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Dois trabalhadores chineses em quarentena na ilha de São Vicente devido ao coronavírus

Os dois cidadãos cumprem quarentena voluntária para despistar qualquer presença do novo vírus.
Lusa 18 de Fevereiro de 2020 às 10:09
Coronavírus
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Dois trabalhadores chineses na ilha cabo-verdiana de São Vicente estão há 12 dias a cumprir uma quarentena voluntária para despistar qualquer presença do coronavírus, disse à Lusa o delegado de Saúde local, Elísio Silva.

A legislação cabo-verdiana não prevê quarentenas compulsivas, pelo que estes dois trabalhadores, que chegaram este mês da China para um trabalho pontual no Mindelo, a segunda maior cidade de Cabo Verde, foram acompanhados pela delegacia de saúde e aceitaram um período de quarentena voluntária.

De acordo com Elísio Silva, estão num apartamento do Mindelo, com acompanhamento diário da delegacia de saúde, e o período de quarentena termina na quinta-feira, 20 de fevereiro.

"Agora se estão a trabalhar, não depende da delegacia. Estamos fazendo a nossa parte, a quarentena é voluntária", disse ainda.

Os dois trabalhadores chineses já tinham cumprido um período de quarentena na China.

Cabo Verde recebeu este mês, pelo menos, 28 viajantes da China, incluindo estudantes cabo-verdianos e cabo-verdianos residentes na China, mas também chineses.

"Todas as pessoas que regressarem da China são acompanhados, quer presencial, quer telefonicamente, diariamente pelos delegados de Saúde e pelas unidades sanitárias em cada concelho", referiu, em 05 de fevereiro, o Diretor Nacional da Saúde de Cabo Verde, Artur Correia, garantindo que todas as estruturas de saúde do país estão minimamente preparadas para o acompanhamento rigoroso de todos os casos.

Acrescentou que, após a constatação a nível internacional da gravidade da situação da epidemia do novo coronavírus na China, Cabo Verde também entrou em "modo emergencial", e todos os serviços públicos de saúde foram alertados.

Também foi acionada uma equipa técnica de intervenção rápida, e uma série de medidas começaram a ser tomadas, no sentido de uma preparação, de acordo com as normas técnicas da Organização Mundial de Saúde (OMS), concretizou o médico.

"Neste momento, todas as estruturas sanitárias do país já dispõem de normas técnicas, tanto em aspetos organizacionais e funcionais, para consolidar essa fase de preparação, para uma eventual epidemia", prosseguiu.

O mesmo responsável adiantou que o país reforçou os níveis de vigilância nos pontos de entrada, com especial destaque para os aeroportos internacionais, onde as pessoas provenientes da China recebem uma triagem para descartar casos suspeitos e sintomáticos, medidas protetoras, informação e aconselhamento a nível domiciliar.

Relativamente ao isolamento das pessoas provenientes da China, Artur Correia reforçou que a Constituição não permite internamentos compulsivos e nem a OMS está a recomendar quarentena aos países, embora alguns já estejam a fazê-lo.

Na China estudam cerca de 350 cabo-verdianos, 15 dos quais estão em quarentena em Wuhan, principal foco do surto.

O número de mortos devido ao novo coronavírus (Covid-19) na China continental subiu esta terça-feira para 1.868, ao mesmo tempo que foram registados 1.886 novos casos de infeção, num total de 72.436 infetados.

Além das vítimas mortais no continente chinês, há a registar um morto na região chinesa de Hong Kong, um nas Filipinas, um no Japão, um em França e um em Taiwan.

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