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Governo moçambicano quer promover autoemprego entre populações deslocadas

Iniciativa vai ser promovida em parceria com o Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas.
Lusa 29 de Dezembro de 2021 às 10:16
Padrão de queda de preços em julho foi constante nas três principais cidades do país: Maputo, Beira e Nampula
Padrão de queda de preços em julho foi constante nas três principais cidades do país: Maputo, Beira e Nampula FOTO: Getty Images
A Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) de Moçambique quer promover projetos de autoemprego para beneficiar mais de 800 mil deslocados devido ao conflito armado no norte de Moçambique, anunciou a entidade.

A iniciativa vai ser promovida em parceria com o Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME), entidade com a qual ADIN assinou um memorando, na terça-feira, que prevê investimentos para promoção de meios de subsistência entre os grupos afetados pela violência armada em Cabo Delgado.

O objetivo é "facilitar a cooperação, intercâmbio, e colaboração entre ADIN e o IPEME, no que diz respeito a prestação de serviços de promoção e desenvolvimento de negócios das migro, pequenas e médias empresas na região norte de Moçambique", disse o presidente da ADIN, Armindo Ngunga, citado hoje pela Agência de Informação de Moçambique (AIM).

"Queremos que boa parte dos abrangidos tenha capacidade para conceber projetos para a mobilização conjunta de recursos com vista a implementação das atividades de promoção e desenvolvimento de negócios", acrescentou.

A ADIN foi criada em março de 2020 pelo Conselho de Ministros moçambicano para a promoção de ações de caráter multiforme visando o desenvolvimento socioeconómico das províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula, norte de Moçambique.

Entre os seus objetivos, a agência, que conta também com o apoio do Banco Mundial, tem a missão de promover oportunidades nas regiões afetadas pela violência armada, sobretudo para os jovens, na ambição de evitar que sejam recrutados por grupos armados.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, de acordo com as autoridades moçambicanas.

Desde julho, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu aumentar a segurança, recuperando várias zonas onde havia presença de rebeldes, nomeadamente a vila de Mocímboa da Praia, que estava ocupada desde agosto de 2020.

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