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Morreu Kaká Barbosa. Músico, compositor e escritor cabo-verdiano tinha 73 anos

Intérprete morreu vítima de doença após ter estado 48 horas internado num hospital na ilha da Praia.
Lusa 1 de Maio de 2020 às 19:20
Kaká Barbosa
Kaká Barbosa FOTO: Direitos Reservados / Youtube
O intérprete, compositor e escritor cabo-verdiano Kaká Barbosa morreu esta sexta-feira, na cidade da Praia, aos 73 anos, vítima de doença, informou à Lusa o presidente da Sociedade Cabo-verdiana de Autores (SOCA), entidade de que era membro.

Segundo Daniel Spínola, das informações que obteve dos familiares, Carlos Alberto Lopes Barbosa, mais conhecido por Kaká Barbosa, faleceu ao início da tarde desta sexta-feira, após 48 horas internado no Hospital Agostinho Neto, na Praia.

Em fevereiro último, Kaká Barbosa foi homenageado numa gala na cidade da Praia pela SOCA, entidade de que era membro e um dos fundadores.

Daniel Spínola adiantou que, além da homenagem ainda em vida, já está pronta uma revista para sair com textos vários sobre o seu percurso e a sua obra, tanto como músico, como escritor.

O lançamento da revista deverá acontecer em finais de maio, ou em junho, depois do período de emergência no país, por causa do novo coronavírus, segundo o presidente da SOCA, para quem vai ser agora uma homenagem póstuma ao também membro da Academia Cabo-verdiana de Letras.

"Temos apostado nas homenagens em vida, já fizemos a vários artistas, vários autores", salientou Daniel Spínola, que descreveu Kaká Barbosa como um "excêntrico", tal como está no texto que vai sair na revista.

"Eu via-o como uma pessoa excêntrica, no bom sentido, tinha ideias excecionais, de outro planeta, na forma como falava, dizia coisas fora do comum", sustentou.

O presidente da SOCA disse ainda tratar-se de um "excelente músico", que já ganhou a "imortalidade" por causa da sua obra, na música e na escrita.

"Era também eclético. Não fazia apenas um género, fazia vários géneros, desde funaná, passando pela morna e pela coladeira. Era muito versátil", continuou Daniel Spínola, que é também escritor.

E, como escritor, disse que Kaká Barbosa deu um "contributo enorme" à cultura e à literatura, tanto na língua portuguesa, mas sobretudo na língua cabo-verdiana, tendo escrito vários livros e artigos em crioulo.

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), de que era militante, endereçou uma "nota de pesar à família enlutada" de Kaká Barbosa, que morreu no Dia do Trabalhador e também precisamente no dia em que completava 70 anos de idade.

"Justamente no Dia do Trabalhador chegou ao nosso conhecimento a notícia do passamento físico do Combatente da Liberdade da Pátria e um dos precursores da UNTC-CS (União Nacional dos Trabalhadores Cabo-verdianos -- Central Sindical), Kaká Barbosa", lembrou o maior partido da oposição cabo-verdiana.

Em fevereiro, durante o seu XVI Congresso, o PAICV aprovou o hino do partido, com letra e música da autoria de Kaká Barbosa.

No ano passado, o músico e compostor foi homenageado na sétima edição do festival internacional Grito Rock, realizado na cidade da Praia.

Nascido em São Vicente, mas viveu a maior parte da sua vida na ilha de Santiago, Kaká Barbosa foi ainda deputado da Nação das VI e VII legislaturas.

Foi galardoado com a Medalha de Mérito por ocasião do 30.º Aniversário da Independência de Cabo Verde, pelo então primeiro-ministro, José Maria Neves, e com a 1.ª Classe da Medalha do Vulcão, pelo então Presidente da República, Pedro Pires.

Governo de Cabo Verde recorda "um grande trovador popular"

O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente, considerou que o país perdeu "um grande trovador" com o falecimento do intérprete, compositor e escritor Kaká Barbosa, aos 70 anos, vítima de doença.

"Cabo Verde perde um grande trovador popular. A nação cabo-verdiana perde hoje um dos grandes, um nome incontornável da escrita em crioulo, da prosa tradicional, da pesquisa na língua cabo-verdiana e na construção de uma verdadeira narrativa nacional sobre raiz da caboverdianidade. Cabo Verde perde uma voz única no canto popular e na poesia de inspiração revolucionária", escreveu o ministro da Cultura, Abraão Vicente.

Na mensagem, o governante referiu que Kaká Barbosa "bebeu da mesma fonte antiga" que os tradicionalistas Nácia Gomi, N'Toni Denti D'Óru e Bibinha Cabral.

"Kaká era, contudo, mais moderno, mais consciente, mais politicamente ativo em todas as frentes da cultura e do ativismo social e político", prosseguiu.

Para o ministro, em Kaká Barbosa, Cabo Verde teve um dos seus maiores cantautores populares.

"Criador de uma sensibilidade única, de uma personalidade cativante, intelectual convicto e agente cultural e social presente nos debates mais contemporâneos da evolução da cultura cabo-verdiana", escreveu Abraão Vicente, para quem o país perdeu "um dos seus mais ativos, produtivos e talentosos filhos".

"O Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas endereça as mais sentidas condolências à família do Kaká Barbosa e a toda a comunidade artística cabo-verdiana. Cala-se a voz, fica a obra!", terminou a nota governamental.

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