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Correio da Manhã

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O português que guardava o Papa

Profissão: duro. Assim-assim. Um consultor de segurança também pode desarmar a postura e gotejar dos olhos. Assim foi em Maio de 1986. “Fui recebido por João Paulo II no Vaticano e convidado para assumir a responsabilidade pela sua segurança. Comecei por fartar-me de chorar porque não acreditava, foi a primeira reacção. Depois reagi logo de imediato: “Calma, estou aqui para trabalhar! E disse que havia muita coisa que ia ter que mudar’”, recorda João Gabriel Rucha Pereira, consultor de segurança, especialista em prevenção, criminalista e mediador de conflitos.
27 de Janeiro de 2008 às 00:00
Sua santidade perguntou: “O quê?” O investigador respondeu: “Não sei”. Com muitas dúvidas, mas ao abrigo de uma certeza. “A primeira coisa a acabar era andar a passear em carros descapotáveis. Foi assim que morreu o presidente Kennedy. O Papa já tinha sofrido o atentado em Fátima e na Praça de São Pedro, em Roma. Deixou-me tentar”.
A tentativa deslizou sobre rodas. “Respeitei todas as premissas que ele me tinha dado e ele respeitou as minhas. Não abdicava de acenar às multidões e de as benzer. Chegámos a um acordo. Às vezes descobrimos o ovo de Colombo. O papamóvel, ideia minha, para mim, hoje, é o ovo de Colombo. E, graças a Deus, de Maio de 86 até à morte dele nunca mais aconteceu nada. Saí pela porta grande. Foram 19 anos de trabalho em que tudo correu bem”.
Inovou no transporte, veiculou outras medidas, refugiadas do olhar curioso do rebanho de fiéis.
“Melhorei a chamada prevenção de campo. Antes de uma viagem faz-se a investigação exaustiva dos percursos, dos factos anormais. Não acompanhava nas viagens mas fazia os chamados estudos de projectos de segurança. Depois havia pessoas que tinham que implementar essas medidas. Tudo tem importância: segurança de proximidade, paramédicos numa caravana, ambulâncias, para minimizar eventuais problemas. Não é a mesma coisa fazer um estudo para uma viagem a Portugal ou para o Paquistão, mas as pessoas admiram-se por um criminalista ter estudado antropologia!”
Menos se espantam que a espinha dorsal do ofício não vergue: discrição.
“Houve coisas que foram despoletadas, mas não posso falar delas por questões de deontologia...”. Compreende-se. O sigilo é a alma, mesmo que nem tudo pareça negócio. Foram vários os encontros com João Paulo II. Tantos que só por milagre se daria um cisma entre o trabalho e a comunhão espiritual. “Criámos uma empatia muito forte, trabalhava por paixão, de tal maneira que não foi a primeira vez nem a segunda que ao nos despedirmos vinham as lágrimas aos olhos de um e do outro. Não foi fácil... a sua morte. Estive muito indeciso, mas não fui ao funeral.
Acho que ia ser um vale de lágrimas. Estive com ele algum tempo antes. O Papa tinha o sonho ecuménico de que os católicos dessem as mãos aos islâmicos, aos protestantes... Lutou pela paz. Esse também é o meu sonho. Gostaria de mediar grandes conflitos internacionais. Se o presidente Bush me convidasse para negociar a paz no Médio Oriente, era um desafio tremendo!”
Mesmo que George W. esteja de malas feitas, é da eleição de desafios que a história de Rucha Pereira continua a rezar. À margem do jogo de cadeiras na Casa Branca. E no Vaticano. “Fui convidado para fazer a segurança de Bento XVI... mas aí já não fui capaz. Por outro lado, tenho outros sonhos pessoais. Sou consultor de vários países mas não quero estar preso a ninguém. Quero fazer o doutoramento sem ir para a universidade de bengalinha”.
Amparam-no outros predicados. Obsessivo-compulsivo, artesão da “redundância da redundância”, arquitecto de planos até à última casa do alfabeto. A política de há mais de vinte anos não é sufragável. Mas a roda do tempo impõe alternâncias. “Temos que evoluir. Comecei como consultor de segurança em 1980. Trabalhei particularmente nas Brigadas Vermelhas, um tipo de terrorismo totalmente diferente do terrorismo de hoje.
Nunca pensei, quando comecei, meter-me na mediação de conflitos, até porque não existia”. O guarda-costas desbaratou o rótulo de pastilha elástica - ‘gorila’ - e de peça de mobiliário - ‘armário’. Atributos contemporâneos de Reagan, que nem por isso se livrou de sobressaltos. Prevenção, vocábulo que puxa mais pelo cabedal da carola que do físico, é lei. “Os seguranças modernos pensam em políticas que evitam que os problemas aconteçam. A nível de segurança pessoal, quando uma entidade se desloca, nós, pelo menos quinze dias antes, vamos ver todos os trajectos que vai fazer e se há coisas anormais, desviantes.
