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Quatro dias à volta das cartas

O torneio de poquér Unibet Open juntou em tróia 242 jogadores de toda a europa. Venceu um russo
16 de Junho de 2013 às 15:00
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Póquer, Unibet Open, Troia, torneio, poker FOTO: Filipa Couto

O holandês Egi Adriaans chegou a Troia com uma promessa para cumprir. Cometeu a imprudência de revelar no Facebook que tinha comprado um fato de burro, a mascote do site de apostas Unibet. Rapidamente se criou uma campanha de likes na rede social para o obrigar a usar a invulgar indumentária no torneio e Egi lá apareceu vestido de asno. "Posso não ganhar, mas todos vão dizer que eu sou o burro do torneio", contou à Domingo este empresário que vive na Bélgica e faz do poquér um hobby que leva muito a sério. "Até na minha lua de mel participei num torneio. Estas competições são uma boa desculpa para viajar e conhecer outros países", conta o jogador que há seis anos se dedica ao póquer na versão de jogos on-line.

O fato não lhe deu sorte. Egi ficou-se pelo primeiro dia da prova e saiu de Troia de mãos a abanar. Mas pelo menos não teve de pagar os 1650 euros (1500 de buy in e 150 para o pote de prémios) que custavam o acesso ao Unibet Open, com direito a hotel e jantar, ao longo dos quatro dias de competição. Tal como grande parte dos 242 jogadores que disputaram a prova, Egi ganhou o lugar em Troia num torneio satélite, em que eliminou 20 jogadores para ganhar o acesso.

Portugueses em força

O torneio atraiu jogadores de toda a Europa, com muitos nórdicos a fazerem-se notar pelo tom de pele e cabelo, mas foram muitos os portugueses que vieram à península em frente a Setúbal para tentar a sua sorte. António Matias, empresário de 58 anos, vive entre Portugal e Angola por causa da empresa de equipamentos de refrigeração. Mas é conhecido entre a comunidade de jogadores por ser o português que ganhou o maior prémio atribuído a um jogador nacional – em 2009 venceu uma etapa do European póquer Tour em Vilamoura e levou para casa 400 mil euros. Mas diz que não foi suficiente para se dedicar ao póquer como atividade principal, como fazem outros jogadores portugueses. "Para mim o póquer é um divertimento. Já fiz vários torneios, em Londres, Bahamas (onde ganhou 18 mil dólares), Mónaco, Berlim e Uruguai. Aproveito para levar a minha mulher e conhecer os jogadores."

Ao contrário da esmagadora maioria dos jogadores, António Matias não joga póquer na internet. "Não tenho tempo", justifica. O que não é o caso dos amigos Nuno Ascensão e Pedro Ferro, ambos de 23 anos, que dizem fazer do póquer a sua profissão. "Jogo on-line há cerca de quatro anos e faço vida disto. Consegue-se tirar bom rendimento mas é preciso passar muitas horas a jogar – às vezes 10 horas por dia – em várias mesas em simultâneo", conta Pedro Ferro. Miguel Nascimento, de 33 anos, joga futsal no Sporting de Braga, depois de já ter passado pelo Benfica. Agora que se aproxima o final da carreira desportiva, aposta tudo no póquer. "É a jogar on-line que tiro o sustento dos meus filhos. Venho a este torneio para me divertir", conta num dos intervalos das longas sessões de jogo, que decorreram no Casino de Troia. Por ali também passou outra vedeta do futsal, Ricardinho, o consagrado jogador do Benfica e da seleção nacional da modalidade.

Ambiente descontraído

Apesar de haver muito dinheiro em jogo (foram distribuídos 360 mil euros pelos 36 melhores jogadores) o ambiente na sala de jogos é descontraído. Uffe Holm, comediante dinamarquês explica porquê: "Vim a Troia com a minha família. Eles estão na piscina enquanto eu estou a jogar. Claro que venho com o objetivo de ganhar algum dinheiro, mas se não acontecer aproveita-se para passar um fim de semana fora do normal". Nuno Sala, manager da Unibet em Portugal, explica que a organização "está sempre à procura de novos destinos para fazer os seus torneios, para não cair em rotinas. Vêm jogadores de muitos países, sobretudo da Holanda ou da Polónia. Os jogadores conhecem-se, cria-se um bom ambiente, a parte social é importante". O responsável do site de apostas traça um perfil do jogador típico: "É jovem, altamente inteligente e tem estudos. para se jogar bem é preciso ter a capacidade de avaliar as probabilidades de a jogada ser bem sucedida. O típico fanfarrão que aposte tudo no bluff é eliminado rapidamente", explica

Mulheres em minoria

Assunção Nascimento, de 38 anos, é uma das raras exceções femininas num universo em que os homens continuam a dominar. "Comecei a jogar póquer com amigos e percebi que tinha jeito. Não jogo on-line, comecei a participar nestes torneios por diversão. Já ganhei um prémio, mas nada de especial". A empresária diz que não há mais mulheres a jogar "porque a presença delas ainda é malvista nos casinos, mas as coisas estão a mudar". Até porque "derrotar um homem é uma excelente sensação. Sandra Herikson, de 27 anos, veio da Dinamarca com o namorado. "Ele joga muito melhor do que eu", avisa a educadora de infância, que vive em Copenhaga. Joga por divertimento: "nunca ganhei um prémio que me fizesse pensar em fazer do póquer a minha profissão".

Ao fim de quatro dias de competição, a final disputou-se no domingo com nove jogadores. Entre eles estava o português Fernando Rocha, que terminou o torneio em 9º lugar e levou para casa pouco mais de 8 mil euros. Entre os 36 jogadores que tiveram acesso aos 363 mil euros de prémios, sete eram jogadores portugueses. A Unibet, que organizou pela segunda vez um torneio em Portugal, promete que há de regressar.

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