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A lista dos ‘papabili’

Pertence aos ‘vaticanistas’, comentadores e jornalistas versados em assuntos do Vaticano, uma frase célebre: “Os prelados que entram Papas no conclave saem cardeais” – dizem eles para demonstrar como é falível prever o nome de quem será eleito Sumo Pontífice. Ainda assim, os jornais europeus de referência empenham os seus melhores especialistas a antecipar o cardeal eleito: o francês ‘Le Monde’, os espanhóis ‘El Pais’ e ‘El Mundo’, o italiano ‘La Republica’, todos publicaram as suas listas dos ‘papabili’ - até a agência Reuters, ainda João Paulo II mal “via e tocava a Deus”, disparou para as redacções nomes de potenciais Papas. A estação britânica de televisão BBC também deu palpite sobre o futuro Santo Padre.
10 de Abril de 2005 às 00:00
A lista dos ‘papabili’
A lista dos ‘papabili’ FOTO: EPA/Jim Hollander
O resultado do conclave de 1978, para encontrar o sucessor de João Paulo I, repentinamente falecido ao fim de 33 dias de pontificado, em 1978, demonstrou como os ‘vaticanistas’, até os mais bem informados, estavam longe de imaginar o nome do novo Papa. Os cardeais fecharam-se ao meio-dia de 14 Outubro de 1978.
A única coisa que parecia bater certa com as previsões era a naturalidade do próximo Sumo Pontífice: a eleição iria decidir-se entre italianos. Os eleitores conservadores reúnem-se em torno do arcebispo de Génova, Guiseppi Siri, enquanto os progressistas se batiam pelo arcebispo de Florença, Giovanni Benelli. Durante várias votações, nem um nem outro conseguiram os necessários dois terços dos votos. O conclave estava dividido a meio.
Até que ao quarto dia, em pleno conclave, o cardeal Koni sugeriu aos seus pares que não tentassem eleger um italiano. O repto surtiu efeito e o escolhido foi o cardeal de Cracóvia, que nunca estivera nas previsões dos mais reputados ‘vaticanistas’, Karol Wojtyla.
DIONÍSIO TETTAMANZI: O CARDEAL QUE NÃO SABE LÍNGUAS
Se a eleição do Papa se decidisse pelas escolhas dos jornais, o arcebispo de Milão, Dionisio Tettamanzi, já podia encomendar os paramentos. Ele está em todas as previsões dos ‘vaticanistas’.
Tettamanzi, de 70 anos, é um reformista moderado. Reputado teólogo, especialista em moral, era professor na Universidade de Milão quando, em pleno Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI solicitou os seus ofícios para a redacção de documentos sobre a família e a bioética. O jovem Tettamanzi deu nas vistas. Conheceu, a partir daí, rápida ascenção entre o episcopado italiano. Sucedeu, em 2002, ao prestigiado cardeal Carlo Maria Martini nos destinos da arquidiocese de Milão – de onde o cardeal Jean Batisti Montini saiu para ocupar o Trono de São Pedro com o nome de Paulo VI.
Apesar de arrastar a fama de reformador, Dionisio Tettamanzi tinha lugar entre os teólogos da confiança de João Paulo II: o Papa gabava-lhe a competência em assuntos de teologia moral. Depois de um pontificado marcado por orientações conservadoras, muitos encontram no arcebispo de Milão o homem ideal para liderar a ‘reforma’ sem afrontas à ortodoxia. É profundo conhecedor da igreja italiana e move-se com desembaraço por entre a cúria romana. Apresenta, porém, duas fraquezas: não tem experiência internacional e, descontados o italiano e o latim, não fala qualquer língua estrangeira.
ANGELO SCOLA: UM HOMEM SEDENDO DE PODER
A arquidiocese de Veneza já deu um dos grandes Papas para a História: o cardeal Roncalli, João XXIII, o Sumo Pontífice que iniciou a reforma da Igreja com o Concílio Vaticano II. De lá também saiu o sucessor de Paulo VI, o cardeal Albino Luciani, João Paulo I.
