Barra Cofina

Correio da Manhã

Especiais
4

"Agrediu-me quando estava grávida": Ana Marques recorda sofrimento às mãos do companheiro

Companheiro da vítima foi condenado a uma pena de prisão de cinco anos e três meses.
Patrícia Lima Leitão 28 de Fevereiro de 2020 às 01:30
Ana Marques
Carla Tavares, Presidente da Câmara da Amadora
Ana Marques
Carla Tavares, Presidente da Câmara da Amadora
Ana Marques
Carla Tavares, Presidente da Câmara da Amadora
Ana Marques, de 57 anos, foi alvo de violentas agressões pelo companheiro ao longo de dois anos. O homem, que estava frequentemente sob efeito de álcool e drogas, chegou a atacar o filho bebé de ambos, de 17 meses, enquanto este estava ao colo da mãe. Atualmente, cumpre uma pena de prisão de cinco anos e três meses pelos crimes.

A violência intensificou-se quando passaram a morar juntos. "A primeira agressão deu-se depois de chegar a casa alcoolizado. Inicialmente pensei que teria a ver com o álcool e que seria passageiro. Posteriormente, engravidei e as situações foram-se repetindo comigo grávida. Agrediu-me e ao nosso filho bebé, que eu tinha ao colo", contou Ana, que dependia economicamente do agressor.

Num dos episódios, em 2015, o homem chegou a bater na mãe da companheira, que teve de receber tratamento hospitalar. Após três queixas na polícia, o caso chegou a tribunal. No mesmo ano, foi condenado a uma pena de prisão, que está quase a terminar.

Ana não tem medo e garante que lhe vai fazer frente, caso ele a continue a perseguir. Ainda assim, chegou a visitá-lo na prisão. "Enviou-me uma carta a dizer que ia mudar e eu queria dar o benefício da dúvida. Achamos que o álcool é o motivo da violência, mas não é. Temos de pensar em nós e de procurar logo ajuda. Se não estivesse grávida e não visse a minha mãe a ser agredida, não seria tão rápida a fazer as queixas", disse a vítima, que garante que o filho não quer ter qualquer contacto com o pai.

*Os casos relatados são acompanhados por Madalena Silva.*

NÚMERO
58% dos jovens que namoram ou já namoraram disseram ter sofrido pelo menos uma forma de violência por parte do companheiro, em 2019, num estudo da UMAR. Os valores são superiores aos de 2018.

DISCURSO DIRETO: Carla Tavares, Presidente da Câmara da Amadora

'Plano contra a violência'

CM – Que tipo de respostas tem a autarquia para lidar com a violência doméstica?
Carla Tavares –
A Câmara Municipal da Amadora tem em vigência o III Plano Municipal contra a Violência, que promove estratégias de resposta às várias áreas que estruturam a violência doméstica, nomeadamente a dinamização do Serviço de Atendimento Especializado a Vítimas de Violência, atividades de prevenção, investigação para o fenómeno e intervenção com agressores.
–A autarquia desenvolve trabalho em rede?
Numa lógica de concertação dos recursos existentes na cidade, os parceiros da comunidade colaboram na reflexão e concretização das atividades abrangidas no plano, procedendo-se para isso à dinamização de um observatório da violência, estando criada nesta área uma rede de intervenção.

Trabalho junto dos jovens
A autarquia realiza junto dos jovens nos agrupamentos escolares diversas atividades no âmbito da Comemoração do Dia da Não Violência Escolar e ações de formação/informação sobre temáticas como a Violência no Namoro.

CONSELHOS ÚTEIS 
Cursos de autodefesa
As aulas de autodefesa podem ajudar as vítimas a ganhar confiança. Lecionadas por profissionais, ensinam técnicas para reagir em caso de agressão, tentativa de violação, ou outra forma de violência. No Núcleo de Defesa Pessoal de Lisboa são apresentadas técnicas de controlo emocional em situações de stress.

Linha de apoio
Qualquer pessoa pode pedir ajuda através do número 800 202 148 - Serviço de Informação a Vítimas de Violência Doméstica. Pode também dirigir-se a um dos postos da GNR ou esquadras da PSP para saber como se proteger e libertar-se de um relacionamento violento.

CM RADAR: Plataforma interativa contabiliza casos e histórias 
Os casos mortais de violência doméstica registados no ano passado e os já identificados em 2020 fazem parte da estatística do CM Radar dedicado a este flagelo social e cujos dados são atualizados em tempo real.

O CM Radar é um projeto de jornalismo de dados e pode ser consultado em permanência no site do Correio da Manhã. É uma iniciativa inovadora concebida para consulta rápida e eficaz em todas as plataformas web e onde o leitor pode também denunciar casos que possa conhecer.
Ana Marques Carla Tavares Comemoração do Dia da Não Violência Escolar RADAR questões sociais maus-tratos
Ver comentários