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Prima portuguesa dos Grimaldi

Diana de Polignac Nigra é a madrinha de Jacques, filho de Alberto II do Mónaco que lhe sucederá.
Leonardo Ralha 17 de Maio de 2015 às 12:30
A portuguesa Diana de Polignac fotografada no batizado dos gémeos Grimaldi
A portuguesa Diana de Polignac fotografada no batizado dos gémeos Grimaldi FOTO: Reuters

A greve dos pilotos da TAP só não teve efeitos negativos no batizado dos novos príncipes do Mónaco, Jacques e Gabriella, porque uma das madrinhas preferiu prevenir a remediar. Em vez de arriscar o voo Lisboa-Nice que a deixaria a poucos quilómetros do principado, mas poderia ser um dos 900 que foram cancelados ao longo dos dez dias de protesto, Diana de Polignac de Barros Nigra optou por viajar com a Swiss até Genebra, pelo que no domingo passado a portuguesa, de 35 anos, pôde estar ao lado dos pais das crianças na Catedral de São Nicolau, aguçando a curiosidade da imprensa internacional ao ponto de o site da revista ‘Paris Match’ ter publicado o seu perfil.

A escolha para madrinha de batismo de Jacques, um dos filhos gémeos de Alberto II do Mónaco e da ex-nadadora olímpica sul-africana Charlene Wittstock – e que é o primeiro na linha de sucessão ao trono (ver caixa) –, terá sido uma surpresa para a própria, ao que a ‘Domingo’ apurou, mas só foi insólita para quem não tem o hábito de consultar árvores genealógicas. Nascida em Roma, mas há muito residente em Portugal, onde se licenciou e trabalha, Diana é prima de Alberto II, pois é neta de uma sobrinha do avô paterno do atual monarca monegasco.

Pierre de Polignac, nascido em 1895 e falecido em 1964, era um nobre francês que se casou com a herdeira do trono do Mónaco, abdicando de todos os títulos no país natal para se tornar Pierre Grimaldi. O filho, Rainier III viria a casar com Grace Kelly, a mais emblemática loura dos filmes de Alfred Hitchcock e alteraria a economia do pequeno país mediterrânico, até então quase inteiramente dependente das receitas dos casinos. Já a sobrinha de Pierre, Thérèse-Henriette de Polignac casou com o português Pedro de Assis Mascarenhas de Barros, numa cerimónia que decorreu em Paris, em 1948.

Teve cinco filhos e, depois de enviuvar ao fim de apenas 17 anos de casamento, foi a matriarca da família até morrer, no ano passado, já com 98 anos.


Filha mais nova do casal, Diana Isabel Polignac Mascarenhas de Barros, nascida há 60 anos no palacete da família no bairro lisboeta de Alcântara, casou-se, por sua vez, com Carlo Augusto Nigra, um conde italiano que visitava frequentemente Portugal. Foi uma cerimónia marcante na Lisboa pós-revolucionária de 1977, contando com a presença, na Igreja da Madre Deus e no Palácio Polignac, na rua da Junqueira, de convidados tão sonantes quanto a princesa Carolina do Mónaco, filha mais velha de Rainier III.


Diana de Polignac de Barros Nigra, filha mais velha do casal, nasceu três anos depois, em Roma, tendo ficado em Itália até aos dez anos. Com dupla nacionalidade, não é de espantar que o italiano seja, tal como o português, uma das cinco línguas em que é fluente. As restantes são o inglês, o castelhano e o francês, aperfeiçoado ao longo da década de estudos no Liceu Francês Charles Lepierre, em Lisboa, escolha natural para a neta de uma princesa francesa, cujo final da adolescência foi marcado pela morte do pai. Carlo Augusto Nigra morreu em 1998, vítima de ataque cardíaco, com apenas 43 anos.

DA PT AOS CAVALOS

Terminada a licenciatura em Comunicação Social e Cultural, na Universidade Católica Portuguesa, Diana foi estagiar para a Portugal Telecom em 2004, fixando-se como gestora de projetos na Direção de Imagem Corporativa. Quem com ela trabalhou nesses tempos recorda-a como uma jovem de "extremo valor", mas também capaz de "ajudar os colegas a carregar caixotes numa apresentação", sendo improvável que estes desconfiassem que títulos nobiliárquicos – em boa verdade, o conde de Negri é o seu irmão Federico, seis anos mais novo – e palácios fizessem parte da sua vida, e muito menos que fosse prima de uma família real europeia.

Grande parte dos 11 anos passados a trabalhar na então poderosa holding de telecomunicações portuguesa foram passados na Direção de Comunicação e Imagem Corporativa, mas Diana também se dedicou à Vivo, o que a levou a passar seis meses na cidade brasileira de São Paulo, e mais tarde ao Sapo e à recém-criada Meo.


Entre o início de 2007 e o final de 2010, fez o mestrado em Ciências da Comunicação na Universidade Católica, defendendo a tese ‘Televisão e Obesidade Infantil’, que terá sido inspirada nos problemas de um jovem familiar. Mais tarde fez uma pós-graduação em Liderança pela Universidade de Navarra, em Espanha, e outra em Media Sociais, novamente na Universidade Católica.


Afastada do ramo das telecomunicações, dedica-se à Agroveritas, a empresa que fundou em julho de 2009, apostando nos ramos da agropecuária e do turismo rural, aproveitando a quinta da sua família no concelho da Azambuja. A madrinha do futuro príncipe do Mónaco prepara-se agora para arrancar com a vertente de turismo rural nessa propriedade, mas por enquanto dedica-se sobretudo a atividades ligadas aos cavalos.


Diana de Polignac de Barros Nigra não só é praticante de equitação como participa em concursos hípicos de obstáculos – outros desportos favoritos são o esqui aquático e  o esqui alpino –, o que a motivou a criar um lar para cavalos que tenham acabado a vida desportiva e para a recuperação de cavalos lesionados.


Estando agora ligada para sempre a um rapaz que nasceu para reinar, já garantiu que ser a madrinha de um futuro monarca – o padrinho é Christopher Le Vine Jr., sobrinho de Grace Kelly – é uma responsabilidade tão grande quanto a de ser madrinha de outra criança qualquer. Deverão, no entanto, tornar-se mais frequentes as visitas aos primos Grimaldi. Para já, foi condecorada oficial da Ordem de Saint-Charles por Alberto II.
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