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Alunos de escola primária de Luanda desmaiam devido a gás lacrimogéneo dirigido a manifestantes

Jovens protestavam contra posse do novo presidente da Comissão Nacional Eleitoral.
Lusa 19 de Fevereiro de 2020 às 20:56
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Professor FOTO: Getty Images
Alunos da escola primária primária 1.042, em Luanda, desmaiaram esta quarta-feira devido à inalação de gás lacrimogéneo lançado pela polícia angolana para dispersar manifestantes que protestavam contra posse do novo presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

"Na hora em que a gente estava a trabalhar, não sei o que se passou lá fora, foram lançadas para a escola duas bombas de gás lacrimogéneo e com isso ficamos todos tóxicos, eu mesmo estava a lacrimejar e a nível das crianças também tivemos consequências, algumas desmaiariam", afirmou esta quarta-feira aos jornalistas o professor Venâncio Lucongo, manifestando-se "indignado com a situação".

A escola primária está localizada no bairro Zamba 2, distrito urbano da Maianga, perto da qual foram dispersados manifestantes que tentavam protestar junto do parlamento angolano contra a posse do juiz Manuel Pereira da Silva "Manico" como presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE).

Jovens manifestantes, sobretudo afetos à União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), maior partido na oposição, foram impedidos e "sob carga policial" de apresentarem o seu "descontentamento" em face da indicação do novo presidente da CNE.

Segundo o professor Venâncio, para quem a atitude da polícia "é reprovável", o Ministério do Interior, órgão que tutela o efetivo policial, "deve medir as consequências" porque o que se passou na instituição de ensino "é grave".

"Precisámos de uma equipa médica para avaliar o estado das crianças, porque as coisas podem alarmar, e os pais e encarregados de educação não estão felizes. Isso é triste porque os policiais devem proteger os cidadãos e não ao contrário", adiantou o também psicólogo.

Um forte cordão policial marca presença em todo o perímetro do parlamento angolano, onde deve ser empossado hoje o novo presidente da CNE, apesar da contestação de partidos na oposição e sociedade civil, que apontam "várias irregularidades".

O ato de posse do novo presidente da Comissão Nacional Eleitoral é um dos pontos da agenda da quinta reunião plenária que decorre hoje no parlamento angolano.
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