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Pronto a prosseguir missão

Ainda não é a ‘bonança’, mas o pior da ‘tempestade’ já passou. Regressámos sãos e salvos a bom porto
Comando NRP Sagres 10 de Maio de 2020 às 06:00

Começámos a contagem decrescente. Esta fase, que só nos iria surgir daqui a nove meses quando, por fim, após completar um ano de missão, estivéssemos a regressar a casa, veio mais cedo. Estamos de volta, um retorno antecipado, imprevisível, mas, enfim, conformado.

Sabemos que este regresso terá um ‘sabor’ diferente. Comparado com outros, em que o NRP Sagres entrou pelo rio Tejo rodeado de dezenas de outros veleiros e pequenas embarcações que, colorindo o rio, enriqueciam o momento e enchiam a sua guarnição, ainda mais, de orgulho e felicidade por pertencer a este navio e por estar a concluir mais uma missão de representação de Portugal e da Marinha Portuguesa pelo mundo com sucesso.

Desta vez, será uma entrada pelo rio Tejo modesta. Também a chegada ao cais será diferente, marcada pela falta dos beijos, dos abraços, dos cartazes engraçados, dos sorrisos e dos choros de alegria. Os abraços serão dados à única pessoa que terá autorização para nos ir buscar, e sem sair do carro. Porque a situação atual assim o exige, e bem.  

Serão muitos os aspetos desta ‘nova realidade’ aos quais nós, que largámos de Lisboa no dia 5 de janeiro, que nos afastámos da Europa e navegámos pelo Oceano Atlântico durante os últimos quatro meses, e depois de passar um período de mais de 65 dias sem sair do navio, nos teremos de habituar de um dia para o outro.  

Até agora, apesar das muitas restrições a que estivemos expostos, pudemos reunir, conviver, conversar, dar apertos de mão e até, curiosamente, manter a barbearia aberta, sem receios. Estamos todos bem e, como aplicámos as medidas de proteção recomendadas e cumprimos com os períodos de quarentena, pudemos assegurar a tranquilidade a bordo.

Por isso, até chegarmos vamos aproveitar estes últimos dias de ‘tranquilidade’ antes de encararmos este novo estado em que o Mundo se encontra. Depois da tempestade, vem a bonança. Não vamos chegar na fase da ‘bonança’, mas o pior da ‘tempestade’ já passou. O que está para vir dependerá do comportamento de todos nós e da seriedade com que encararmos as indicações e recomendações dadas.

Mesmo que não possamos abraçar todos os familiares e amigos no cais, no momento da chegada, saberão que regressámos sãos e salvos a Bom Porto. Descansaremos e manteremos o NRP Sagres pronto a prosseguir missão quando assim for possível.

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