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Correio da Manhã

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Antiga ministra guineense diz que há "instituições do Estado envolvidas no tráfico de droga"

Ruth Monteiro, revela pormenores da alegada ligação do poder na Guiné-Bissau ao narcotráfico.
3 de Agosto de 2020 às 16:27

A antiga ministra da Justiça da Guiné-Bissau, Ruth Monteiro, admite que lhe foi dito que, aquilo que sabia relativamente a questões relacionadas com droga, "eram motivos suficientes para não quererem que saísse da Guiné".

"Nós temos instituições do Estado envolvidas no tráfico de droga. E o tráfico de droga está a financiar o terrorismo", denuncia. A jurista adianta ainda que, quando foi feita a maior apreensão de droga da história da Guiné-Bissau, em setembro de 2019, "as pessoas que mais impediram a realização do trabalho da Polícia Judiciária (PJ) foram os agentes do Ministério Público (MP)", algo que a própria denunciou, por ser ministra da pasta da Justiça. A carga (1869 quilos de cocaína), apreendida num camião de peixe, seguia para o norte do Mali.

No momento da inspeção, os agentes da PJ terão insistido em inspecionar a viatura, após tentativa de impedimento por parte do MP. Por sua vez, os agentes da PJ, convidaram o MP a assistir à inspeção do camião, mas estes ter-se-ão recusado.

Já relativamente ao dinheiro encontrado na posse do condutor do camião, o MP acabaria por concluir que seria destinado a outra pessoa, que não tem nada a ver com a droga e que, portanto, não pode ser acusada. "O MP recusou-se a acusar um suspeito, logo não há mais nada que o sistema legal guineense possa fazer", refere a advogada.

Ruth Monteiro revela também que há vários aviões que aterram sem qualquer tipo de controlo. A maior parte da droga que passa pelo país africano, "é para financiar grupos terroristas do Sahel [uma região do leste da Tunísia]", que já terão tido escolas na Guiné-Bissau.

Recorde-se que Ruth Monteiro, agora em Portugal, está impedida de viajar para a Guiné-Bissau pelo Ministério do Interior e pelo Ministério Público. "Eu admito, as pessoas têm medo, tive muito medo (…) Eles podem fazer-me o que quiserem fazer, mas não me podem impedir de dizer o que tenho a dizer", remata.

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