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NRP Sagres: já lá vão dois meses de missão

A crónica do navio-escola ‘Sagres’, que cumpre a viagem de circum-navegação, vai passar a ser publicada na ‘Domingo’.
15 de Março de 2020 às 12:00

O NRP ‘Sagres’ encontra-se a navegar rumo à Cidade do Cabo, na África do Sul. Segue com mais de 940 horas de navegação e já foi percorrida uma distância de 4515 milhas náuticas (um pouco mais de 8360 quilómetros). Na presente tirada, irá atravessar, pela segunda vez nesta viagem, o oceano Atlântico, numa navegação de 24 dias.

Dois meses depois da largada de Lisboa, no dia 5 de janeiro, a Sagres já marcou presença nos portos de Tenerife, Praia, Rio de Janeiro, Montevideo e, o último de onde largou no dia 3 de março, o de Buenos Aires. No papel de ‘Embaixada Itinerante’, em cada porto cumpre-se um exigente programa, protocolar e diplomático. Os programas contemplam sempre um horário para visitas do público, que permite a todos os interessados (escolas, grupos organizados, famílias, comunidade portuguesa e todos os que estejam interessados) visitar o navio-escola da Marinha Portuguesa.

Como navio-escola, a principal missão do NRP ‘Sagres’ é proporcionar a formação marinheira e experiência de vida no mar aos cadetes da Escola Naval, futuros oficiais da Marinha Portuguesa. Os visitantes têm perguntado pelos cadetes, ou pelos Guardas-Marinhas, como são chamados na América do Sul, durante as estadias nos portos. Contudo, nesta viagem, os cadetes do segundo e terceiro ano irão embarcar em duas viagens distintas entre os meses de junho, julho e agosto, no final do ano escolar.

Entretanto, o NRP ‘Sagres’ prossegue com a sua guarnição de 142 elementos que serão os mesmos durante os 371 dias de missão. É uma missão longa, a mais longa que o navio alguma vez teve, mas as rotinas e as passagens nos portos ajudam a passar o tempo.

A navegar, as rotinas dão ritmo aos nossos dias. Estes começam com o toque de alvorada às 7 horas da manhã e terminam com o resumo diário de atividade ao ETO (equipamento de transmissão de ordens, basicamente, o sistema altifalante do navio), feito pelo imediato. Regalias como alvorada surda ao domingo, a sobremesa (doce) ao almoço de quinta-feira e de domingo ou uma manhã sem serviços são dadas à guarnição sempre que o planeamento o permita.

Na tirada em que a ‘Sagres’ se encontra, com uma duração de 24 dias, muitos poderão achar que o tédio primará os nossos dias. Não é, de todo, verdade. A formatura para serviços inicia o dia de trabalho e reúne os diferentes serviços. Daí até à hora do almoço executam-se os trabalhos: revistas aos mastros e velas, manutenções aos motores e geradores, limpezas, pinturas, e todas as tarefas que mantém o navio pronto.

Nesta tirada, o navio transporta dois elementos adicionais à sua guarnição. Um jovem oficial da Marinha da Argentina, embarque que, à semelhança dos oficiais da Guarda Costeira de Cabo Verde e da Marinha do Brasil (fizeram o trânsito da Praia para o Rio de Janeiro), ajuda a promover as relações bilaterais entre a Marinha Portuguesa e as diversas Marinhas estrangeiras. Além desse elemento temos embarcado um investigador do INESCTEC, da Universidade do Porto, colaborador do projeto SAIL (Space-Atmospher-Ocean Interactions in the marine boundary Layer, que visa estudar as interações terra-espaço numa escala global, através da recolha de dados do campo elétrico terrestre nos oceanos), com o qual o NRP ‘Sagres’ assumiu um papel de plataforma científica.

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