Sobre Veneza diz-se, a propósito do actual patriarca, que a tradição já não é o que era. Após dois Papas liberais, surge agora um candidato ao trono de São Pedro que em tudo é o oposto dos cardeais Roncali e Luciani – Angelo Scola, apontado com um príncipe da Igreja sedento de poder, amigo da extrema-direita italiana, grande entusiasta do movimento de Leigos Comunhão e Libertação, que tem para cima de 100 mil seguidores um pouco por toda a Europa e que representa, ao lado da Opus Dei, os sectores mais tradicionalistas da Igreja.
Angelo Scola, formado em Teologia na Universidade de Milão, fez o doutoramento na escola superior de Fribourg e tornou-se activo colaborador da revista ‘Communnio’ – criada por eminentes teólogos, entre eles o cardeal alemão Joseph Ratzinger, até à morte de João Paulo II o todo-poderoso prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, encarregado de manter na ordem a ortodoxia católica. Aquela publicação serviu como o ‘laboratório’ do pontificado do último Sumo Pontífice.
Foi nomeado em 2002 patriarca de Veneza. Em Outubro de 2003, João Paulo II ordenou os últimos 44 cardeais do seu pontificado – entre eles, Angelo Scola, D. José Policarpo, D. Saraiva Martins. O Papa pronunciou então uma frase que soou aos novos purpurados como música celestial: “Vós encontrareis o nome do meu sucessor”.
Ao contrário de alguns ortodoxos, como Ratzinger, que clamam agora por alguma moderação da linha doutrinal de João Paulo II, o patriarca de Milão está entre aqueles que não querem ceder nem um milímetro. Scola é um falcão entre os falcões.
OS CARDEAIS PORTUGUESES
D. JOSÉ POLICARPO
Bons ventos levaram D. José da Cruz Policarpo para Roma: o jacto gentilmente cedido pelo Presidente Jorge Sampaio planou seguro pelos céus – de tal maneira embalado, que chegou a Itália, na última terça-feira, antes da hora prevista. Um bom presságio para o resultado do conclave.
O cardeal patriarca de Lisboa tem surgido nas páginas da Imprensa internacional entre os mais fortes candidatos a Papa. Ainda no último dia 4, o correspondente acreditado no Vaticano do circunspecto jornal britânico ‘The Independent’, Gerard O’Connell, garantia que tinha falado com “alguns cardeais” e eles apontaram D. José Policarpo como um “homem de fé e oração”, capaz de “tocar o coração” dos fiéis a “exemplo do que fez João Paulo II”.
Se o patriarca de Lisboa for eleito Papa, duas coisas, pelo menos, vão mudar na Santa Sé. Ainda ninguém viu D. José em público, com a habitual batina preta filetada e faixa vermelha, com solidéu de púrpura e cruz peitoral, de copo de uísque na mão. Mas no recato da Casa Episcopal, onde reside, junto ao Seminário dos Olivais, em Lisboa, o cardeal delicia-se com o uísque preferido – prazer que não dispensará caso o conclave decida impor-lhe a mitra papal. O cardeal Policarpo levará então para a ala do Palácio Apostólico, reservada aos aposentos do Sumo Pontífice, um objecto estranho naqueles salas – um simples cinzeiro. É um fumador inveterado.
José da Cruz Policarpo, de 69 anos, nasceu em Calvelo, lugar da freguesia de Alvorninha, concelho das Caldas da Rainha. O prior da paróquia adivinhou-lhe qualidades ainda o menino andava de calções na escola primária. Não fosse a atenção do pároco, o rapaz teria o mesmo destino dos irmãos mais velhos – o cabo da enxada.
Estudou nos seminários de Santarém e de Almada. As notas derretiam de orgulho o velho prior de Alvorninha. Formou-se em Filosofia e Teologia no Seminário Maior de Cristo-Rei. Os professores viram nele um académico brilhante e José Policarpo, já com a estola de sacerdote, partiu em 1968 para a Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma: licenciou-se em Teologia Dogmática e fez o doutoramento com a tese ‘Sinais dos Tempos’.
