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Correio da Manhã

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ELES ANDAM AÍ...

Beatriz Pacheco Pereira estreou-se na ficção, há um ano, na Ambar, com uma despretensão desconcertante. Depois de ‘As Fabulosas Histórias Dela’, o desconcerto voltou, agora, sob a forma de ‘Tratado dos Anjos’.
15 de Julho de 2004 às 00:00
O universo fantástico – ensaiado nesse primeiro livro de contos que tinha por único ponto de contacto com o real a cidade que lhe servia de cenário e continua a servir – perdeu a timidez, ganhou espaço, tomou a cena.
“A partir do Porto, conheceria o mundo. Desenvolveria na Terra e o mais possível, a faculdade de atenção sobre os pormenores da vida humana e destrinçaria os detalhes mais subtis dos mais evidentes, ele que esperava poder vir a ser um relator preciso e verdadeiro, mais tarde, perante Deus”, assim se apresenta o primeiro de muitos anjos, da primeira de muitas cenas.
O FARDO DE DEUS
E porque o desconcerto permite liberdades como a inversão da ordem dos factores, antes da história, a moral da história: Se de repente, um desconhecido lhe oferecer um gesto inesperado, seja generosidade, seja curiosidade, isso pode ser... um anjo!
“O que é certo é que, fosse qual fosse o estado de Deus no final da Criação, Ele soube imediatamente que neles, nesse homem e nessa mulher e nos seus descendentes, estaria algo a que dificilmente iria escapar – o desafio da humanidade. Os anjos vinham à Terra para mitigar o peso desse desafio, para suavizar o fardo de Deus”, explica-se.
E há anjo para tudo nestas novas fabulosas histórias dela... Eles andam aí! Porquê? Porque “um obstáculo, surgia sempre na mente de Deus que o impedia de desfazer o que fizera. E esse era a ternura que sempre se estabelece entre o que faz e a coisa feita”.
São nem mais nem menos do que quarenta e duas cenas autónomas, como autónomos são os anjos que as protagonizam apesar das condições... “Tudo o que é de Deus regressa a Deus. Nada pode escapar ao controle divino. Só os homens e a mulheres que, num dia de desprazer, Deus deixou na Terra por conta própria”.
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