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Federação de Jornalistas pede a Espanha e Burkina Faso que investiguem morte dos repórteres

Jotrnalistas foram mortos quando um grupo de homens armados atacou a caravana em que viajavam.
Lusa 27 de Abril de 2021 às 23:41
Jornalista, Microfones
Jornalista, Microfones FOTO: Getty Images
A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) reclamou esta terça-feira que se investigue o homicídio no Burkina Faso de dois jornalistas espanhóis, David Beriain e Roberto Fraile, mortos quando um grupo de homens armados atacou a caravana em que viajavam.

"Uma vez mais, este terrível incidente mostra o perigo a que estão expostos os jornalistas quando recolhem informação para benefício do público em geral", declarou o secretário-geral da FIJ, Anthony Bellanger, afirmando que "a melhor homenagem que se lhes pode fazer é fazer justiça para eles e para as suas famílias".

Assim, defendeu que "os governos de Espanha e do Burkina Faso cooperem para que isto suceda", citado pela agência espanhola de notícias, a Efe.

O Governo do Burkina Faso atribuiu hoje a "terroristas" o ataque de segunda-feira, no leste do país, a uma patrulha de vigia da caça ilegal, na sequência do qual foram mortos dois jornalistas espanhóis e um outro irlandês foi raptado.

"Por enquanto, a identidade dos raptores não foi claramente estabelecida", disse Ousséni Tamboura, o ministro das Comunicações e porta-voz do executivo, salientando que "o balanço humano do incidente é de três feridos e quatro desaparecidos, incluindo os três expatriados" e um cidadão do Burkina Faso.

"No entanto, as imagens dos corpos sem vida de três expatriados, ainda não formalmente identificados, estão a circular nas redes sociais", referiu o ministro em comunicado.

A ministra dos Negócios Estrangeiros espanhola anunciou hoje que os dois jornalistas espanhóis que eram dados como desaparecidos após o ataque na segunda-feira foram assassinados.

Arancha Gonzalez Laya explicou, em conferência de imprensa, após o Conselho de Ministros, que embora a informação ainda seja "confusa", tudo indica que dois dos corpos encontrados no local do ataque correspondem aos dos dois jornalistas espanhóis que, juntamente com um repórter irlandês, estavam a fazer um documentário sobre a caça furtiva ilegal na região.

O Governo irlandês, por seu lado, disse que está "consciente dos relatórios e em estreita ligação com os parceiros internacionais relativamente à situação no terreno".

Numa mensagem áudio enviada à Associated Press, uma voz que diz ser do Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos, ligado à Al-Qaeda, elogiou o ataque, reivindicando a responsabilidade pelo mesmo. "Matámos três pessoas brancas". "Também temos dois veículos com armas, e 12 motocicletas", ouve-se na gravação.

O incidente ocorreu na área de Pama, onde homens armados lançaram uma emboscada contra uma patrulha de forças do Burkina Faso de vigia à caça ilegal, de cerca de 40 homens, que os dois jornalistas espanhóis e um irlandês acompanhavam.

Laya indicou que esta é uma área perigosa, onde grupos terroristas, caçadores furtivos e bandidos, bem como redes 'jihadistas', estão ativos.

O Presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, já lamentou o assassínio dos jornalistas David Beriain e Roberto Fraile e manifestou o seu "reconhecimento àqueles que, como eles, realizam diariamente um jornalismo corajoso e essencial, a partir de zonas de conflito".

A Federação de Associações de Jornalistas Espanhóis (FAPE) e a organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) já lamentaram as mortes.

Os dois jornalistas espanhóis e um irlandês foram raptados, na segunda-feira, na sequência daquele ataque no Burkina Faso, disseram hoje de manhã fontes do exército daquele país africano.

"Três jornalistas, incluindo dois espanhóis e um irlandês, foram raptados. Os raptores conseguiram levar equipamento militar. Estão em curso operações de busca", afirmou uma fonte militar, que solicitou o anonimato, em declarações à agência de notícias espanhola Efe.

Vários sequestros de estrangeiros têm ocorrido nos últimos anos no Burkina Faso, que tem enfrentado ataques 'jihadistas' cada vez mais frequentes, desde 2015, que provocaram mais de 1.200 mortos e mais de um milhão de deslocados.

Inicialmente concentradas no norte do país, junto à fronteira com o Mali, as ações atribuídas aos grupos' jihadistas', incluindo ao Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos, filiado na Al-Qaida, e o Estado Islâmico no Grande Saara, visaram depois a capital e outras regiões, incluindo o leste e o noroeste.

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