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Dois feridos em ataque numa das principais estradas de Moçambique

Ataque ocorreu na quinta-feira, quando três camiões seguiam juntos.
Lusa 27 de Dezembro de 2019 às 12:10
Polícia de Moçambique
Polícia de Moçambique FOTO: Getty Images
Um novo ataque armado contra três camiões de carga fez dois feridos ligeiros em Chibuto-2,na província de Manica, junto da Estrada Nacional Número 1, onde o governo anunciou reforço de segurança no Natal, disseram esta sexta-feira à Lusa várias testemunhas.

O ataque ocorreu às 7h00 (menos duas horas em Lisboa) da quinta-feira, quando os três camiões seguiam juntos no sentido sul-norte.

"Foi uma sequência de tiros", descreveu à Lusa Ricardo Mário, um dos camionistas ferido por "estilhaços de vidros" do para-brisas que sofreu várias perfurações de balas.

"Algumas balas ficaram alojadas na parte de cima da cabine, e mesmo assim conseguimos [com o seu ajudante] sair da área do ataque com ferimentos ligeiros", acrescentou.

Horas depois do ataque começou a circular um vídeo com dois camiões de carga a arder dentro da faixa de circulação.

"Os dois camiões estavam separados por uma curta distância na zona de Chibuto 2 e, para circulação, os carros estavam a contornar os camiões em chamas, já com as cabines totalmente destruídas", disse à Lusa Samuel Naico, um outro camionista que passou pelo mesmo local.

Uma fonte no Centro de Saúde de Inchope disse à Lusa que os dois feridos tiveram um tratamento ambulatório.

A Polícia moçambicana em Manica disse que o incidente de quinta-feira ainda não constava das ocorrências registadas.

O ataque de quinta-feira ocorreu um dia após o governo moçambicano ter anunciado o reforço de medidas de segurança nos troços das estradas nacionais número 1 (EN1) e número 6 (EN6), onde ocorrem ataques armados a alvos civis e policiais desde agosto.

"Nos decidimos incrementar as patrulhas mistas motorizadas em toda faixa, com potencial de rachar qualquer ameaça e que evitem riscos de segurança" e "vamos promover total sossego", disse Basílio Monteiro, ministro do Interior de Moçambique.

O ministro do Interior de Moçambique não confirmou os 10 óbitos ocorridos no último ataque da terça-feira.

"Temos informação que, neste cenário, não houve vítimas mortais a lamentar. Os dados que nos chegaram indicam que as pessoas estavam a ser transportadas e foram obrigadas a abandonar o meio de transporte. Eles [os guerrilheiros da Renamo] esbulharam os bens de que eles eram proprietários e incendiaram as viaturas", declarou o governante na quarta-feira.

A versão do ministro do Interior moçambicano contradiz as informações do administrador local, que confirmou os 10 óbitos, e também o testemunho do motorista da viatura atacada, que, em declarações ao canal televisivo STV, descreveu o episódio, destacando que o grupo estava a "atirar mesmo para matar".

"Bateram os pneus de frente e eu não consegui mais andar com o autocarro e entrei no mato", descreveu o motorista, acrescentando que, depois de ter parado, fugiu e o grupo incendiou o autocarro, que seguia com pelo menos 23 pessoas, das quais pelo menos dez morreram.

"É possível que alguns passageiros tenham sido carbonizados ali dentro", acrescentou o motorista.

Desde agosto, com o da terça-feira, um total de 21 pessoas morreram em ataques armados de grupos que deambulam pelas matas nas províncias de Manica e Sofala, incursões que têm afetado alvos civis, policiais e viaturas e que são atribuídos pelas autoridades a guerrilheiros do braço armado da Resistência Nacional Moçambicana ( Renamo).

As incursões acontecem num reduto da Renamo, principal partido de oposição, e onde os guerrilheiros daquele partido se confrontaram com as forças de defesa e segurança moçambicanas e atingiram alvos civis até ao cessar-fogo de dezembro de 2016.

Oficialmente, o partido afasta-se dos atuais incidentes e diz estar a cumprir as ações de desarmamento que constam do acordo de paz de 06 de agosto deste ano, mas um grupo dissidente (considerado "desertor" pela Renamo) liderado por Mariano Nhongo permanece entrincheirado na região, reivindicando melhores condições de desmobilização e ameaçando recorrer as armas caso não seja ouvido.

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