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Agricultores do vulcão do Fogo pedem investimentos para recuperar produção agrícola

Aldeia cabo-verdiana viu as casas e campos a serem engolidos pela lava nos 77 dias que durou a erupção que se iniciou em novembro de 2014.
Lusa 30 de Novembro de 2019 às 12:50
Agricultores do vulcão do Fogo pedem investimentos para recuperar produção
Agricultores do vulcão do Fogo pedem investimentos para recuperar produção
Agricultores do vulcão do Fogo pedem investimentos para recuperar produção
Agricultores do vulcão do Fogo pedem investimentos para recuperar produção
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Agricultores do vulcão do Fogo pedem investimentos para recuperar produção
Agricultores do vulcão do Fogo pedem investimentos para recuperar produção
Agricultores do vulcão do Fogo pedem investimentos para recuperar produção
Agricultores do vulcão do Fogo pedem investimentos para recuperar produção
O representante dos agricultores de Chã das Caldeiras, junto ao vulcão da ilha cabo-verdiana do Fogo, afirmou à Lusa que a produção agrícola ainda não recuperou totalmente após a última erupção, pedindo investimentos em água e na saúde.

A aldeia, a quase 2.000 metros de altitude, é conhecida pelas suas características únicas para produção agrícola, desde logo o típico vinho do Fogo, mas casas e campos foram engolidos pela lava nos 77 dias que durou a erupção que se iniciou em 23 de novembro de 2014.

Segundo Rosandro Monteiro, presidente da Associação de Agricultores de Chã das Caldeiras, após o "rio de lava" ter literalmente levado a aldeia do mapa, foi necessário encontrar novos campos de cultivo, a principal atividade da população, que logo após a erupção começou a regressar, reconstruindo tudo a partir do zero.

"Perdeu-se 10 a 15% das videiras, mas aqui já se recuperou bastante, porque todos os anos está-se a plantar mais", explica Rosando Monteiro. Essas novas plantações acontecem precisamente nas encostas do vulcão, tirando proveito das condições locais.

"É tudo produção biológica. Nas uvas, a única praga que temos é o oídio, que é tratado diretamente com o enxofre do vulcão", conta o porta-voz dos agricultores, atividade que ocupa as mais de cem famílias que há regressaram a Chã das Caldeiras.

Em terrenos da grande cratera do vulcão, na envolvente da aldeia, produz-se já um pouco de tudo. Além das videiras e do vinho, uma autêntica imagem de marca, também mandioca, batata, batata-doce, pêssego, melão, melancia ou citrinos, entre outros produtos, que além do consumo interno ainda seguem para outras ilhas do país.

"Perdeu-se muito nas restantes produções. Por exemplo, o feijão-congo perdeu-se muito e não se recuperou na totalidade ainda. Hoje estava a ser vendido a 220 escudos [quilograma, dois euros], quando antes estava a 50 escudos [45 cêntimos]. Porque há menos produção", explica.

O maior problema identificado por Rosandro Monteiro é a falta de água. A situação, decorrente da destruição das infraestruturas anteriores, é agravada pela seca que se prolonga há três anos em Cabo Verde.

Pede, por isso, novos furos para captar e abastecer a produção de sequeiro que é feita na aldeia.

"Mobilização de água é o que pedimos", aponta.

Contudo, outro problema está há muito identificado e cinco anos após o início da erupção ainda não foi ultrapassado. A quase 2.000 metros de altitude não há qualquer posto de médico em caso de acidente no campo - ou outro -, sendo a única solução descer o vulcão até à cidade de São Filipe, a cerca de uma hora de viagem de carro, nem sempre disponível.

"Não há o mínimo de condições ligadas à saúde, caso haja um acidente no campo", lamenta o porta-voz dos agricultores locais.

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