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Vieira da Silva: Na escola era o Fonseca

A professora ainda está perplexa com o “aluno apagado” que chegou a ministro e tem agora nas mãos a TSU.
Miriam Assor 29 de Janeiro de 2017 às 15:00
FOTO: Miguel Ganhão

Na escola em Alcanena, Santarém, Vieira da Silva era conhecido pelo Fonseca. Quanto à opção de vida escolhida pelo antigo aprendiz, a professora de Biologia, Cecília Ramilo, resume a razão da surpresa: "Um excelente aluno, mas um pouco apagado." Tinha, e tem, os olhos acesos para a leitura. Gosta tanto de ler que já partiu dois pares de óculos. Adormece e as lentes finam-se no chão. Na política, o sono nunca lhe chega; os pés pisam piso sólido. Com José Sócrates chegou duas vezes a ministro. E, como não há duas sem três, voltou ao patamar governamental para administrar uma pasta repetente e que lhe é querida: Trabalho e da Solidariedade Social.

Diz-se que o responsável pela vinda de José António da Fonseca Vieira da Silva para a política é Eduardo Ferro Rodrigues. Aproximaram-se na Universidade e a amizade consolidou-se a seguir aos Cravos de Abril de 1974, na edificação do Movimento de Esquerda Socialista (MES). Por lá viu futuros camaradas do PS: José Lemos, Alberto Martins, Jorge Sampaio. E outros rostos, como Catalina Pestana, ex-provedora da Casa Pia. E David Justino, que guinou para a social-democracia.

NA VEZ DE PEDROSO
A estreia política do sportinguista nascido a 14 de Fevereiro de 1953, na Marinha Grande, deu-se na república do benfiquista António Guterres, no dia em que o amigo Ferro Rodrigues o chamou para ser Secretário de Estado a Segurança Social (1999-2001) e das Obras Públicas (2001-2002). Já o pântano andava por um fio, e a ponte Entre-os-Rios quebrada em cemitério. Vieira da Silva precisou de visitar duzentas pontes. O Douro manchado de morte chocou-o. No último ano que Ferro chefiou a bancada parlamentar do PS, e com a prisão de Paulo Pedroso, a prima-dona deste perfil recebeu a vice-presidência do grupo e passou a porta-voz do partido.

Um histórico socialista arrisca dizer: "Se Paulo Pedroso não tivesse ido para a cadeia, ninguém ouviria falar de Vieira da Silva". Tutelou o processo da Casa Pia e defendeu que Catalina não fosse substituída.

Discute com ênfase. Talvez por isso aprecie Simone de Oliveira.

A propósito da Taxa Social Única (TSU), a discussão pia fininho. A descida da TSU para as empresas não teve o ámen do PCP e Bloco de Esquerda. Haverá alternativa, mas tal aborrece o ministro.

José Pedro Pinto faz assessoria no gabinete do Presidente da Assembleia da República, outrora serviu de assessor a Vieira da Silva, esculpe-o disciplinado ao ponto de fumar, há 40 anos, dois cigarros por dia. O único vício é o ténis. A voz do descendente de um fundidor não serve apenas para ser ouvida no Parlamento. Defende a ‘Terça-feira’ de Sérgio Godinho e cita o cantor com frequência. A filha, Mariana, sua colega de governo, braço direito e esquerdo de António Costa, seguiu as pisadas musicais do pai. Mas é Miguel, o filho, que dá aulas de guitarra.
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