Se uma senhora alugou um quarto a alguém, etc. Alguma coisa anormal na zona. Temos que verificar se são factos perigosos ou pura coincidência. Mas obviamente que não podemos dispensar a segurança de proximidade”. Palavra de ‘doutor’ que não se cansa de acompanhar a sofisticação das teorias e práticas. O curriculum nem com dieta adelgaçava. 17 páginas. Mestrado em curso e assiduidade máxima. ‘Psicologia Criminal e Comportamento Desviante’.
“Estou sempre a fazer especializações, cá dentro e lá fora, quando não encontro em Portugal o que procuro”. Enfermagem, impressões digitais, ADN, montar e desmontar escutas, desarmadilhar carros. O comezinho não o é, porque isto anda tudo ligado à corrente de ameaças e o fim justifica o princípio: “Quando falo de qualquer coisa gosto de estar a falar com conhecimento de causa, não gosto de fazer trabalho de gabinete, nunca gostei. Vou a seminários de contrafacção e perguntam-me “O que é que o doutor faz aqui?”. Tudo o que é desviante pode potenciar o terrorismo.
No ano passado, uma panóplia de serviços de informação, na Europa, desmontou 30 e tal grandes atentados como os de Madrid ou Londres, o que quer dizer que estas coisas dão resultado. Mas é preciso estar sempre alerta, é a história do chapéu de chuva...”.
RUCHA PEREIRA
Rucha Pereira não dispensa sombrinha. Mesmo que o céu de S. Pedro vaticine concórdia. Mas arrisca, ainda que acabe a petiscar contratempos que obrigam a repensar a rotina. Natação, bicicleta, mergulho, desportos radicais, tiro, luta. A idade no B.I. é pró-forma. 59 anos. Num destes dias, o pulso levou a pior, saiu queixoso de uma das andanças. Coisa pouca, resolvida em quinze dias.
“Quando comecei a trabalhar tentaram atentar contra a minha vida. Comecei a combater isso detectando as possibilidades de risco de algo acontecer. Alguém que ficou descontente, que não gostou de nós. Há coisas que conseguimos prever. Não tendo sempre a mesma rotina, os mesmos horários, não usando sempre a mesma viatura. Tanto ando de carro, como a pé, ou de transportes”.
Conhecimento in loco, passando sempre por despercebido. Despistado mesmo. Quem investiga é tal e qual como quem verseja: fingidor, como o poeta. “Tenho muito daquele personagem que entrava nas nossas televisões com um defeito no olho e gabardina e que fingia que se esquecia e voltava atrás. Sou um bocado assim também, despassarado propositadamente. Vou beber a tudo isto”.
A pinga de técnicas surtiu efeito. Mantém-se entre “os melhores do Mundo”, assegura. É caso para incontinência de orgulho. “Tenho o direito de ser vaidoso! É como o Figo ser o melhor do Mundo!”. No desporto-rei, onde o coração é súbdito dos encarnados, está a milhas dos craques mas paredes meias com as lições de táctica. Já em outras pistas, ainda menino e moço, sagrou-se campeão nacional de fundo de dois mil metros em atletismo.
“Sempre gostei muito de desporto e transponho muito para o trabalho. O futebol é um dos jogos mais inteligentes que foram inventados. Há uma coisa e cada um sabe o que tem que fazer. E depois há o treinador. Quando lidero grupos sinto-me um bocado o treinador. E vejamos o sucesso do Mourinho, está onde? Na psicologia”.
Lição mais que estudada. Em matéria de troféus, nem o ‘Special One’ rivaliza com Rucha Pereira. A ética encetada na década de setenta - e a estética - têm testemunho nos escritórios da sua agência de segurança privada, a Ruper. Deixaram distinções, medalhas, certificados, diplomas. Vitrinas e paredes recheadas.
A condição humana desfila por aqui em todos os trajes. Altos destinos das nações e do Mundo, multinacionais de vários sectores, omnipresentes quezílias conjugais. “Aparecem coisas esquisitas mas nada me espanta. Já tenho atendido tanta gente e o ser humano é tão complexo. E pedem-me coisas fora da legalidade: “Ah, preciso que me façam uma escuta telefónica!”.
Nem que me pagassem vinte milhões! Não faço. Temos é equipamentos para verificar se há escutas. A segurança preventiva é a minha grande paixão porque engloba tudo. Investigação, psicologia, mediação de conflitos”. A chama da “vocação”continua ateada. Se os dossiês pulam muito para outras mãos, ressente-se, com a míngua do real.
