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A revolução das massas

Crise? Bem, falta de dinheiro há muita… Pode dizer-se que nunca houve tanto excesso de escassez! Mas massa também: que o digam os novíssimos nouveaux-riches. Sempre existiram, claro – até o cacau de sangue azul um dia nasceu ao relento. A novidade é que, dos 226 bilionários de 2007, 82 vieram de países emergentes.
21 de Setembro de 2008 às 00:00
A revolução das massas
A revolução das massas

E como se define um rico? Paul Getty fê-lo pela negação: se consegue contar o seu dinheiro, você não é rico. O singular é que tais magnatas se pelam pelo Reino Unido. No top da lista do ‘Sunday Times’ dos mais ricos residentes no UK – que até 1994 era a rainha Isabel II – pavoneia-se o indiano Lakshmi Mittal, o rei do aço. A rainha estatelou-se num pindérico 264.º lugar.

Outros adventícios do pódio são Roman Abramovich, neto de judeus lituanos deportados pelo estalinismoe dono do Chelsea; J. Fredriksen, proprietário da maior frota de petroleiros do Mundo; e Alisher Usmanov, que vegetou 6 anos nas prisões do Uzebequistão e hoje é o patrão do Arsenal. O fraco pela Inglaterra não se deve ao clima edénico (lá, a gente sabe que o Verão chegou porque a chuva é mais quentinha).

O segredo está num regime jurídico que não é picuinhas ao averiguar pilim de origem ‘estranha’ e condições tributárias, digamos, hospitaleiras (em França, o imposto sobre as grandes fortunas pode atingir os 70%). Outra pancada é a bola. Já falei do Chelsea e do Arsenal – e o United é de um americano. Agora, um sultão dos Emirados Árabes (manda- -chuva do grupo Adug) promete erigir o mosquinha-morta Manchester City num dream team. Gerou muito mais celeuma do que a notícia da construção de uma ponte sobre o Mar Vermelho, projecto de Tarik bin Laden (sim, irmão do ogre). As cassandras carpem que é o fim do futebol.

Ora, o que era o Chelsea até 2003? E todos achamos lindo o brilharete de Mourinho. Bola é show-business! No último dia válido, houve 28 transacções de atletas na Premier League, um deles comprado pelo Liverpool através do YouTube! A FIFA está borrada de medo de perder o seu poder autocrático. Há a mania de que os ricos deviam ter vergonha da massa (nos dois sentidos). Ora, a esmagadora maioria dos deles só pensa em trabalhar como um escravo das galés. Se fosse milionário, eu faria como a nova estirpe: comprava uma equipa de futebol. E a Hagen Dasz. E a Terra do Nunca. Mas claro que não farei nada disso. Como o último suspiro de Oscar Wilde: 'Morro como vivi. Acima das minhas posses.'

ARGOLADAS DE OURO

Quais as melhores gaffes na campanha para a Casa Branca? A competição é renhida mas para já aposto em duas de Joe Biden. Primeiro quando disse que Hillary Clinton seria uma candidata a vice melhor do que ele. Segundo, num comício em que pediu a um paraplégico que se levantasse para o público o ver melhor.

CRASH 1

O ‘The Wall Street Journal’ estreou o seu site, jurando que a próxima vítima do armagedão financeiro será a AIG. E que o cataclismo económico afecta tanto John MCCain (apoiado por Rupert Murdoch, dono do jornal) como Barack Obama.

CRASH 2

Já o ‘The New York Times’ fala de '11 de Setembro do mercado', realça os 25 mil despedimentos já consumados só em Nova Iorque e prevê 'pelo menos mais dez mil'. E vaticina que, a partir de agora, o papel de Wall Street (a rua, não o jornal) na economia global será menor.

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