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Morreu Medina Carreira, o advogado que sabia fazer contas

Alguns chamavam-lhe ‘Velho do Restelo’, mas foi ele quem disse, antes de todos os outros, que não podíamos gastar o que não tínhamos.
Miguel Alexandre Ganhão(miguelganhao@cmjornal.pt) 4 de Julho de 2017 às 01:30
Medina Carreira
Henrique de Medina Carreira
Medina Carreira
Medina Carreira
Medina Carreira
Medina Carreira
Henrique de Medina Carreira
Medina Carreira
Medina Carreira
Medina Carreira
Medina Carreira
Henrique de Medina Carreira
Medina Carreira
Medina Carreira
Medina Carreira
Chamavam-lhe o ‘Velho do Restelo’ da Economia, mas foi Medina Carreira quem disse, antes de todos os outros, que não podíamos gastar o que não tínhamos e que não podíamos viver daquilo que não produzíamos. O antigo ministro das Finanças dizia o que pensava e dizia-o com paixão. Daí os inúmeros convites das televisões para entrevistas ou programas em direto.

Henrique Medina Carreira nasceu em Bissau a 14 de janeiro de 1931 e, segundo as suas próprias palavras numa entrevista ao ‘Jornal de Negócios’, em outubro de 2009, aprendeu a ler e a escrever aos quatro anos sob a supervisão do pai, António Barbosa Carreira, historiador que lhe passou o gosto pela leitura, o respeito absoluto pela honestidade e o desprezo pelos medíocres. 


Formou-se em Direito, mas foi o facto de não conseguir acabar Economia que lhe deixou uma mágoa imensa. Daí vem a necessidade de conjugar sempre as duas áreas ao longo da vida.

Em 1973 já tinha consolidado a reputação como fiscalista. Ganhava 100 contos por mês (500 euros), uma fortuna ao tempo. Entrou para o Partido Socialista (PS) em 1973 pela mão de Magalhães Godinho e o 25 de Abril de 1974 acende-lhe a chama da Democracia. Aceita o convite de Salgado Zenha e assume as funções de subsecretário de Estado do Orçamento no VI governo provisório em 1975. Uma experiência que considera "verdadeiramente gratificante". Mas quando Mário Soares o convida para ministro das Finanças do I governo constitucional, em julho de 1976, tudo muda de figura. A "generosidade" de Soares choca com o rigor de Medina Carreira. "Todos os dias se negava dinheiro às pessoas", disse na mesma entrevista em 2009.

Medina Carreira morreu ontem, aos 86 anos, num hospital de Lisboa onde estava internado há um mês. O advogado que sabia fazer contas e que defendia: "Acho que devíamos ser senhores do nosso fim."

Perfil
Henrique de Medina Carreira nasceu em Bissau a 14 de janeiro de 1931. Frequentou os Pupilos do Exército, onde tirou o bacharelato em Engenharia Mecânica. Em 1962 licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa. Chega a frequentar Economia no Instituto Superior de Ciências Económicas, mas não termina o curso.

Frases de Medina
"Preferia ter uma dona de casa como ministra das finanças, pelo menos tinha senso comum"

"Nós não temos políticos com conteúdo, temos políticos com casca"

"Eu tinha expectativas a seguir ao 25 de abril"

"Estamos entregues aos favores do financiamento internacional"

"O centro da Europa já está farto de gregos e portugueses"

"Confio muito em mim, mas não confio em muita gente"
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