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As duas Catalunhas

O caminho normal para os catalães que desejam a independência seria lutar por uma revisão constitucional.
Maria Filomena Mónica 8 de Dezembro de 2019 às 10:00
Catalunha
Catalunha FOTO: Direitos Reservados

Em setembro de 2012, após ter recebido um artigo de um amigo que, em vez de Juan, assinava Joan, decidi ir a Barcelona a fim de espreitar o que ali se passava. Mal pousei as malas no hotel, reparei que das varandas dos prédios vizinhos, pendiam bandeiras de dois tipos: umas tinham quatro barras amarelas sob um fundo vermelho - as ‘senyeras’ – remetendo para o antigo reino de Aragão (de que a Catalunha fizera parte) e outras ostentavam, do lado esquerdo, um triângulo azul dentro do qual existia uma estrela de cinco pontas (as ‘stellate’). Eram estas as bandeiras do movimento independentista.

Com o tempo, este movimento adquiriu um tom desagradável, culminando na proclamação da independência, ou seja, num golpe de Estado, uma vez que a Constituição espanhola não permite a secessão das regiões. A Espanha é um Estado de Direito e, num Estado de Direito, é no Parlamento, e não na rua, que se tomam decisões. Além disso, nem todos os catalães desejam tal alteração, como foi notório nas eleições de 2015, quando os independentistas não conseguiram obter a maioria dos votos. O Supremo Tribunal de Espanha condenou recentemente nove dos 12 dirigentes envolvidos na declaração de independência. Não estou assim de acordo com o que alguns dos meus compatriotas afirmaram num manifesto - daqueles que por aí circulam sempre com os mesmos nomes - no qual declaram ser aqueles "presos políticos".

Depois do fim da guerra civil, Franco considerou urgente a destruição dos "separatismos", pelo que suprimiu o regime autonómico da Catalunha, proibiu o uso do catalão nas escolas e centralizou a administração do Estado. "España, Una, Grande y Libre" era o seu credo. A ‘Transição’ não foi fácil, mas a atuação do rei D. Juan Carlos e a do líder comunista Santiago Carrillo conseguiu a aprovação, em 1978, de uma Constituição que transformou o regime ditatorial numa Monarquia Constitucional. Pensei que a Espanha tivera sorte. Enganava-me.

A 18 de novembro último, o presidente do Governo Autonómico Catalão, Quim Torra, admitiu no Tribunal Superior de Justiça da Catalunha ter desobedecido à ordem da Junta Eleitoral Central para retirar os símbolos independentistas da fachada do Palau da Generalitat. Isto, num momento em que o número de catalães partidários da secessão é de 33,6 por cento, o mais baixo desde 2012. O caminho normal para os catalães que desejam mais autonomia ou até a independência seria lutar por uma revisão constitucional, mas preferiram incendiar comércios, atirar pedras aos Mossos d’Esquadra (o corpo policial regional) e cortar as estradas que ligam a região a França. Previsivelmente, como se viu no recente êxito obtido pelo partido Vox nas eleições espanholas, isto só serviu para fortalecer o nacionalismo da "outra" Espanha.

Hong Kong: Manifestações pela democracia
Nas eleições locais em Hong Kong, uma ex-colónia britânica, votaram 3 milhões de pessoas, o que representa 71% do eleitorado. Isto, apesar de o governo estar dotado de meios para castigar severamente os estudantes que, desde há meses, participam em manifestações exigindo regras democráticas.

Programa Erasmus: Uma das melhores realizações da UE
O Erasmus é uma das melhores realizações da União Europeia. Pena é que nem todos possam usufruir, pois exige a comparticipação financeira das famílias. O número de portugueses que frequentaram universidades estrangeiras passou de 26 570, em 2013/2014, para 44 405, em 2017/8. Talvez um dia se venham a sentir europeus.

Mulheres com formação superior: Uma boa novidade
Na faixa etária entre os 30 e os 34 anos, a percentagem de mulheres que concluíram um curso superior atingiu os 42%, enquanto a dos homens se ficou pelos 24%. Espero que esta maior preparação das mulheres se traduza em salários mais elevados, mas num mundo patriarcal o melhor é não nos fiarmos.

Fugir de … SNS
No SNS, os tempos máximos de espera previstos na lei (entre os 15 e os 60 dias) foram ultrapassados num quinto dos doentes oncológicos com indicação para cirurgia. Como se isto não fosse suficientemente horrível, nos últimos dois anos os hospitais registaram, em média, cerca de 8000 quedas de doentes internados. No Hospital Beatriz Ângelo, um doente oncológico morreu após ter fraturado a coluna vertebral.

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