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Correio da Manhã

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Guerra da areia está cada vez mais violenta

Competição feroz pela areia mais pura leva grupos criminosos a entrarem no negócio.
Marco Fonseca Pereira 24 de Novembro de 2019 às 01:30
Extração de areia está a despir leitos de rios e praias, assim como a destruir florestas
Extração de areia está a despir leitos de rios e praias, assim como a destruir florestas FOTO: Tiago Sousa Dias
Um empresário sul-africano, dois aldeões indianos e um ativista ambiental mexicano morreram este ano numa onda de violência gerada pela procura de areia. Necessária para a construção de centros comerciais, escritórios, asfalto, vidros das janelas ou ecrãs dos telemóveis, a areia é o segundo recurso natural mais consumido do Mundo.

Segundo a estação britânica BBC, a procura pela areia mais pura - nem toda a areia serve para fazer cimento - está a despir os leitos de rios e as praias e a destruir florestas. Para as atuais necessidades mundiais, é necessário extrair cerca de 50 mil milhões de toneladas por ano.

"Não conseguimos extrair 50 mil milhões de toneladas por ano de qualquer material sem causar um impacto gigantesco no Planeta e na vida das pessoas", disse à BBC Pascal Peduzzi, investigador do Programa Ambiental das Nações Unidas.

A urbanização é o principal fator a alimentar esta crise. Na Índia, a quantidade de areia usada num ano para construção mais do que triplicou desde o ano 2000. A China usou mais areia na última década do que os EUA em todo o século XX. O valor da areia levou muitos grupos criminosos a entrarem no negócio. As organizações de direitos humanos afirmam que, em algumas zonas da América Latina e de África, existem crianças a trabalhar como escravas na extração de areia e os gangs pagam a polícias corruptos e a políticos para fecharem os olhos.

José Luis Álvarez Flores, um ativista ambiental do sul do México foi morto a tiro depois de ter lançado uma campanha contra a retirada ilegal de areia de um rio local. Na Índia, as lutas entre ‘máfias da areia’ já fizeram dezenas de vítimas, incluindo um professor de 81 anos, um ativista de 22 e um jornalista, que foi queimado. No início deste ano, um extrator de areia sul-africano foi baleado sete vezes numa disputa com um grupo.

SAIBA MAIS
4,2
mil milhões é o número de pessoas que atualmente vivem em áreas urbanas.

Aumento de territórios
Nos últimos anos, a areia deixou de servir apenas para construir edifícios e infraestruturas e passou a ser necessária para aumentar os territórios de vários países, como o Dubai.

Nem toda a areia serve
Nem toda a areia serve para fazer cimento. A areia dos desertos é demasiado suave para colar, devido à sua erosão ter sido provocada pelo vento.
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