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Correio da Manhã

Domingo
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Uma eleição local

Para o domingo de autárquicas concentrei-me na análise do mais pequeno dos poderes em Portugal
8 de Outubro de 2017 às 16:43

Por Maria Filomena Mónica
Durante anos, as juntas de freguesias eram um balcão onde, com o fito de obter um atestado, uma pessoa se dirigia com um formulário na mão
, no qual dois comerciantes do bairro apunham um carimbo. Nunca me dei ao trabalho de meditar sobre os objectivos desta instituição. Até que, em 2001, me desloquei à junta de freguesia da Lapa (Lisboa), a fim de doar uns brinquedos.
Tendo notado que em minha casa existia um armário com objectos a que as minhas netas já não ligavam, decidi oferecer o espólio ao infantário local. Expliquei ao que ia. Que não, a junta não recebia brinquedos para pobres. Respondi que ou aceitavam os brinquedos ou os deitaria no primeiro caixote do lixo. A ameaça foi em vão. Passaram-se anos, até que, em 2007, de novo fui à junta. Fazia ginástica num edifício que, em 2004, passou a ser gerido pela junta. Se tudo funcionava mal, pior ficou.

As propostas

Eis que hoje, dia em que escrevo, fui chamada a votar. Concentrei--me na análise das propostas para o mais local dos poderes, a junta de freguesia. Dias antes, recebera em casa dois opúsculos, um do PSD e outro do PS. O primeiro: "Reflexão dos 4 anos: Uma Junta a Pensar na Família". Esta última palavra, se escrita com maiúscula, causa-me arrepios, especialmente quando me deparo com velhotes que tentam andar nos passeios esburacados. A minha cidade é linda, mas os homens estragaram-na. Sim, Lord Byron tinha razão.
Olhando a cara do candidato, Luís Newton, reparo que se trata de um daqueles três amigos que viajaram até à China a convite da Huawei. Tal como Sérgio Azevedo (o deputado do PSD com quem viajou), pensará que viajar pago por uma empresa privada é uma dádiva que nada tem a ver com os cargos que exercem. Não entendo o desplante de pedir o voto.
O opúsculo do PS tinha sobretudo fotos dos candidatos. A lista das acções proposta por Sofia Cordeiro, candidata a Presidente da Junta: "Vamos trabalhar por uma Estrela progressista, assente no de-senvolvimento social e cultural, na igualdade de oportunidades, na sustentabilidade, sempre com a qualidade de vida dos fregueses como objectivo prioritário". Como é óbvio, isto fora escrito por alguém sem cérebro.

LIVRO
HISTÓRIA DA EUROPA COM INVULGAR JUSTEZA

Tony Judt tem rivais, mas, pela sua cultura, pela clareza da prosa, vence-os a todos. Num momento em que se discute a Europa, nada mais urgente do que ler esta obra. Para meu espanto, apresenta-nos Salazar com invulgar justeza, ou seja, como estando mais perto de Ceausescu do que de Hitler ou Musssolini.

INDÚSTRIA
UMA GRANDE PROEZA DA NOSSA TERRINHA

Nem sempre os portugueses têm conhecimento das proezas da terrinha. O sector metalúrgico e metalomecânico – 15 000 empresas – emprega 200 000. Em 2016, exportou 14 596 milhões de euros. E se mais não produz é porque não arranja gente qualificada. É por aqui que se deve começar, não por cursos com nomes vácuos.

EDUCAÇÃO
UM LICEU EXEMPLAR QUE FICOU FORA DA FESTA

As minhas duas netas frequentaram este liceu e guardam boas memórias. Em 2003, uma festa não pôde angariar o dinheiro que chegasse às obras necessárias. A instituição não participara no Parque Escolar, aquela ‘festa’ organizada por Maria de Lurdes Rodrigues que, nalguns casos, redundou em luxo inútil.

Texto escrito na antiga ortografia

Maria Filomena Mónica PS Lapa Sofia Cordeiro
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