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Correio da Manhã

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Crise trava apoio às PME

Dinheiro mais caro altera condições de financiamento às empresas em programa substituto.
26 de Maio de 2010 às 00:30
João Cravinho  e José Sócrates
João Cravinho e José Sócrates FOTO: José Sena Goulão/Lusa

O programa PME Invest 5, que foi lançado em Abril com um tecto máximo de 750 milhões de euros, ficou sem dinheiro na sexta-feira (dia 21). Algumas associações empresariais dizem que o programa foi 'encerrado' duas semanas depois da abertura por falta de verbas, mas o Governo desmente e diz que foram assinados protocolos de financiamento dos 750 milhões de euros e que se realizaram 11 mil operações de crédito, 9900 referentes a microempresas.

Ao CM, o secretário de Estado da Economia, Fernando Medina, afirma que 'o programa vai continuar', até porque o Governo entende que, 'na actual conjuntura, o sistema bancário ainda não consegue dar uma resposta com qualidade às necessidades de crédito de que as empresas precisam'. 'Estamos a negociar com os bancos e as associações empresariais e dentro de 15 dias teremos um novo instrumento de apoio às PME', garantiu. Opinião contrária tem Augusto Morais, presidente da Associação Nacional das PME, que garante ao CM que 'houve uma suspensão do programa por falta de verbas à própria Banca'. E sublinha que 'as candidaturas ao programa foram relativamente baixas'. 'Das 12 800 associadas que temos, 125 entregaram candidaturas e nenhuma teve financiamento. Estão suspensos', afirma.

Ainda assim, Fernando Medina explica que ainda não estão definidos nem os montantes nem as condições de acesso a uma nova linha, mas uma coisa é certa: 'Será um apoio em condições diferentes daquele que foi prestado até agora.'

Na prática, a bonificação do Estado poderá ser reduzida e os encargos para as empresas podem aumentar. A ideia está inclusive implícita nas palavras do presidente do IAPMEI, Luís Filipe Costa, que admite alterações 'ao nível da taxa de juro, no sentido de reduzir um pouco o esforço do Estado na bonificação'.

MINISTRO NEGA CONGELAMENTO

O ministro da Economia, Vieira da Silva, disse ontem que 'o CDS está um pouco distraído' em relação às medidas de apoio às PME, pois a linha lançada em Abril foi esgotada. Em Bruxelas, o ministro indicou que a linha 'foi um êxito',já que foi 'completamente esgotada', e assegurou que o Governo está a estudar novas modalidades, pois 'não houve nenhuma alteraçãoestratégica, não houve decisão de congelar coisa alguma'.

SUSPENSÃO FOI 'CLANDESTINA'

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, considera que a suspensão 'clandestina' das linhas de crédito às pequenas e médias empresas, devido ao esgotamento da verba, traduz as 'dificuldades das empresas em aceder ao crédito'. As linhas indispensáveis ao funcionamento das empresas, afirma Portas, deviam ser 'menos burocráticas' e funcionar como 'incentivo ao progresso económico'. E diz que o CDS agiu bem ao pressionar o Governo.

SAIBA MAIS

250 M€

Dos 750 milhões só 250 milhões eram para micro e pequenas empresas.

30%

A linha prevê que 30% do valor seja usado para pagar dívidas ao Fisco.

MÁXIMO

O montante máximo do crédito situa-se em um milhão para as micro e pequenas empresas.

PME LÍDER

As PME consideradas Líder podiam pedir emprestados até 1,5 milhões de euros.

1,75%

Os juros a cargo das empresas situam-se no valor da Euribor 1,75%.

6

O período do crédito é de 6 anos, com carência de capital por 12 meses.

A PRIMEIRA

A primeira linha PME Invest foi criada há quase dois anos, em Julho de 2008.

BANCOS

23 instituições financeiras eram subscritoras do protocolo relativo à linha PME Invest V.C

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