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O melhor de 2019 em revista

Recuperação de alguns álbuns que ficaram omissos durante o ano para rematar a lista dos 20 imperdíveis.
Adolfo Luxúria Canibal 22 de Dezembro de 2019 às 10:00

Chegada esta altura do ano, quando o fim se aproxima a passos largos, surge, como a um moribundo, o desejo de rever a matéria dada, de fazer balanços sobre o que de bom ele nos trouxe.

Ora, quanto a discos, recordando os que referi nestes doze meses – ‘The Waves, the Wake’, dos Great Lake Swimmers, ‘I Have to Feed Larry’s Hawk’, dos White Fence, ‘Happy in the Hollow’,  dos Toy, ‘Eton   Alive’, dos Sleaford Mods, ‘Social Cues’, dos Cage The Elephant, ‘Serfs Up!’, dos Fat White Family, ‘Life Metal’, dos Sunn O))), ‘Help Us Stranger’, dos The Raconteurs, ‘Elastic Days’, de J. Mascis, ‘First Taste’, de Ty Segall, ‘Infest the Rat’s Nest’, dos King Gizzard & The Lizard Wizard, ‘Free’, de Iggy Pop, ‘Hot Motion’, dos Temples,   ‘Lookout   Now’, dos Twin Peaks, ‘Ode to Joy’, dos Wilco, e ‘Leaving Meaning’, dos Swans –, poderia pensar que o top 16 estava encontrado. No entanto, isso deixaria de fora algumas pérolas do melhor que saiu em 2019.

Desde logo os Black Midi que, com o seu disco de estreia, ‘Schlagenheim’, foram a surpresa do ano, com presença obrigatória nos lugares   cimeiros de qualquer lista que se preze.

Uma música sempre à beira do caos, que ora cresce ora diminui, ora acelera ora abranda, ora melódica ora atonal, como um rugido   primitivo a lidar com o ritmo e a harmonia, mas sempre com um ‘swing’ imparável – numa era de música pastilha-elástica é surpreendente o surgir de obras como esta, tão descaradamente fora do seu tempo! Mas também o disco de estreia de Kim Gordon, ‘No Home Record’, que com as suas colagens sonoras e experimentalismos vários é tão só o melhor disco publicado até agora por qualquer um dos ex-Sonic Youth.

Ou o dos Royal Trux, ‘White Stuff’, que se julgavam perdidos na loucura junkie e arrufos de Neil Hagerty e Jennifer Herrema e de quem já ninguém esperava tanta pertinência. E, claro, o novíssimo de Nick Cave, ‘Ghosteen’, incensado por todo o lado, mas que não deixa de ser uma relativa desilusão face aos padrões a que o próprio Cave nos habituou – mas a anos-luz da produção pop corrente, ainda assim!

CINCO DÉCADAS DE INQUIETAÇÃO MUSICAL

Resultado da exposição homónima patente em 2018 na Galeria Municipal do Porto, o livro compila documentos, objectos e ensaios que ilustram os diversos mundos musicais e os impulsos de ruptura protagonizados por essa rede de criadores, editores, divulgadores
e agitadores que fizeram
a música no Porto.

QUANDO A MÚSICA NASCE LIVRE E SELVAGEM

Álbum de estreia da banda do Porto, com um ‘free rock / punk jazz’ verdadeiramente iconoclasta, improvisações desvairadas à volta dos textos anarco, impiedosamente directos e rudes, do poeta A. Pedro Ribeiro, gritos de fúria ácida e mal-estar a revolver-nos
as entranhas… O disco
que Portugal precisava.

UM FALSO FILME SOBRE GANGSTERS E A MÁFIA

Baseado no livro de memórias do advogado Charles Brandt, que relata a história do sindicalista Jimmy Hoffa e do seu assassino, Frank Sheeran, o Irlandês, que realizava trabalhos para
o mafioso Russell Bufalino, Scorsese construiu uma muito longa-metragem (3h30) sobre a morte
e a inutilidade da vida.

Fugir de:

Pai Natal

Figura engendrada no Século XIX, tendo supostamente por inspiração São Nicolau, Arcebispo turco do Século IV, e massificada no final da primeira metade

do Século XX a partir dos Estados Unidos da América, rapidamente se colou aos ritos cristãos do Natal
e dos Reis para encarnar o mercantilismo mais desenfreado em que se tornou

a época celebrada pelos cristãos como de nascimento de Jesus, transformando

a celebração num ofertório de bugigangas tanto mais sem sentido quanto mais

vazias de outra necessidade

para além
da mercantil.

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