Abriram-se-lhe de par em par as portas do ensino. Quando regressou de Roma, em 1970, esperava--o um cobiçado lugar de docente na Universidade Católica Portuguesa e, quatro anos depois, foi nomeado director da Faculdade de Teologia.
Em meados da década de 70, o então patriarca de Lisboa iniciou o processo de escolha de novo bispo auxiliar. D. António Ribeiro hesitava entre dois candidatos: José Policarpo, que ombreava com os mais sólidos teólogos da Igreja, conservador moderado e António Janela, pároco de São Nicolau, professor de Sociologia na Universidade Católica, cabeça igualmente brilhante, progressista, muito ligado aos movimentos católicos juvenis. O patriarca escolheu Policarpo. António Janela ofereceu a D. José as meias vermelhas para a ordenação episcopal, em Junho de 1978.
A paciência e a bonomia são graças que não enchem a alma de D. José Policarpo. Os mais próximos descrevem-no como “impaciente” e “temperamental”. Reconhecem-lhe, no entanto, “apurado sentido de humor”. Ninguém arrisca dizer se o patriarca de Lisboa é progressista ou conservador. Enganar-se-ia redondamente quem se atrevesse a classificá-lo com apenas uma daquelas palavras. D. José Policarpo é um reputado teólogo: respeita a doutrina oficial da Igreja mas, como um académico que dedicou a vida ao ensino, sabe que a ciência não é um bloco de granito que resiste à erosão dos tempos. Se for eleito Papa, D. José manterá a mesma pedra de toque. Será, porventura, um Sumo Pontífice mais flexível que João Paulo II.
D. JOSÉ SARAIVA MARTINS
Até ao dia da morte de João Paulo II fazia parte da Cúria Romana: era ministro do Governo da Igreja, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, cargo que desempenhava desde 30 de Maio de 1998. Hoje, é um dos 117 cardeais eleitores. O influente jornal italiano ‘La Repubblica’ coloca-o em respeitoso lugar – entre o arcebispo de Milão, Dionizio Tettamanzi, o patriarca de Veneza, Angelo Scola, o cardeal de São Paulo, Cláudio Humes, e o cardeal de Bombaim, Ivan Dias – na lista dos prováveis Papas.
D. José Saraiva Martins, de 73 anos, está em Roma desde 1957. É senhor de um raro currículo académico: licenciou-se na Universidade Gregoriana, doutorou-se na Universidade de São Tomás de Aquino, ensinou na Universidade Urbaniana. Este princípe da Igreja domina várias línguas mas, apesar dos quase 50 anos que leva de mundo, ainda não perdeu o inconfundível sotaque beirão.
Nasceu em Gagos do Jarmelo, uma aldeia do concelho da Guarda perdida nos contrafortes da Serra da Estrela. Um golpe do destino roubou este filho de agricultores à pobreza e mandou-o para o Seminário de Gaia, uma casa religiosa dos claretianos, ou Missionários do Coração de Maria, ordem fundada em 1849 pelo arcebispo espanhol António Maria Claret.
D. Saraiva Martins cultiva mais o ar de pároco de aldeia do que a posse magnífica de um cardeal talhado na Cúria: irradia simpatia e bondade, gosta de futebol (é fervoroso adepto do AS Roma) e, sem cometer o pecado mortal da gula, perde-se por um bom petisco e um copo do melhor vinho. Levanta-se todos os dias às seis da manhã. Atira-se ao trabalho e pára, religiosamente, ao meio-dia para almoçar. Após uma retemperadora sesta, volta a mergulhar nos assuntos da Igreja até ao princípio da noite.
