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Teresa Leal Coelho: A grande amiga

Embora omita o Benfica do currículo, Teresa ainda testemunhou por Vale e Azevedo. Agora dá a mão a Passos Coelho
Miriam Assor 26 de Março de 2017 às 15:00
Teresa Leal Coelho
Teresa Leal Coelho FOTO: Miguel Ganhão

O apelido faz justiça a uma característica. Teresa Andrade Leal Coelho é leal. O que interessa é que chegue ao local pretendido. Perdoai-nos, avança um amigo, mas é vingativa; não esquece uma, no caso de ser atraiçoada. Não se preocupa com a possibilidade de ter inimigos. Na hipótese de embirrar com alguém, é capaz de uma frieza suprema. Determinada, ambiciosa, usa a intriga para subir a escadaria do poder. A assessoria de uma vereação não poupa a senhora. A seguir, salva-a afirmando que, não obstante ter faltado a 91 das 153 sessões da Câmara de Lisboa, é uma trabalhadora incansável. Uma amiga esboça o inesperado: humor e graça sobram-lhe. Combativa e frontal desde a juventude.

Natural de Moçambique, na época o pai, oficial da Marinha, estava em serviço, e no ano seguinte ao nascimento, em 1962, estaria no Comando da Defesa Marítima do Porto de Inhambane. Tem um filho, Vasco, uma irmã, uma casa no Lumiar, em Lisboa, jogou vólei e chegou até a ser federada.

VOO LENTO
A ascensão partidária não aconteceu tão rápido como parece. Se contarmos as negas que, entre outros, recebeu de Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso ou Marques Mendes, o voo, afinal, tem pouca velocidade. Teresa Leal Coelho aproximava-se do PSD e, no que toca a cargos, tocava nada. Quem faz tais revelações é um antigo ministro laranja, que ainda não sorri quando confrontado com um facto que a própria candidata à corrida autárquica a Lisboa omite no CV: a sua passagem pelo Benfica durante a regência de João Vale e Azevedo, na directoria dos recursos humanos, e, aquando a formação da SAD, na administração com o pelouro do contencioso.

Perdidas as eleições do presidente com ligações ao PSD, a jurista da Universidade Livre haveria de ser demitida por Manuel Vilarinho: "Ela (Teresa Leal Coelho) fazia parte da equipa do outro (Vale e Azevedo) que estava preso!". Meia hora seria o suficiente para dizer-lhe que estava dispensada numa "conversa educada". Encontraremos, depois, a actual esposa do embaixador de Portugal em Madrid como testemunha abonatória que assegura em tribunal que Vale e Azevedo, preso preventivamente, não queria fugir de Portugal.

Na presidência de Fraústo da Silva, responsabilizara-se pela área comercial do Centro Cultural de Belém (CCB), a acusação, adiante, acabaria forte: "Abuso de funções e utilização abusiva do nome da instituição". Despedida, duas vezes, Teresa aguenta. E sabe esperar. O amigo Passos Coelho deu-lhe o que tanto gosta: protagonismo; vice-presidência e a cadeira de deputado. Por outro lado, diz um deputado do PSD: "Teresa Leal Coelho mostrou-lhe muita amizade. Nem queira saber quantos nãos Passos Coelho ouviu". Dois. Ou três, se contarmos com aquele que era o candidato óbvio e não foi porque não quis ser.

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