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Julgamento de bispos e pastores angolanos e brasileiros da IURD pode arrancar este mês

Em causa estão divergências entre pastores e bispos angolanos e brasileiros sobre a gestão da IURD e queixas de humilhações, discriminação racial e crimes económicos.
Lusa 8 de Março de 2021 às 16:42
IURD é a segunda igreja mais beneficiada
IURD é a segunda igreja mais beneficiada FOTO: Duarte Roriz
O novo líder da Igreja Universal do Reino de Deus em Angola disse esta segunda-feira que bispos e pastores angolanos e brasileiros, acusados de vários crimes, entre os quais evasão de divisas, vasectomia, poderão ir a julgamento ainda este mês.

A informação foi avançada pelo bispo Valente Bezerra Luís, desde fevereiro o novo líder da IURD Angola, depois de desentendimentos entre membros da igreja terem tido início em novembro de 2019.

Em causa estão divergências entre pastores e bispos angolanos e brasileiros sobre a gestão da IURD e queixas de humilhações, discriminação racial e crimes económicos, que levou a separação em alas da igreja, tendo a parte angolana criado uma Comissão de Reforma, legitimada em assembleia-geral e reconhecida, em dezembro de 2020, pelas autoridades angolanas.

"Dentro de dias, esse caso da IURD irá a julgamento, os nossos advogados já nos adiantaram que ainda este mês o caso poderá ir a tribunal", disse hoje Valente Bezerra Luís, em declarações à Rádio Nacional de Angola, à margem de um ato promovido pela igreja para assinalar o Dia Internacional da Mulher.

Valente Bezerra Luís não soube adiantar o número de pessoas envolvidas no caso, confirmando apenas que existem angolanos e brasileiros.

As tensões agudizaram-se em junho de 2020 com a tomada de templos pela comissão reformista, entretanto, constituída numa Comissão de Reforma de Pastores Angolanos, liderada pelo bispo Valente Bezerra Luís.

O caso mereceu em julho de 2020 uma reunião entre o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos de Angola e deputados, na Assembleia Nacional, tendo o governante angolano anunciado a existência de pelo menos dois processos em curso devido ao problema.

Francisco Queiroz, naquela ocasião, afastou a discórdia interna com qualquer facto político, salientando que 300 pastores angolanos tinham feito uma denúncia pública, acusando a parte brasileira da igreja, com origem no Brasil, fundada por Edir Macedo, de crimes de evasão fiscal, branqueamento de capitai e racismo, e que a então direção da igreja tinha igualmente apresentado queixas contra os dissidentes.

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