A ordem religiosa a que D. Saraiva Martins pertence não lhe dá grande poder. Os claretianos não têm a força de outras prelaturas: na Europa, são cerca de 1.200; nas Américas, pouco mais de mil; no resto do mundo, não chegam sequer ao milhar. A estatística, de resto, demontra que nos últimos anos os Missionários do Coração de Maria têm perdido influência na Europa. O poder deste cardeal, que esteve a um passo de ultrapassar D. José Policarpo na nomeação para patriarca de Lisboa, está na amizade que o liga à Opus Dei, que cresceu em influência ao longo do pontificado de João Paulo II. D. Saraiva Martins perdeu o patriarcado de Lisboa, mas não ficou mal de parte: foi feito ministro da Congregação para a Causa dos Santos.
Alguns dos sectores mais conservadores da Igreja, os mesmos que o guindaram à Cúria, batem-se agora pela sua elevação a Papa.
E OS OUTROS...
Em meados dos anos 90, quando o estado de saúde de João Paulo II começou a preocupar a Igreja, um jornalista italiano perguntou ao cardeal de Milão, Carlo Maria Martini, prelado da Companhia de Jesus, se era ‘papabili’. O prelado pôs um sorriso e deu a melhor resposta: “Não aprecio Martini branco, prefiro o tinto”. Queria ele dizer que se sentia mais confortável com as vestes púrpura de cardeal e não tanto com a batina branca de Papa. A resposta de D. Carlo Maria é jesuíta: tem tanto de inteligente como de cínica.
Este jesuíta, de 78 anos, hoje emérito da arquidiocese de Milão (foi susbtituído, em 2002, por outro ‘papabili’, Dioniso Tettamanzi) é o candidato ideal de todos os cardeais empenhados em recuperar o espírito do Concílio Vaticano II - iniciado por João XXIII e terminado por Paulo VI. Nunca um pontífice pertenceu à Companhia de Jesus: Carlo Maria Martini seria o primeiro na História da Igreja. Nasceu numa família aristocrata do Piemonte.
Os jornalistas italianos sabem como D. Martini goza de imenso prestígio na arquidiocese de Milão que serviu durante muitos anos: é tão popular que seria Papa caso a eleição se decidisse por sufrágio directo dos fiéis das igrejas. É um especialista em Teologia Bíblica. Estudou em Jerusálem. Domina várias línguas – e, além do latim, desembaraça-se com invejável agilidade no grego clássico e no hebraico.
Entre os candidatos italianos apontados pelos observadores, surgem ainda Ângelo Sodano, de 77 anos, até aqui o numero dois do Governo da Igreja, secretário de Estado (o equivalente a primeiro-ministro do Vaticano) e Camillo Ruini, de 74 anos, vigário-geral de Roma e líder dos bispos italianos.
Camillo Ruini, muito provavelmente, já estará fora da corrida, por razões de saúde. No dia da morte de João Paulo II, 2 de Abril, competia ao vigário de Roma dar a notícia ao mundo. Mas quem surgiu, oficialmente, foi Angelo Sodano. A explicação veio escassas horas depois: o cardeal sofre de graves complicações – e os médicos aconselharam a poupá-lo à comoção. Seja como for, Ruini nunca escondeu aos mais íntimos o secreto desejo de vir a ser Papa. Conta com importantes apoios políticos.
Angelo Sodano, o cardeal que nos últimos tempos foi o secretário de Estado do Vaticano, acusa o desgaste de muitos anos no aparelho governativo. É um dos membros do colégio dos cardeais menos aberto a reformas – ainda mais inflexível que o cardeal Joseph Ratzinger. Sodano não tem grande experiência pastoral: é um homem palacial. Serviu como embaixador da Santa Sé (núncio apostólico) no Chile, no tempo de Pinochet – terá pactuado com o ditador ao ponto de envergonhar a Igreja.
