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José Rodrigues dos Santos: O pivô dos best sellers

Quebra de vendas foi compensada publicando dois romances por ano. Volta a fazê-lo, em concorrência com Dan Brown.
Leonardo Ralha 1 de Outubro de 2017 às 15:00
José Rodrigues dos Santos
José Rodrigues dos Santos FOTO: Miguel Ganhão

Será anunciado amanhã o título do próximo romance de José Rodrigues dos Santos, com lançamento marcado para dia 21, no Casino de Lisboa, quando o anterior, ‘O Reino do Meio’, com o qual o jornalista da RTP concluiu a ‘Trilogia do Lótus’, acabado de chegar às livrarias, encabeça a lista dos mais vendidos na Fnac e na Bertrand.

Publicar dois romances por ano - enquanto o norte-americano Dan Brown, seu maior concorrente daqui até ao Natal, com o lançamento de ‘Origem’, só escreveu seis livros desde 2000 - não é propriamente uma novidade para o escritor que mais vende em Portugal, tendo 2,3 milhões de exemplares dos seus 24 livros nas prateleiras dos leitores. A partir do momento em que o mercado editorial se ressentiu da crise e da alteração de hábitos, levando todos os autores a perder compradores, é a terceira vez que Rodrigues dos Santos lança dois romances no mesmo ano, ainda que a soma de vendas dos dois do ano passado (‘O Pavilhão Púrpura’ e ‘Vaticanum’) tenham ficado aquém daqueles que publicou anualmente entre 2005 e 2012.

Manter a laboração literária contínua sem abdicar do jornalismo, e sobretudo do ‘Telejornal’ da RTP, é algo que o autor de best sellers gosta de explicar como um passatempo mais proveitoso financeiramente do que os praticados pelos concidadãos. "Há quem vá ao centro comercial nas horas livres, há quem veja filmes, há quem passeie. Eu escrevo", justifica quem acorda às sete da manhã para escrever. Algo que lhe permite apresentar à editora Gradiva, à qual garante a maioria da faturação, originais quase sempre com mais de 500 páginas, e não raras vezes com 700.

REFERÊNCIAS FAMILIARES
Casado há 27 anos com a médica Florbela, a quem escrevia "cartas de amor belíssimas" quando ela foi estudar para Inglaterra, mãe das suas filhas Inês e Catarina, o homem nascido em Moçambique e que passou a adolescência em Macau gosta de aproveitar histórias de família para os livros. Em ‘A Filha do Capitão’, que decorre na I Guerra Mundial, baseou-se no avô paterno, e ‘A Vida num Sopro’ tem os avós maternos no início do Estado Novo. E de seguida recorreu à história do pai, que era médico em Tete e testemunhou o massacre de Wiriyamu, em ‘O Anjo Branco’, não se coibindo de referir que o protagonista espantou todos à nascença pelo tamanho do pénis.

Essa referência juntou-se a outra que fez as delícias dos críticos que tendem a arrasar as obras do jornalista, quando não as ignoram. No romance ‘O Codex 632’, uma estudante sueca seduzia o professor da Universidade Nova de Lisboa Tomás Noronha com a frase "quero fazer uma sopa de peixe com o leite das minhas mamas".

Mas Rodrigues dos Santos, que deu aulas nessa universidade muitos anos, só está preocupado com o que pensam os leitores, responsáveis por 100 milhões de euros em vendas de livros, dos quais 15 a 20 milhões terão revertido para ele.

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