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Correio da Manhã

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Angola realizou primeiros testes à Covid-19 após-desembarque de passageiros

País vai suspender ligações aéreas a partir de 24 de janeiro com Portugal, Brasil e África do Sul.
Lusa 16 de Janeiro de 2021 às 23:17
O projeto do novo aeroporto será financiado por fundos chineses
O projeto do novo aeroporto será financiado por fundos chineses FOTO: Vítor Mota
Centenas de passageiros realizaram testes pós-desembarque à chegada a Luanda, no aeroporto 04 de fevereiro, medida que se tornou obrigatória a partir deste sábado, elogiando a iniciativa que decorreu sem grandes constrangimentos.

Os passageiros, provenientes de Portugal, Brasil e África do Sul, países com os quais Angola vai suspender as ligações aéreas diretas a partir de 24 de janeiro, encontraram à chegada à capital angolana um hangar designado para o efeito, onde eram disponibilizadas cadeiras, bem como água e sumos para quem necessitasse.

"Estavam bem organizados. Entre a aterragem, teste, passagem pela imigração e apanhar a bagagem foram cerca de duas horas", testemunhou Zélia Dionísio, que trabalha numa empresa do setor alimentar e aterrou este sábado em Luanda às 07h05, proveniente num voo TAAG de Lisboa.

Segundo relatou à Lusa, a testagem decorreu num hangar próximo do aeroporto, onde se encontravam mais de duas dezenas de mesas com funcionários para preencher os dados pessoais dos passageiros e fazer o teste rápido de covid-19.

Zélia Dionísio adiantou que as filas estavam organizadas e houve o cuidado de não deixar os passageiros expostos ao sol, bem como dar prioridade a passageiros mais velhos ou famílias com crianças.

"Quando chegamos, é-nos medida a temperatura, passamos por um jato de desinfeção e vamos então para uma mesa onde preenchem os dados e depois vão chamando os passageiros", descreveu.

Segundo disse, o processo decorreu de forma eficiente e recebeu o resultado do teste em cerca de dez minutos, podendo então cumprir as formalidades normais da entrada em Angola e recuperar a bagagem. Os passageiros que testam positivo são obrigados a cumprir quarentena institucional.

Zélia Dionísio elogiou a medida do Governo angolano: "Acho que faz sentido, dadas as circunstâncias e a realidade do país", comentou.

Para esta cidadã portuguesa, "esta é uma forma adicional de Angola se proteger", tendo em conta que muitos casos foram importados.

"É um pouco mais de transtorno para nós, que fizemos o teste, mas ainda por cima os testes são suportados pelo Governo, há essa facilidade", acrescentou.

Outros passageiros que regressaram a Angola no mesmo voo partilharam nas redes sociais a experiência positiva do primeiro dia de testagem pós-desembarque, que consideraram ter decorrido de forma rápida e organizada.

Em Angola já era obrigatório um teste RT-PCR com resultado negativo, realizado até 72 horas antes do embarque, para entrar no país. Quem regressa do estrangeiro terá também de cumprir um período de quarentena domiciliar que passou de sete para dez dias.

A operação de voos de repatriamento dos cidadãos angolanos e residentes estrangeiros com visto de trabalho que se encontram em Portugal, Brasil e Africa do Sul começou este sábado e prolonga-se até às 00h00 do dia 24 de janeiro, altura em que Angola suspende temporariamente as ligações com estes países, para evitar a entrada das novas estirpes de SARS Cov2, o vírus causador da covid-19.

O voo de Lisboa foi o primeiro a chegar ao aeroporto, estando previstos mais um voo de Portugal, um da África do Sul, proveniente de Joanesburgo, e um do Brasil, vindo de São Paulo.

Desde o início da pandemia, Angola contabiliza um total de 18.765 casos, incluindo 16.225 recuperados, 2.109 ativos e 431 óbitos.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.009.991 mortos resultantes de mais de 93,8 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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