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Chuva volta a cair em alguns pontos de Cabo Verde depois de três anos de seca

Plano "de caráter especial", será aplicado nas zonas de maior suscetibilidade a riscos e ameaças pelas cheias.
Lusa 13 de Julho de 2020 às 15:42
Bandeira de Cabo Verde
Bandeira de Cabo Verde FOTO: Getty Images
A chuva voltou a cair durante a madrugada de esta segunda-feira com alguma intensidade na ilha de Santiago e noutros pontos de Cabo Verde, após três anos irregulares e insuficientes para evitar seca extrema no arquipélago.

Na cidade da Praia, começou a chuviscar depois das 00:00 e durante cerca de 30 minutos, tendo aumentado de intensidade por volta das 3:00 de madrugada, comprovada hoje de manhã com algumas poças de água e lama em várias ruas da capital. 

Na semana passada, a Câmara Municipal da Praia anunciou a aprovação de um plano operacional de emergência para a época das chuvas este ano, de 27,8 milhões de escudos (253 mil euros). 

Segundo a autarquia, o plano "de caráter especial", será aplicado nas zonas de maior suscetibilidade a riscos e ameaças pelas cheias, ou seja, "zonas inundáveis e de deslizamento de terras". 

O plano será implementado pelos serviços da autarquia, em parceria com o Sistema Nacional de Proteção Civil, Cruz Vermelha, Serviços de Saúde e Forças Armadas.

Segundo informações apuradas pela agência Lusa, a chuva caiu também em praticamente todos os concelhos do interior da ilha de Santiago, todos eminentemente agrícolas e cujos agricultores estivarem nas últimas semanas a prepararem-se para o ano agrícola.

Há informações de chuviscos em Santo Antão, outra das ilhas eminentemente agrícolas no arquipélago. 

Em conferência de imprensa há um mês, a diretora Geral da Agricultura, Silvicultura e Pecuária, Eneida Rodrigues, revelou que as informações disponibilizadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica, baseadas nas previsões internacionais do Centro Africano de Aplicação Meteorológica para o Desenvolvimento (ACMAD) e Centro Regional de Formação e Aplicação em Agrometeorologia e Hidrologia Operacional (AGRHYMET), indicavam que há uma "grande probabilidade" de as chuvas ocorrerem dentro do padrão normal em todo o arquipélago este ano.

A mesma fonte previu que as primeiras chuvas poderiam cair em meados de julho.

No ano passado, choveu apenas alguns dias no mês de setembro, na cidade da Praia e noutros pontos do país, tendo mesmo causado alguns estragos e inundações no centro histórico da Cidade Velha, único sítio património mundial da humanidade do país, no concelho da Ribeira Grande de Santiago.

Na altura, o ministro das Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, disse que as chuvas davam para garantir alguma produção de milho, pasto para os animais e recarga dos lençóis freáticos.

Após essas chuvas do ano passado, uma praga de gafanhotos afetou as terras áridas e semiáridas de quatro ilhas cabo-verdianas, Santiago, Brava, São Nicolau e São Vicente, o que levou o Governo a declarar emergência e reforçou o combate com militares.

Em janeiro deste ano, o Governo cabo-verdiano declarou a situação de emergência hídrica em todo o país até outubro, devido à seca acumulada nos últimos três anos, admitindo neste período limitações temporárias ao consumo de água.

Desde 2017 que as chuvas que caem no arquipélago têm sido insuficientes para evitar uma seca extrema e prolongada e consequente maus anos agrícolas, que têm levado o país a pedir ajuda internacional.

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