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O machão gay

Saiu agora nos EUA uma biografia que trucida um dos maiores mitos de Hollywood. Jura a pés juntos que Clark Gable, a quintessência da virilidade que calcificou a personagem de ‘Rhett Butler’ em ‘E Tudo o Vento Levou’, era gay. É como proclamar que José Castelo Branco é a identidade secreta de Zezé Camarinha.
18 de Maio de 2008 às 00:00
O machão gay
O machão gay

OK, houve astros que escamotearam a sua homossexualidade numa época em que esta era considerada uma doença aviltante. Por exemplo, Cary Grant e Gary Cooper. Para evitar o escândalo, os estúdios urdiam uma fachada de faz-de-conta. Com Gable, insistiram para que ele se alistasse no Exército e inventaram uma falsa gravidez de uma sirigaita na Inglaterra – quando o galã nunca tinha saído da América. Mas esta nova biografia vai mais longe: afirma que Gable era um ‘gay for pay’ - ia para a cama com qualquer fulano que pudesse ajudar a sua carreira. Aliás, aceitando o conselho da primeira mulher, que lhe guinchou: 'Torna-te o melhor actor que puderes, pois jamais serás um homem'. O autor do livro – um gay assumido – adora odiar o biografado. Realça que ele tinha mau hálito, os dentes podres e a voz efeminada. Acaba por parecer dor de cotovelo de bicha ressentida e obcecada. O biógrafo vê mariquice em todo o canto. Diz até que George Cukor cedeu a realização de ‘E Tudo o Vento Levou’ a Victor Fleming sob pressão do estúdio. Acontece que o amante de Cukor já teria dado umas cambalhotas com Gable, e a Metro receava a fofoca. Felizmente, desde aquela altura as coisas mudaram imenso. Como arrulhou o cenógrafo Diaghilev: 'Tchaikovski pensou em matar--se por medo de ser desmascarado como gay. Hoje, se és um compositor clássico e não és bicha, o melhor é meter logo uma bala na cabeça'. Mas isso, no fundo, não interessa. Nem o facto de o biógrafo reconhecer que o grande amor de Gable foi a sua terceira mulher, a actriz Carole Lombard. Numa estrela de primeira grandeza, o que fica é a sua persona, e não a sua pessoa. Não a sua cara, mas o seu carisma. Aliás, uma das melhores histórias de Gable o biógrafo não conta. Um dia, o realizador Howard Hawks convidou para uma caçada William Faulkner e Clark Gable. Gable era mais famoso do que Tom Cruise hoje. E Faulkner era o prémio Nobel de Literatura. No caminho, o actor – que nunca lera um livro na vida – exclamou: 'Ah, então escreve, senhor Faulkner?' E este, que nunca fora ao cinema, admitiu: 'Sim. E o senhor faz o quê?' Mas insisto: o que fica é ‘Rhett Butler’, e não Clark Gable. Sobre este livro desprezível, ‘Rhett’ diria o mesmo que disse a ‘Scarlett O’Hara’, quando esta (depois de o tratar abaixo de cão) choramingou que sem ele não era nada: 'Minha querida, estou--me a lixar'.

TIRO NO PÉ

O ‘NY Times’ informou há 3 semanas que o Pentágono seleccionava ex-militares, contratados por fornecedores de armas, para defender as suas posições na TV. Foi um escândalo, mas até agora nem NBC, ABC, CBS, CNN ou Fox, que usavam os ‘analistas’, abriram o bico.

200

Há dias, o ‘Financial Times’ noticiou, com cepticismo, o alerta do presidente da OPEP – de que o barril de petróleo poderia chegar aos 200 dólares. Agora foi um analista a advertir que tal preço 'é certo, nos próximos dois anos'. Pormenor: trata--se do mesmo analista que previu a marca dos 100 dólares, há TRÊS anos.

MECA DO CINEMA

Hollywood (EUA) ou Bollywood (Índia) não são os únicos reinos do cinema. Convém incluir Nollywood, a terceira produtora de filmes do mercado mundial. No ano passado, a cinematografia da Nigéria registou mais de 2 mil títulos – a maioria rodados com câmara digital para DVD, a cerca de 15 mil euros cada.

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