Outro candidato é o cardeal Giovano Battista Re, de 71 anos, um homem do Vaticano, doutorado em Direito Canónico. Os longos corredores da Santa Sé não têm segredos para ele: trabalha vai para 30 anos na Cúria Romana – primeiro, na Secretaria de Estado; depois, como prefeito da influente Congregação para os Bispos. Tem experiência internacional – serviu como diplomata no Panamá e no Irão. Joga contra ele o facto de ser visto como um cardeal da Cúria. É um excelente orador e imbatível na retórica.
Fora da Igreja italiana, o alemão Joseph Ratzinger, de 77 anos, o polémico prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, é outra hipótese para Papa. Apontam-no como o homem ideal para cumprir com eficácia a chamada “evolução na continuidade”. É conhecido pela doçura dos olhos azuis e inteligência superior. É a figura emblemática do conservadorismo doutrinal do longo pontificado de João Paulo II.
O PESO DA AMÉRICA LATINA
A maioria dos especialistas em assuntos do Vaticano citados pela Imprensa internacional não têm a mais pequena dúvida: se o próximo Papa não falar italiano, há-de falar espanhol. Não se referem a um Sumo Pontífice eleito entre os seis prelados espanhóis que fazem parte do colégio cardinalício. Apontam um cardeal sul-americano.
O arcebispo hondurenho de Tegucigalpa, Andrés Rodrigues Maradiaga, de 62 anos, vai à frente, destacado nas previsões. Pertence aos Salesianos – a ordem fundada por São João Bosco em 1859. O currículo académico deste homem é longo e variado: engenheiro civil, psicólogo, doutor em Teologia Moral. Ensinou, em escolas salesianas, Física, Matemática, Química e Ciências Naturais. Foi professor de Teologia e reitor do Instituto Filosófico da Guatemala. Domina uma dezena de línguas. E ainda lhe sobra tempo para o desporto (é adepto de montanhismo) e para a música (é pianista desenvolto, saxofonista de fôlego e compositor de mérito).
Cerca de 46 por cento dos católicos são da América do Sul. Enquanto a Igreja perde fiéis na Europa, a cristandade cresce no continente sul-americano. Muitos cardeais olham com espanto e admiração para a América do Sul. Nos últimos dias da agonia de João Paulo II, o influente cardeal polaco Jozéf Glemp esteve nos arredores de Buenos Aires, na Argentina, onde está edificado o maior santúario das Américas dedicado ao culto mariano. Glemp, que representa sectores tradicionalistas da Igreja, não poupou nas palavras: reconheceu publicamente que a Igreja da América Sul tinha prelados que dariam excelentes Papas.
Glemp disse o que disse na presença do chefe da arquidiocese de Buenos Aires, José Maria Bergoglio. Este jesuíta, de 68 anos, é justamente apontado como um dos fortes candidatos ao Trono de São Pedro. Mas que ideia fará o conclave deste homem que anda de transportes públicos pelas ruas de Buenos, visita bairros de lata e do púlpito lança inflamados reparos à corrupção da classe política e insurge-se em tom revolucionário contra as desigualdades sociais? De todos os líderes católicos do mundo, o cardeal Bergoglio é quem melhor sabe falar sobre as injustiças sociais. Não saberá tanto de Teologia como os cardeais mais próximos de Roma (ele é engenheiro químico de formação), mas conhece como poucos o calvário do trabalho pastoral.
UM PAPA AFRICANO
Em dois mil anos, a Igreja conheceu três Papas negros: Vítor (século II), Milzíade (no século IV) e Gelásio (no século V) – isto quando o Império Romano se estendia para lá do Mediterrâneo. Nunca como agora se falou tanto na hipótese de eleição de um Papa negro. O candidato do continente africano é Francis Arinze, de 72 anos, nigeriano.
Arinze é filho de um chefe tribal e foi baptizado aos 9 anos. É apontado como um conservador, amigo de Joseph Ratzinger. Neste conclave vão participar 16 cardeais africanos. As hipóteses talvez tenham sido dissipadas, na última quarta-feira, pelo cardeal Agré Bernard, da Costa do Marfim: “A Igreja ainda não está preparada para ter um Papa negro”.
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