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Jovem cabo-verdiano produz viseiras para reforçar segurança de profissionais de saúde

Daniel Mascarenhas já tinha feito aparelhos de proteção para a irmã, médica oftalmologista.
Lusa 9 de Abril de 2020 às 11:35
Viseiras utilizadas durante pandemia
Viseiras utilizadas durante pandemia FOTO: Luís Vieira / Movephoto
A irmã médica lançou o desafio e o jovem cabo-verdiano Daniel Mascarenhas começou a fabricar viseiras para reforçar a proteção dos profissionais de saúde, que estão na linha da frente do combate ao novo coronavírus.

Natural da ilha de São Vicente, Daniel Mascarenhas já tinha feito aparelhos de proteção para a irmã, médica oftalmologista, evitando que gotículas atingissem a cara, tanto do profissional de saúde, como do paciente.

Depois disso, foi a própria irmã a enviar um vídeo de um enfermeiro que produzia viseiras em grande quantidade para o Hospital Batista de Sousa, em São Vicente, e também dava conselhos de como usar as máscaras e luvas.

"A minha irmã perguntou-me se conseguiria fazer uns iguais, lançou-me este desafio e passei a fazer à minha maneira. Fiz quatro tipos diferentes, ajustáveis e que podem ser usadas em várias ocasiões", explicou Daniel Mascarenhas à agência Lusa.

Para a produção das viseiras de proteção, Daniel Mascarenhas disse que utiliza acetato, plástico, elásticos e vinil, tendo até agora produzido cerca de 50 desses equipamentos.

Daniel Mascarenhas indicou que já ofereceu algumas viseiras a várias instituições, como farmácias e clínicas privadas, mas avançou que, como gasta muito do seu dinheiro para adquirir as matérias primas, começou a praticar um "preço simbólico".

Além de profissionais de saúde, avançou à Lusa que as viseiras vão servir também eletricistas, serralheiros, bombeiros e polícias, que também estão no combate ao coronavírus no país.

Num momento de isolamento social, lamentou a falta de mais pessoas para ajudar, contanto apenas com um irmão, um sobrinho e a namorada, na produção feita em casa, onde também funciona uma ótica médica.

No início, há poucos dias, teve dificuldades em encontrar todos os materiais na ilha de São Vicente, por várias lojas estarem fechadas por causa das restrições impostas para o combate ao coronavírus.

Mas, após uma notícia publicada num órgão de comunicação social de Cabo Verde, recebeu uma chamada de uma drogaria em São Vicente, que abriu as suas portas para que ele pudesse comprar os materiais necessários, tendo agora 'stock' suficiente para a produção.

Daniel Mascarenhas disse estar sem palavras por esse contributo que está a dar, salientando apenas que gosta de ajudar, tendo por isso começado por oferecer a sua criação.

"E é para continuar", traçou o jovem mindelense, que não descarta produzir estas viseiras para outras ilhas do arquipélago.

São Vicente é uma das ilhas de Cabo Verde com um dos sete casos positivos de coronavírus no país, a par da Boa Vista (04) e de Santiago (02).

O país cumpre esta quinta-feira 11 dias, de 20 previstos, de estado de emergência para conter a pandemia provocada pelo novo coronavírus, com a população obrigada ao dever geral de recolhimento, com limitações aos movimentos, empresas não essenciais fechadas e todas as ligações interilhas e para o exterior suspensas.

O número de mortes em África ultrapassou as 500 num universo de mais de 10.500 casos registados em 52 países, de acordo com a mais recente atualização dos dados da pandemia naquele continente.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,5 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 87 mil.

Dos casos de infeção, cerca de 280 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

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