“Houve uma fase em que comecei a delegar, a delegar, e depois comecei a sentir um sofrimento enorme porque sentia muitas saudades do operacional. Continuo a fazê-lo. Às vezes apanhamos ‘sopa’, depois ‘sopa’ outra vez. As coisa não correm como queremos, mas se fosse assim tão fácil não havia investigadores. Sou teimoso até dizer chega, não desisto. Graças a Deus nunca tive grandes fracassos”.
Deus escreveu certo que a brincadeira de miúdos se tornaria caso sério. “Vim para Lisboa aos nove anos e fiz um grupo de detectives.
Curiosamente aos 12 anos ganhei o primeiro dinheiro a fazer investigações. Na altura respondemos a um anúncio num jornal de um senhor que estava a ser ameaçado com chantagens. Recebia cartas e pôs um anúncio a dizer: “dá-se cinco mil escudos de alvíssaras a quem descobrir quem me escreve cartas anónimas”.
João respondeu ao anúncio. O anunciante replicou que a incumbência “não era para meninos”. A canalha insistiu na tarefa para adultos. E averbou a recompensa. Aos 16 anos, promessa tão solene quanto adolescente. “De nos encontrarmos todos quando fossemos adultos. Entretanto o grupo dissolveu-se.
Ninguém resistiu, só eu e foi por acaso. Houve uma amiga minha que andava a ser ameaçada de morte. A polícia dizia que não podia fazer nada sem provas e que só podia actuar em flagrante delito. Consegui provocar um flagrante delito, e o indivíduo foi apanhado pela polícia”. Próximo da tropa, no limiar dos 20 anos, desampara a engenharia electrotécnica. A família não se acanha no veredicto: “maluco”.
A loucura deu-lhe boleia para Espanha. “Pensei, mas quantas pessoas terão problemas e que eu poderei ajudar. E eu que tinha a vida toda encaminhada fui fazer o curso superior de Detective Privado em Madrid e o curso de Criminologia. Estava numa multinacional, ganhava muito bem. Pedi a demissão, deixei tudo. Logo que terminei o contrato fundei a minha empresa, a 23 de Dezembro de 71, e nunca mais parei. Depois, a partir de 72, 73, tive uma ideia única no Mundo. Se escolhesse o meu melhor colega de cada país e formar um grupo internacional, seríamos os melhores do Mundo”.
EM 1980
Em Agosto de 1980, a banhos no sossego das ondas algarvias, o telefone toca. “Foi constituído em Roma um dos maiores organismos de consultores de crimimologia forense e fui avisado que tinha sido eleito co-presidente.
Telefono para o meu amigo Ernesto Manzini de Itália, e disse-lhes que estavam doidos. “Foi para ti, foi, e sabes o que disseram nos corredores? Vamos ver o que é que o miúdo faz!” Tinha 32 anos. Fui o especialista mais novo do Mundo durante muitos anos. Depois foi bola de neve”.
O “puto de Portugal” escapou ileso às avalanchas. Às viagens perdeu-lhes o conto. A narrativa das aventuras, longa, escrevinha-se em muitos idiomas. Nos anos 80, quando um ministro alemão vem passar férias ao sul do país prepara o solo quinze dias antes. Planta dois ‘hippies’ na praia a patrulhar a orla marítima, agentes zelosos do figurino da barba longa e calça rota. A sapiência popular dos recursos humanos locais compõe o quadro vivo. “Tinha uma velhinha muito simpática que trabalhava comigo. Lá ia apanhar o seu sol para o aldeamento”.
Casos de crianças desaparecidas são mais que as mães. Mas o mais mediático dos últimos tempos, acompanhou-o como o comum dos mortais: pelo ecrã. “Teria gostado de estar ligado ao caso da Maddie, mas desde o princípio”. Esse, talvez fosse caso para o companheiro do caro Watson.
Os cânones da ficção policial são passados à lupa. “A personagem do Sherlock Holmes também sempre me fascinou, é um coca-bichinhos, repara nos pormenores”. Na última passagem de ano, entre amigos, revelou outra faceta privada, o humor, e mascarou-se de Hercule Poirot, perito em charadas. Para uma delas, histórica e suspensa na parede do escritório, (ainda) não há solução. A réplica de Mona Lisa guarda um sorriso tão misterioso quanto o original. É impossível não reparar. “Não está aqui por acaso. Gosto de enigmas. E quanto mais complicados, melhor!”
" NÃO FAZ SENTIDO QUE EM RELAÇÃO À SEGURANÇA AS COISAS DEMOREM TANTO TEMPO"
- Em entrevista recente manifestou a preocupação quanto a possíveis atentados terroristas. Portugal foi situado entre quatro alvos possíveis de terrorismo. Ninguém está imune?
