Marcel Keizer casado, bom rapaz e seguidor de Cruijff

Treinador holandês foi convencido pela mulher a vir morar para Portugal.
Por Mário Figueiredo|06.01.19

Marcel Keizer vive a sua maior aventura como treinador no Sporting. Se a nível profissional já mostrou a sua capacidade com sete vitórias consecutivas e 30 golos marcados, a nível pessoal é um bom rapaz, mas muito reservado. Quem é Marcel Keizer fora do futebol? É um homem de família. Casado e com dois filhos. A mulher teve um peso determinante para que aceitasse o convite do Sporting. Lisboa, uma cidade na moda, o clima e os bons costumes portugueses facilitaram a decisão.

Discretos, os Keizer privilegiam a privacidade. Viram casas na zona da Expo (Parque das Nações), mas optaram pela Margem Sul, escolhendo uma casa perto de Alcochete, ao lado da Academia. Mesmo quando treinou o Ajax, Marcel preferiu sempre viver na tranquilidade dos arredores da capital holandesa.

A esposa de Keizer é diretora de marketing de uma empresa holandesa de informática, o que lhe permite trabalhar a partir de casa. O casal tem dois filhos, mas estes continuam na Holanda a estudar, pelo menos até ao final do ano letivo. Mas aproveitam as férias escolares para virem a Portugal. Foi o que aconteceu no Natal. Aliás, o jantar promovido pelo Sporting, que reuniu as famílias do grupo, marcou a primeira aparição da família do técnico.

A dedicação ao Sporting é total e a adaptação a Portugal tem sido rápida e positiva. Tem aulas de português e já esboça frases completas. Treina o português com os funcionários da Academia de Alcochete. Cumprimenta toda a gente. Desde os seguranças do portão aos membros da estrutura técnica dos leões, jogadores e até os cozinheiros. Tem um sorriso fácil e uma palavra de apoio para os seus jogadores.

Marcel Keizer é discreto na vida e no futebol. É uma das críticas que os amigos mais próximos e os defensores das suas qualidades lhe fazem com frequência. É demasiado humilde, mesmo quando tem motivos para se colocar em bicos de pés. E o arranque no Sporting revela isso mesmo. As vitórias e os golos não lhe tiram os pés do chão. Não o fazem mudar de rumo. É metódico e cresceu como jogador nos tempos gloriosos da escola do Ajax. Chegou ao Sporting com um manto de humildade. Observou e respeitou os rituais da equipa.

Mudanças ao almoço
Aos poucos foi impondo as suas ideias. Acabou com os lugares marcados nos almoços em Alcochete. Na mesa em ‘U’, senta-se no lugar que está vago. Não se impõe na mesa. Não precisa de se sentar no topo ou no meio para ser visto. E ao escolher o lugar vago, não opta por parceiros ou jogadores. Conversa. Mais do que isso, sabe ouvir os jogadores. Sente o pulso do balneário nesses momentos.

É certo que Bas Dost tem sido uma boa muleta na adaptação. Os 10 golos nos primeiros sete jogos do treinador ajudaram a manter o estado de graça, mas mais do que isso é um líder no balneário e fala a mesma língua. Facilita a comunicação. Ajuda a passar a mensagem do técnico no campo. Auxilia-o no português. Aconselha locais e restaurantes a visitar.

7h30 na Academia
Mas o treinador holandês está focado no trabalho. Chega à Academia impreterivelmente antes das 7h30. É dos primeiros a chegar. É respeitado e é respeitador. Educado. Entende a estrutura como um todo e onde todos têm um papel a desempenhar. Funções individuais que são determinantes para o sucesso coletivo. Todos os cargos são igualmente importantes para o sucesso da equipa.

O facto de ser bom rapaz não faz de Marcel Keizer menos exigente. É extremamente rigoroso no treino. Muito interventivo em todas as sessões, exige sempre mais dos jogadores para explorar as suas potencialidades ao máximo. É aqui que entra a sua escola do Ajax. Ou não fosse ele sobrinho de Piet Keizer, uma das lendas da equipa holandesa. Um esquerdino que figurou na equipa de sonho de Johan Cruijff, que era composto por Yachine, Beckembauer e Carlos Alberto, Guardiola, Keizer, Maradona e Bobby Charlton, Di Stefano, Pelé e Garrincha.

No entanto, Keizer também escreveu a sua história no Ajax. Como jogador, onde alinhou a médio, fez parte da equipa de 1987/88 e 1988/89 com as estrelas Ronald e Frank De Boer, Dennis Bergkamp e Peter Larsson. Tinha 20 anos e alinhou em apenas quatro jogos na primeira época e um na segunda.

Treinador sem padrinhos
Acabou por fazer carreira de jogador no SC Cambuur, onde esteve nove temporadas, passou pelo De Graafschap, VV Noorwijk e terminou a carreira de jogador no FC Emmen. Diz quem o conheceu nessa altura que já revelava uma capacidade de liderança muito forte e ideias táticas firmes. No fundo, um treinador em potencial.

A verdade é que a carreira de treinador parece ser bem mais promissora do que a de jogador. Mas Keizer subiu a pulso. Não teve padrinhos. Não quis. Tudo o que conseguiu foi com mérito. Difícil, mas com mérito. Estreou-se como treinador no VV Nijenrodes (clube atualmente designado como Breukelen) em 2002.

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