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Correio da Manhã

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Embaló tomou posse na Guiné-Bissau sem aval da Justiça

Aristides Gomes denuncia “golpe de Estado patrocinado pelo PR cessante José Mário Vaz” e fala em “atitude de guerra”.
Ricardo Ramos 28 de Fevereiro de 2020 às 08:32
PR cessante José Mário Vaz (à esquerda) esteve presente na contestada tomada de posse de Umaro Sissoco Embaló
PR cessante José Mário Vaz (à esquerda) esteve presente na contestada tomada de posse de Umaro Sissoco Embaló FOTO: António Amaral/Lusa
O candidato Umaro Sissoco Embaló, declarado vencedor da segunda volta das presidenciais da Guiné-Bissau pela Comissão Nacional de Eleições, tomou esta quinta-feira posse sem a necessária validação do Supremo Tribunal de Justiça, agravando ainda mais a crise política no país.

A cerimónia, que vários observadores descreveram como "simbólica", decorreu num hotel de Bissau, sob forte vigilância policial e militar e sem a presença dos membros do governo e dos partidos que constituem a maioria parlamentar, bem como de representantes da comunidade internacional, com exceção dos embaixadores da Gâmbia e do Senegal.

Também não esteve presente o presidente da Assembleia Nacional, Cipriano Cassamá, que, de acordo com a Constituição guineense, é quem deve dar posse ao chefe de Estado. Em causa está a falta de validação do Supremo Tribunal de Justiça, que ainda está a analisar as alegações de fraude feitas pelo candidato derrotado, Domingos Simões Pereira.

O ato contou, no entanto, com a presença do presidente da república cessante, José Mário Vaz, que de seguida acompanhou Embaló ao Palácio Presidencial para a transferência formal de poderes.

O primeiro-ministro Aristides Gomes acusou Embaló de levar a cabo um "golpe de Estado com o patrocínio de José Mário Vaz" e considerou a tomada de posse como "uma atitude de guerra", garantindo que o governo não obedecerá a uma autoridade ilegítima.
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