- Não podemos estar imunes, não vivemos sozinhos. Não há nenhum país que possa dizer que está imune. O terrorismo não começou com o 11 de Setembro. Sabemos que os árabes ocuparam a península até ao reinado de D. Afonso II, III. Alguém expulsámos dessas áreas. As ameaças que o próprio Bin Laden faz, até através das cassetes que lhe atribuíram, têm como uma das reivindicações, dentro do terrorismo islâmico, reconquistar as antigas possessões que entendem que roubámos. Aí estamos perfeitamente enquadrados. E sabemos que cada vez estão a infiltrar mais gente.
- A forma de actuar também evoluiu.
- Quando comecei até na Al Qaeda havia uma hierarquia. Com a invasão do Afeganistão pelos americanos as coisas modificaram-se. Passou para uma estrutura de células, e agora mais recentemente as nebulosas, pessoas que se agrupam em torno de determinados ideais, que aparecem e desaparecem como um nevoeiro, não seguindo a hierarquia.
- Que prevenção é possível fazer?
- Temos serviços especializados do Estado para a prevenção do terrorismo e esses sabem o que têm que fazer. O cidadão comum deve, se detecta algo de anormal, comunicar às autoridades. Não podemos é desleixar certo tipo de coisas. Uma coisa é fazer as coisas certas, outra é fazê-las muito lentamente. Nas fronteiras marítimas está a haver muita inércia. É um processo que se está a arrastar desde 2004. Não faz sentido que em relação à segurança as coisas demorem tanto tempo.
DAS TENTATIVAS DE ASSASSINATO AO VIDRO PROTECTOR DO PAPAMÓVEL
O ATENTADO DE 13 DE MAIO NA PRAÇA DO VATICANO
A 13 de Maio de 1981, João Paulo II é alvejado a tiro e ferido com gravidade pelo turco Mehmet Ali Agca quando entrava na Praça de S. Pedro. Quatro balas atingiram o Papa; duas delas perfuraram-lhe o intestino e as outras a mão esquerda e o braço direito. A viatura utilizada, desde o pontificado de João Paulo II, era apenas um carro especial para transporte do Sumo Pontífice.
UM ANO DEPOIS, NOVO ATENTADO
A 12 de Maio de 82, em Fátima, o antigo padre espanhol Juan María Fernández y Krohn tenta apunhalá-lo.
O ENCONTRO NA PRISÃO ENTRE JOÃO PAULO II E O SEU CARRASCO
A 28 de Dezembro de 1983, o Papa encontra-se na prisão com Ali Agca. O turco passou quase duas décadas preso em Itália, na sequência da tentativa de assassinato. Em 2000, foi extraditado para a Turquia. Em Janeiro de 2006 foi libertado e de novo detido, alegadamente devido a um erro na interpretação da lei de amnistia de 2002.
A VERSÃO PROTECTORA DO PAPAMÓVEL
Os papamóveis, habitualmente fabricados a partir de viaturas da Mercedes, Land Rover e outras marcas, passaram a ser totalmente cobertos com vidros à prova de bala. Em alguns modelos, o Papa viaja sentado numa cadeira semelhante a um trono. Em outros permanece em pé. Há ainda versões com reforços à prova de bomba.
NUM OITAVO ANDAR DISCRETO EM LISBOA
Evita rotinas. Muda de carro com regularidade. Anda de transportes para se confundir com a turba - e percepcioná-la. Adora desportos radicais - mesmo que custem valentes lesões, como o pulso partido. Fez ciclismo e atletismo. Gosta de ópera mas não se faz rogado no karaoke. A jardinagem ajuda-o a combater o stress. Estuda. Muito. Sempre. Da antropologia aos primeiros-socorros. E não falta às aulas na universidade onde decorre o mestrado. O curriculum já vai em 17 páginas. Aos 12 anos ganhou o primeiro dinheiro a fazer investigações. Hoje está entre os melhores do Mundo. João Gabriel Rucha Pereira é o fundador e administrador da Detectives Ruper - Serviços Internacionais de Investigação e Informação, agência com portas abertas desde 1971. O discreto 8º andar de um prédio junto à Praça de Espanha, em Lisboa, é um dos pontos do trabalho, orientado para a Investigação Privada e Consultadoria Geral de Segurança no Campo da Prevenção de Riscos, Mediação de Conflitos, Advocacia, Apoio Jurídico e Psicológico.
PERFIL
Nascido em Alenquer, em 1948, João Rucha Pereira veio aos nove anos para Lisboa com a família. Descende de uma doméstica e de um industrial, tem uma irmã e é casado com uma advogada. No curriculum, acumula cursos e pós-graduações. Mestrando em Psicologia Criminal e do Comportamento Desviante, é licenciado em Criminologia, pós-graduado em Ciências Criminais, pós-graduado em Mediação e Justiça Restaurativa, e membro e co-presidente, desde 80, do maior organismo de Consultores de Criminologia e Segurança, a nível mundial. Em breve espera abrir as portas do seu centro de formação em segurança para forças especializadas.
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