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Líder da UNITA diz que guerra entre "marimbondos" não ajuda Angola

Adalberto da Costa Júnior salientou que "todos devem devolver os dinheiros desviados ao Estado".
Lusa 11 de Janeiro de 2020 às 18:27
Adalberto da Costa Júnior
Adalberto da Costa Júnior
Adalberto da Costa Júnior
Adalberto da Costa Júnior
Adalberto da Costa Júnior
Adalberto da Costa Júnior
O presidente da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, criticou este sábado a "justiça direcionada" e a guerra entre "marimbondos" no seio do partido do poder, o MPLA, que "não está a ajudar" Angola.

Adalberto da Costa Júnior, que discursava após uma marcha de militantes e simpatizantes da UNITA que culminou com a inauguração das instalações do secretariado provincial do partido em Luanda, salientou que "todos devem devolver os dinheiros desviados ao Estado", sublinhando que "há nomes de quem já ninguém fala", numa intervenção aplaudida com entusiasmo pelos seus partidários.

O dirigente mostrou-se também surpreendido pela época escolhida pela Procuradoria Geral da República para fazer o arresto de bens da empresária Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos.

"Não é estranho o período que escolheram para o arresto", coincidindo com o fim do ano e com as férias judiciais, questionou o líder da UNITA perante alguns milhares de apoiantes que encheram uma rua da zona da Ingombota, no centro de Luanda.

O Tribunal Provincial de Luanda determinou o arresto de contas bancárias e participações sociais de Isabel dos Santos em empresas onde é acionista, como a Zap, Unitel, Cimentangola, Contidis e os bancos BIC e BFA, uma decisão tornada pública em 30 de dezembro e que abrange também o seu marido, Sindika Dokolo, e Mário Leite Silva, administrador da empresária angolana em várias sociedades.

"Não queremos uma justiça direcionada, não é bom perseguir os cidadãos", vincou Adalberto da Costa Junior, destacando que a lei tem de ser aplicada por igual a todos os cidadãos e apelando: "deixem de nos enganar".

Criticou ainda os poderes excessivos concentrados na figura de João Lourenço, o Presidente angolano e sucessor de José Eduardo dos Santos, alertando para que um dia quando perder o poder lhe pode acontecer o mesmo que acontece com José Eduardo dos Santos, o que prejudica Angola.

"Esta guerra do MPLA é boa para o país? Esta guerra está a nos ajudar? A guerra dos marimbondos contra outros marimbondos ajuda o nosso país", atirou o líder da UNITA, recebendo "nãos" uníssonos em resposta da multidão.

Além de Isabel do Santos, que foi alvo de um arresto provisório, também José Filomeno "Zenu" dos Santos está a braços com a justiça, respondendo em tribunal por uma alegada transferência irregular de 500 milhões de dólares.

Isabel dos Santos tem-se de queixado nas últimas semanas de estar a ser alvo de perseguição, uma queixa partilhada com outra das filhas do antigo Presidente, Tchizé dos Santos, que viu recentemente o MPLA suspender o seu mandato de deputada, uma decisão que foi entretanto impugnada junto do Tribunal Constitucional.

No que diz respeito à luta contra a corrupção, Adalberto da Costa Júnior frisou que foi a UNITA que começou por denunciar vários casos de corrupção, responsabilizando o MPLA, partido do poder há quase 40 anos, por deixar na gaveta as comissões de inquérito que foram pedidas à Sonangol, ao Banco Espírito Santo Angola (BESA, atual Banco Económico) e ao Fundo Soberano, que teve como presidente "Zenu" dos Santos.

Lamentou ainda que João Lourenço tenho "vestido o casaco de poderes excessivo" do anterior Presidente e só "persiga aquilo que é do seu interesse", criticando que o país dependa de uma pessoa só, como se fosse "um deus".

O discurso deste sábado marcou a abertura do ano político da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), o maior partido da oposição, em 2020, com o presidente a definir as suas prioridades para este ano e a prometer que está já a preparar a alternância ao poder.

As próximas eleições gerais em Angola acontecem em 2022.

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