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Bem abancados num enorme caos

Há uns meses, um filme clássico em que o vilão é um banco pouca ressonância teria. Agora, frases como as que se ouvem em ‘The International’ – 'não se trata de lucro, mas de controlo. Essa é a essência da actividade bancária, tornar-nos escravos da dívida', 'quem a controla, controla tudo' – somam e seguem.
Joana Amaral Dias 19 de Abril de 2009 às 00:00
Bem abancados num enorme caos
Bem abancados num enorme caos

Esta longa-metragem (estreia esta semana) inspira-se no BCCI, um banco luxemburguês que serviu cartéis de droga, suportou o programa de armas nucleares no Paquistão, empregou assassinos e espiões e desabou no início dos anos 90. ‘The International’ parece uma conspiração dos anos 70, reescreve cenas de Hitchcock, não apresenta novidades cinematográficas, mas é um thriller contemporâneo.

Nos filmes mudos, os banqueiros também eram apresentados como os maus da fita. Mas agora, as instituições financeiras são o alvo a abater. Inimigo público número um, a dívida global destrona e entrona ditadores, fanáticos, terroristas. Em ‘The International’, que expande o filão ‘JB’ – de ‘James Bond’ a ‘Jason Bourne’, um par de agentes tenta combater esse armagedão económico. Ela é o polícia bom. Ele, um ‘Quixote’ de olheiras e barba de três dias, é o polícia mau. Juntos são o esperanto da justiça.

Neste filme, a Internacional não é dos trabalhadores, mas duma administração bancária agiota que destabiliza para controlar o destino mundial. Também os heróis passam pela alta finança, geopolítica, guerra. Vão do museu Guggenheim em Manhattan (o melhor da fita) a Istambul, mostrando como é o mundo actual. Labiríntico. Emaranhado. Mesmo assim, se ‘The International’ é pessimista, não é fatalista. A Justiça-pelas-próprias-mãos faz frente à Lei dos Mais Fortes. O problema é que, tal como se escuta num nos diálogos, 'a diferença entre ficção e realidade é que só a primeira tem que fazer sentido'.

ACTIVOS CIRCULANTES EM 'RUN LOLA RUN'

Tykwer já tinha feito ‘Run Lola Run’ (1998), um filme-espiral de futuros alternativos. Em todos, a heroína é 'siga-o-dinheiro'.

FALÊNCIA FRAUDULENTA POR FRITZ LANG

‘O Testamento do Dr. Mabuse’ (Lang, 1933): 'O Homem tem de ser abalado por crises (...). Quando o caos for a lei suprema, terá chegado o Império do Crime.'

BANCO DO VATICANO SEGUNDO COPPOLA

‘Padrinho III’ (Coppola, 1990) também se baseia em casos reais como o Banco do Vaticano (anos 80), e relaciona-o com a Máfia.

 

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