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Investigação: Saúde à medida do utente e réplicas de órgãos em 3D

Edição de genoma humano e aposta na inteligência artificial lançam desafios éticos.
Manuel Jorge Bento 19 de Março de 2020 às 01:30
Investigação: Saúde à medida do utente e réplicas de órgãos em 3D
Investigação: Saúde à medida do utente e réplicas de órgãos em 3D FOTO: Getty Images

Joana Caldeira indica que há três áreas de investigação científica que deverão atingir os maiores avanços na próxima década: a Medicina Regenerativa, a Oncobiologia e a Microbiologia. Para esta investigadora do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), no Porto, o caminho está apontado para a "personalização da medicina", com "tratamentos à medida do paciente". Mas há muito mais!

"A sequenciação do genoma cada vez mais rápida e barata permitirá perceber as questões hereditárias, o que, associado ao ‘boom’ tecnológico de edição do genoma, será uma ferramenta essencial para corrigir erros do genoma associados a cancros e betatalassemias [doenças do sangue]", referiu.

Outro dos desafios da investigação passa pela "vanguarda da inteligência artificial", que poderá trazer uma grande ajuda à Saúde, através das bioinformáticas, com o uso de biomateriais novos. "Já se começa a pensar em implantar organoides 3D - ou seja, réplicas de órgãos criadas em laboratório, à medida do paciente -, em caso de falência dos órgãos", indicou Joana Caldeira. Já na microbiologia, "os microbiomas (micro-organismos que residem nos tecidos e fluidos) serão associados a comportamentos e doenças, depressão, inflamação e dor".

Os avanços trazem um desafio específico: "A ética vai ter uma grande evolução, e com grande importância, na criação de códigos de conduta em áreas como o acesso a dados ou a edição do genoma."

E será que a ciência consegue desenvolver-se em Portugal? "O financiamento público estagnou há vários anos e é difícil, sem ele, continuarmos na crista da onda. Outro problema é não haver carreira de investigação, nem previsibilidade do financiamento", diz a investigadora premiada. 

PERFIL 
Joana Caldeira Nasceu no Porto, tem 37 anos, foi aluna de Microbiologia na Universidade Católica, fez o doutoramento em Biomedicina e entrou no i3S através do Instituto de Engenharia Biomédica. Conquistou uma Medalha de Honra L’Oréal para as Mulheres na Ciência 2018.

DEPOIMENTOS
Carmo Silva, 44 anos, lojista, Lisboa
"O Correio da Manhã é um grande sucesso editorial. Sei bem o que digo, porque tive uma papelaria durante 12 anos e era o que mais vendia. São sempre os primeiros a dar as notícias. Como leitora leio as gordas, mas gosto da parte da investigação criminal – são temas que interessam a toda a gente."

Beatriz Roldão, 19 anos, estudante, Faro
"Os meus pais costumam comprar sempre o Correio da Manhã. Gosto muito de ler sobre a vida das celebridades, mas também sobre temas que criam polémica, porque são assuntos que nos interessam. Podiam apostar mais em temas relacionados com o futuro dos jovens, como o programa Erasmus."

Luís Guerreiro, 74 anos, reformado, Portimão
"Sou um leitor habitual do Correio da Manhã. Estou reformado e o jornal é sempre uma forma de estar a par do que se passa no País e no Mundo. Além das páginas do Algarve, leio sobretudo as que têm notícias de atualidade mas também me interesso muito pelas que dizem respeito a investigações."

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