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Mulheres de soldados ucranianos cercados na siderúrgica Azovstal em Mariupol pedem ajuda

Receio das esposas é que os maridos sejam torturados, ou até mortos, se os russos tomarem o local.
Correio da Manhã 30 de Abril de 2022 às 17:32
Yulya Fedosiuk, 29 anos e Kateryna Prokopenko, 27 anos
Mulheres de soldados ucranianos cercados na siderúrgica Azovstal em Mariupol pedem ajuda
Yulya Fedosiuk, 29 anos e Kateryna Prokopenko, 27 anos
Mulheres de soldados ucranianos cercados na siderúrgica Azovstal em Mariupol pedem ajuda
Yulya Fedosiuk, 29 anos e Kateryna Prokopenko, 27 anos
Mulheres de soldados ucranianos cercados na siderúrgica Azovstal em Mariupol pedem ajuda
Duas mulheres de militares ucranianos que estão a lutar na fábrica metalúrgica de Azovstal, em Mariupol, Ucrânia, apelaram para que a retirada de civis inclua também soldados. O receio das esposas é de que os maridos sejam torturados, ou até mortos, se os russos capturarem o local.

"As vidas dos soldados também são importantes. Não podemos falar apenas de civis", disse Yuliia Fedusiuk, de 29 anos, mulher de Arseniy Fedusiuk, membro do Regimento Azov, acrescentando que espera que se consiga salvar soldados, "não só mortos, não só feridos, mas todos eles".

Yuliia Fedusiuk, em conjunto com Kateryna Prokopenko, cujo marido, Denys Prokopenko, é o comandante do Regimento Azov, fizeram um apelo em Roma, na sexta-feira, para que fosse prestada assistência internacional de forma a retirar todos da fábrica Azovstal, o último local onde ainda resistem soldados ucranianos na cidade portuária.

Prokopenko, de 27 anos, apelou a que fosse feita uma operação marítima como a que aconteceu na Segunda Guerra Mundial, lançada para resgatar tropas britânicas cercadas por forças alemãs no norte de França.

"Podemos fazer uma operação de retirada que vai salvar os nossos soldados, os nossos civis, os nossos filhos", salientou a esposa do comandante do batalhão, denotando que é necessário "fazer agora mesmo, porque pessoas - a cada hora, a cada segundo - estão a morrer".

De acordo com as esposas, que mostraram algumas fotografias e vídeos que os maridos lhes foram enviando do que se está a passar no interior do local, há cerca de 600 soldados da fábrica metalúrgica de Azovstal feridos. Além disso, os maridos relataram que todos estão a comer papas de aveia, queijo e pão.

Para as esposas, a opinião é unânime - as tropas ucranianas nunca se vão render. "Não é uma opção para eles", destacaram.

"Não conhecemos nenhum soldado do Batalhão Azov que tenha vindo (de volta) vivo. Desde 2014 que são torturados e mortos por tropas russas", destacou Fedusiuk.

O Regimento Azov tem as suas raízes no Batalhão Azov, que foi formado em 2014, por ativistas de extrema-direita no início do conflito no leste entre separatistas apoiados pela Ucrânia e Rússia, e que tem suscitado críticas pelas suas tácticas.

Fedusiuk e Prokopenko estão agora a apelar por ajuda da Europa, dos Estados Unidos e de organizações internacionais de forma a que seja arranjada uma resolução diplomática para o impasse na fábrica metalúrgica. Assim, os seus maridos podem voltar para casa.

A Organização das Nações Unidas (ONU) revelou, esta semana, que o secretário-geral António Guterres e o Presidente russo Vladimir Putin concordaram em organizar retiradas de civis da fábrica em corredores humanitários da Cruz Vermelha durante a reunião em Moscovo, na Rússia, na quinta-feira. No entanto, as discussões disseram respeito apenas aos civis e não aos combatentes.
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