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Correio da Manhã

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Doenças transmitidas pela água na Beira preocupam Médicos sem Fronteiras na Beira

Ciclone Idai provocou 493 mortes e afetou mais de 800.000 pessoas no centro de Moçambique.
Lusa 29 de Março de 2019 às 21:22
Médicos sem Fronteiras
Ciclone Idai
Ciclone Idai
Ciclone Idai
Sobreviventes do ciclone Idai tentam reconstruir a vida em Moçambique
Sobreviventes do ciclone Idai tentam reconstruir a vida em Moçambique
Médicos sem Fronteiras
Ciclone Idai
Ciclone Idai
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Sobreviventes do ciclone Idai tentam reconstruir a vida em Moçambique
Sobreviventes do ciclone Idai tentam reconstruir a vida em Moçambique
Médicos sem Fronteiras
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Sobreviventes do ciclone Idai tentam reconstruir a vida em Moçambique
Sobreviventes do ciclone Idai tentam reconstruir a vida em Moçambique
A organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) revelou esta sexta-feira "grande preocupação" com as doenças transmitidas pela água na Beira, devastada pelo ciclone Idai, que provocou 493 mortes e afetou mais de 800.000 pessoas no centro de Moçambique.

"Não é surpreendente que casos de cólera tenham sido confirmados na cidade da Beira. Após um desastre natural desta magnitude, as doenças transmitidas pela água são de grande preocupação. O desafio agora é tratar os pacientes que já estão doentes", referiram os MSF, em comunicado.

A organização não-governamental, que está a informar a população da Beira sobre medidas a tomar para evitar o surto de cólera numa altura em que está retomado o fornecimento de água potável, sublinhou que "já existem enormes necessidades médicas e de saúde pública".

"Esperamos que essas necessidades aumentem nas próximas semanas com cólera e outras doenças transmitidas pela água, infecções da pele, infecções do trato respiratório e malária a espalharem-se por toda a comunidade, devido à falta de abrigo, más condições de higiene e acesso limitado à comida", notou a ONG.

A Médicos Sem Fronteiras alertou para "os extensos danos nas infraestruturas de saúde" e sublinhou que "será necessário um enorme apoio para atender às necessidades de saúde das pessoas nas áreas afetadas".

"As consequências imediatas do ciclone exigirão uma enorme resposta, mas o funcionamento normal do sistema de saúde também deve ser mantido", considerou a organização, assinalando que "as mães precisam de entregar os bebés com segurança e outras pessoas ainda precisam de medicação vital para doenças, como a sida".

A MSF acorreu às zonas afetadas pelo ciclone Idai, inicialmente na região da Beira, depois noutros distritos das províncias de Sofala e Manica, onde inundações causaram "destruição generalizada e as necessidades são enormes, em termos de comida, água, abrigo e cuidados de saúde.

"Temos mais de 70 elementos em Moçambique e mais de 200 funcionários moçambicanos no terreno afetado pelas cheias e temos de ter novos reforços", acentuou a MSF, a trabalhar com o Ministério da Saúde de Moçmabique e outros organismos para enfrentar um surto de cólera.

As autoridades sanitárias moçambicanas informaram na quinta-feira haver registo de 139 casos de cólera na região atingida pelo ciclone.

Elementos da MSF estão a trabalhar no Centro de Tratamento da Cólera de Macurungo, na Beira, assim como reabilitaram o centro de saúde no Búzi.

Segundo o Governo de Moçambique, 493 pessoas morreram e 1.523 ficaram feridas na sequência do ciclone Idai e das inundações que se seguiram, há duas semanas.

Em 26 de março, as Nações Unidas estimaram que 1,85 milhões de pessoas precisam de assistência urgente em Moçambique, identificando quase 91.000 casas totalmente destruídas, parcialmente destruídas ou inundadas.

Logo após o Idai, a organização médica internacional enviou quatro especialistas em Sistemas de Informação Geográfica para a região e mobilizou milhares de voluntários em todo o mundo para produzir mapas de alta qualidade das áreas mais atingidas para ajudar as equipas de emergência a darem uma resposta eficaz.
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