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Nuno Vasconcellos: Sambinha brasileiro

Neto do fundador da Sociedade Nacional de Sabões viu o império ir pelo cano sentado ao volante do seu Porsche
Miriam Assor 5 de Março de 2017 às 15:00
Nuno Vasconcellos
Nuno Vasconcellos FOTO: Miguel Ganhão

A torneira do vil metal já não abre. Derrotado, é assim que um amigo paulista encontra o neto do fundador da Sociedade Nacional de Sabões. Hipocondríaco, pratica boxe, kickboxing e fica nervoso se tiver que falar em público. Português e brasileiro, já teve um maníaco a segui-lo, foi guiado pelo chofer Alex e uma das moradas comerciais é a Avenida Nações Unidas, 11633, 8º andar, em São Paulo. Nesse piso estava, e ao que se sabe, ainda está, o portal de notícias iG, "mantido por estagiários", diz uma antiga jornalista que colocou na Justiça as entretanto falidas Ongoing Brasil e Ongoing Strategy Investiments, devido à indemnização que não recebeu. Quando o barco se afundou em Portugal, o naufrágio seguiu-se em terras de Vera Cruz. Mas o líder deste grupo empresarial que foi declarado insolvente, continua à frente das suas empresas operacionais, e vive num dos bairros mais luxuosos de São Paulo numa vivenda com piscina e desloca-se de Porsche.

CORTAVA RELVA
Tido como educado, não gritava como o sócio de longa data, Rafael Mora. Enquanto estudava Gestão de Empresas em Boston, limpara vidros, cortara relvas, trabalhara nas obras, vendera tachos e panelas. Amigos convergem: Nuno Vasconcellos, que já passou dois anos dos cinquenta, ouviu pessoas que não deveria ter ouvido. A sua mania de esbanjar, lembra um ex-colega da Arthur Andersen, pode ter sido a pá para a sepultura empresarial: a sociedade familiar, a Rocha dos Santos Holding ficou em campa rasa. A queda do Banco Espírito Santo e, depois, a derrocada na PT, ajudaram ao funeral.

Na Ongoing, que integrava um polvo de empresas, empregou mais de mil pessoas, entre as quais a namorada de José Dirceu, condenado pelos processos Mensalão e Lava Jato. Evanise dava jeito pela sua rede de contactos, mas a miúfa de ser confundido na teia de Dirceu ditou o afastamento.  

A Maçonaria, de certa forma, domesticou-o, dando-lhe humildade e desejo de aprendizagem, que duraram o tempo da sua ambição descontrolada. O afilhado de casamento de Balsemão divorciou-se da mãe das suas filhas, por amor a Daniela Moreira, e hoje é um maçom adormecido. Um político da Grande Loja Regular de Portugal explica o sono metafórico do irmão que abraçou a obediência regular em 2006: "Quando o maçom tem processos em tribunal ou se encontra envolvido em situações mediáticas, o bom senso sugere um afastamento".

Apoiante da monarquia, transitou da Loja Mercúrio para a Mozart, onde, em 2008, substituiu Jorge Silva Carvalho nas funções de venerável e adiante recrutou Luís Montenegro. A oficina de trabalho com o nome do compositor tem fama de poderosa. Pontos de vista, adianta um maçom: "Se assim fosse o império de Nuno Vasconcellos não teria ido pelo cano abaixo". E credores não lhe faltam.

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