os 11. O homem, de 35, fazia-o, por vezes, com ameaça de pistola

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