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Correio da Manhã

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Agente fino é outra coisa

E zás! Já se pavoneia nas montras lusas ‘A Essência do Mal’, o ‘novo’ livro com James Bond, lançado na semana passada em Londres. O pai (adoptivo) da criança é Sebastian Faulks, autor de romances históricos ‘sérios’ – o que é irónico, pois as aventuras de 007 sempre foram uma fantasia delirante.
8 de Junho de 2008 às 00:00
Agente fino é outra coisa
Agente fino é outra coisa

A escolha de Faulks partiu dos herdeiros de Ian Fleming, o papá biológico do agente com licença para matar. Jornalista da Reuters e oficial da Inteligência Naval britânica, Fleming nunca foi um espião noterreno masajudou a criar a CIA.Em 1952, decidiuescrever'um thrillerparaacabarcom todosos thrillers'.O nomedo herói brotou de uma obra entãofamosa (ah, a fugacidade das coisas!), ‘O Guia Definitivo dos Pássaros das ÍndiasOcidentais’,de um agora obscuro James Bond. Já o termo ‘007’ deriva de um conto de Rudyard Kipling.

A fórmula? Vilões satânicos, carros vertiginosos, paisagens exóticas e boazonas mazinhas – tudo no pano de fundo, hoje gagá, da Guerra Fria. Parece trivial mas contém a alquimia dos mitos. No cinema, 007 teve vários cabides mas o seu habitat natural foi um ex-camionista escocês – Sean Connery – que calcificou a alma do agente: taciturno, brutal, sardónico e frio. E engatatão – mas nunca misógino! Como todo o mito, a série gerou uma iconografia: a receita de Martini, o Aston Martin (e epígonos), as Bond-Girls (de Ursula Andress – a sair do mar em ‘Doutor No’ como a Vénus de Boticelli – a Kim Basinger). Um dos charmes da coisa está no erotismo requintado e epigramático (em vez de javardo). Em ‘Moonraker’, uma nave espacial prepara-se para regressar a Terra. Quando a imagem via satélite aparece ao ministro britânico da Defesa, 007 está a bordo a ofegar por cima da Bond-Girl, ambos nus.

O ministro resmunga: 'Cruzes, que raio ele está a fazer?' O chefe de Bond, ‘M’, suspira: 'Creio que está a tentar reentrar, Sir.' Fleming escreveu as obras na sua casa na Jamaica, denominada ‘Goldeneye’. Não me admirava que algumas frases fossem surripiadas ao vizinho, o genial Noel Coward. Os dois assistiam em Londres ao desfile de estadistas na coroação de Isabel II quando passou a carruagem com a rainha do Togo, que diziam ser canibal. Ao lado da monarca ia um pigmeu rechonchudo. Fleming: 'Quem será aquele?' Coward: 'Ah, deve ser o lanchinho dela!' Fleming morreu em 1964, de ataque cardíaco, com apenas 54 anos. Acabara de alinhavar ‘Só Se Vive Duas Vezes’. Um título equivocado. Pois ele descobrira, se não a Eternidade, algo que anda lá perto. A senha? Canja: ‘Bond, James Bond.’

O HOMEM DE FERRO 

Saiu a ficha médica de Obama. Triglicéridos de 44 (o normal é abaixo de 150), colesterol de 173 (o desejável é menos de 200), colesterol ‘bom’ de 68 (o conveniente é acima de 40) e ‘mau’ de 96 (o recomendável é inferior a 130). Enfim: só mesmo a tiro…

SHOW ME THE MONEY 

Pressionado para revelar o IRS, John McCain divulgou apenas as declarações dos dois últimos anos (Obama e Hillary, dos últimos oito). Mas reteve as da mulher Cindy, bilionária herdeira de uma das maiores cervejeiras do Mundo. Ela disse que nem como primeira-dama divulgará tais dados, “para proteger a segurança dos meus filhos”.

O EMPATA 

É consensual: Bill Clinton só atrapalhou a campanha de Hillary. O estilo dele envelheceu (a sua última campanha foi a reeleição em 1996), continua um mulherengo compulsivo, sofre de alterações de humor (por causa da operação cardíaca, em 2004) e cometeu gaffes atrás de gaffes. Aliás, quase tantas como as da mulher…

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