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Carlos do Carmo: “A maior obra é o que deixo por fazer”

Orgulhoso da sua música, da sua família e de si próprio, o fadista que agora celebra meio século de carreira prepara o lançamentode um disco de duetos com músicos com idade para serem seus filhos
28 de Julho de 2013 às 15:00
Carlos do Carmo, teste americano, fado, disco
Carlos do Carmo, teste americano, fado, disco FOTO: Pedro Catarino

É um homem de lisboa, cidade onde nasceu, no ano de 1939, envolto nos fados cantados pela sua mãe, lucília do carmo. tentou cumprir a vontade  do pai, alfredo de almeida, que o queria ver no ramo hoteleiro, mas não demorou a lançar-se numa estrada que fez dele a  principal voz masculina da canção da capital portuguesa

 Regressado de Madrid, onde cantou no domingo passado, no Teatro Circo Price, Carlos do Carmo continua a levar o Fado aonde o queiram ouvir, tal como quando conseguiu a sua “entrada no catálogo” ao atuar no Olympia de Paris. Ter estudado cinco línguas e feito um curso de Comércio e Contabilidade poderia tê-lo levado para uma vida completamente diferente, mas o filho de Lucília de Carmo, uma fadista “com um público de betão e que era só dela”, apaixona-se cada vez mais pelo género musical que se tornou património imaterial da Humanidade da UNESCO em novembro de 2011.

*A resposta escolhida surge a sublinhado.

 

Dedicou 50 anos de vida ao fado. Como é que isto aconteceu?

a) Ouvi-o ainda antes de nascer, cantado pela minha mãe. Não poderia ser de outra forma

b) Foi um negócio de família para o qual fui arrastado. Mas vim para o fado e fiquei

c) Qualquer resistência freudiana na adolescência e início de vida adulta foi inútil. Estava escrito que seria assim (“É a opção mais verdadeira. Não estava nos meus horizontes”)

 

Qual foi a sala de espetáculos em que mais gostou de cantar?

a) O Olympia de Paris

b) A Ópera de Frankfurt

c) O Faia, casa de fados da minha família, em Lisboa

d) Outra hipótese: a e c, pois o Olympia abriu-me portas em 1980, mas o Faia foi a minha oficina, sem artifícios, sem microfone e a levar com fumo na cara

 

Chegou a estudar Gestão Hotelaria na Suíça. O que guarda desse curso?

a) A noção de que a minha vida é paralela a outra que poderia ter sido

b) A certeza de que tomei a decisão certa ao dedicar-me ao fado (“E apaixonei-me mais e mais”)

c) A capacidade de perceber quais são os melhores hotéis nas minhas digressões

 

Quem foi a maior fadista de todos os tempos?

a) Amália Rodrigues.

b) Lucília do Carmo.

c) Nesta questão sou objetor de consciência (“Fico entalado entre a incontornável Amália, a minha mãe e a Maria Teresa de Noronha”)

 

Se fizesse uma nova versão de ‘Um Homem na Cidade’, de José Carlos Ary dos Santos, como seria a canção?

a) ‘Um Homem no Condomínio Fechado’, que manhã cedo acorda e chama o motorista.

b) ‘Um Homem no Subúrbio’, que manhã cedo acorda e passa uma hora nos transportes para chegar ao emprego (“Sem demagogias”)

c) ‘Um Homem no Terminal de Aeroporto’, que manhã cedo acorda e vai fazer negócios para um país distante

 

Um dos seus maiores ídolos é Frank Sinatra. Se pudesse apropriar-se de uma característica dele, qual seria?

a) Os olhos azuis que fizeram suspirar milhões.

b) O tom de voz que lhe permitiu fazer as coisas à sua maneira (“Mas a voz estava aliada a um imenso talento”)

c) O padrinho que terá convencido um produtor de cinema a dar-lhe o papel que valeu um Óscar.

 

Qual é o seu maior receio?

a) Que chegue o momento em que não me considere capaz de cantar.

b) Que o homem das castanhas não seja eterno e os cacilheiros abandonem o Tejo.

c) Que Portugal dê o passo em frente após ficar à beira do abismo

 

Em outubro será lançado um disco de duetos com músicos a quem chama “meus meninos e minhas meninas”. Como encara esse projeto?

a) É uma passagem de testemunho para outras gerações.

b) É uma forma de apresentar as minhas canções a novos públicos.

c) É uma oportunidade para colaborar com artistas por quem nutro mútua admiração (“Posso dizer que aprendi muito e ensinei alguma coisa”)

 

Qual é a sua maior obra?

a) Os discos e canções, para quem os quiser ouvir

b) A família que construí ao longo deste meio século

c) O homem que eu sou

d) Outra hipótese: orgulho-me das outras alternativas, mas sobretudo o que eu deixo por fazer

 

 

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