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Paula Araújo Silva: Dura nos combates

A diretora-geral do Património Cultural ponderou demitir-se depois do polémico jantar no Panteão Nacional. Frontal, tem facilidade em fazer inimigos e não teme quem lhe faz frente.
Marta Martins Silva 19 de Novembro de 2017 às 14:05

Paula Araújo Pereira da Silva quis demitir-se depois do polémico jantar no Panteão Nacional. A diretora-geral do Património Cultural "falou com o círculo de amigos sobre essa vontade, mas foi aconselhada a não o fazer. Ela não está lá por nomeação política, ela concorreu e por isso não tem de se demitir. Foi isso que lhe dissemos", conta fonte próxima da arquiteta de 61 anos, que, e apesar do descrito, habituou os que a conhecem a não se deixar abater pelas dificuldades nem ceder às incertezas. "É combativa e frontal. Em 2010, quando era diretora regional da Cultura do Norte, fez bandeira da demolição das esplanadas da Parada Leitão, no Porto [uma delas a do mítico café Piolho] e por vontade dela tinham sido demolidas naquele dia. De tal forma que fez queixa no Ministério Público contra o vereador do Urbanismo da câmara", recorda António Fonseca, que à data era presidente da Associação de Bares e Zona Histórica do Porto e estava, por isso, do outro lado da barricada.

"Ela punha as autarquias na linha, às vezes os autarcas tinham os seus interesses e ela dizia: ‘Isso não vamos fazer e o senhor é que vai pagar.’ Sempre houve pressões para a afastar do cargo, geralmente pessoas ligadas à estrutura dos partidos... de todos os partidos. Não é uma pessoa fácil mas eu gosto de pessoas que não são fáceis. Eu percebi que ela tinha uma secreta capacidade para fazer inimigos e isso era muito bom", conta com graça Francisco José Viegas, que se cruzou com Paula Silva quando era secretário de Estado da Cultura. "Graças a ela, o património do Norte ganhou uma dimensão que nunca poderia ter tido. Uma coisa que fizemos os dois foi a recuperação da Basílica do Santo Cristo de Outeiro, que era uma igreja e que o Vaticano determinou que fosse basílica; e isso deve-se a ela. O Mosteiro de Santa Maria de Salzedas também foi recuperado graças à sua capacidade de se impor. Umas pessoas acham que é ditadora, outras que coordena bem", continua Viegas sobre a diretora que se licenciou em Arquitetura na Escola Superior de Belas Artes do Porto, na altura em que o seu pai, o pintor Amândio Silva, era lá professor, e fez mestrado em Arqueologia na Universidade do Minho, Braga.

Tertúlias à mesa

"Sempre se moveu no serviço público. As dificuldades motivam-na", resume Elísio Summavielle, presidente do Centro Cultural de Belém, que a conhece há quase 30 anos. O cargo que ocupa desde janeiro de 2016 obrigou-a a mudar para Lisboa durante a semana (recebe um subsídio de residência de 600 euros) e no Porto deixou o marido, Adalberto Dias (um arquiteto reputado), e o filho, arquiteto como os pais. Na capital sente falta das tertúlias com a ‘nata’ da arquitetura nacional, Siza Vieira (seu professor) e Souto Moura (seu colega), que volta não volta reunia à volta da mesa... com petiscos por ela cozinhados na casa desenhada pelo marido.

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