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Os esquemas que permitiram a Isabel dos Santos tornar-se na mulher mais rica de África

Transferências milionárias para o Dubai eram justificadas como pagamento de serviços de consultoria prestados à Sonangol.
Correio da Manhã e Diogo Barreto / SÁBADO 19 de Janeiro de 2020 às 18:27
Isabel dos Santos
Isabel dos Santos FOTO: Reuters

Uma investigação de 130 jornalistas mostra como a empresária Isabel dos Santos conseguiu angariar uma fortuna estimada em mais de dois mil milhões de euros e tornar-se numa das mulheres mais poderosas de África. A investigação levada a cabo por vários órgãos de comunicação social pertencentes ao Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) apurou centenas de benefícios conseguidos por Isabel dos Santos durante a presidência de José Eduardo dos Santos.

Revela o jornal Expresso que a Sonangol transferiu, em cerca de seis meses, pelo menos 115 milhões de dólares de fundos públicos para o Dubai. O período em causa corresponde ao último terço do mandato de Isabel dos Santos à frente da petrolífera estatal. 

Justificadas como pagamento de serviços de consultoria prestados à Sonangol, essas transferências tiveram como destino uma conta bancária de uma companhia offshore, a Matter Business Solutions, controlada pelo principal advogado da empresária angolana, o português Jorge Brito Pereira, sócio da Uría Menéndez, o escritório de Proença de Carvalho, revela o semanário que participou numa investigação que contou com mais de 30 órgãos de comunicação social de todo o mundo.

Vários portugueses estarão envolvidos nestes esquemas que permitiram à empresária enriquecer. O Expresso refere a participação de Paula Oliveira, sócia principal da SDO, uma empresa de consultoria em Portugal e Angola criada em 2016; Mário Leite da Silva, gestor de negócios de Isabel dos Santos e diretor da Fidequity, empresa de gestão com sede na avenida da Liberdade; Jorge Brito Pereira, o advogado pessoal da empresária; e Sarju Raikundalia, administrador financeiro da Sonangol. Segundo o procurador-geral da República de Angola, Raikundalia "abandonou o país" logo a seguir a ser exonerado da Sonangol.

Os Luanda Leaks resultaram da divulgação de mais de 715 mil emails, gráficos, contratos e auditorias obtidas pela Plataforma para Proteger Whistleblowers em África (PPLAAF, na sigla original).

Num pequeno resumo publicado por vários jornais do consórcio, escreve-se que:
- A Sonangol vendeu a Sindika Dokolo, o marido de Isabel dos Santos, uma larga fatia da empresa mais importante do portfólio do casal: ações na Galp. O investimento de 11 milhões valorizaram de tal forma para que chegassem aos 750 milhões de euros;

- 115 milhões de euros foram pagos a consultoras e enviados para contas no Dubai controladas por alguns dos associados mais próximos de Isabel dos Santos;

- A conta da Sonangol no Eurobic, onde estavam 57,4 milhões de dólares, foi esvaziada um dia depois de Isabel dos Santos ser afastada da empresa estatal.

Império entre Hong Kong e Estados Unidos
O The New York Times, revela que o império de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, se estende por mais de 400 companhias e subsidiárias entre Hong Kong e os Estados Unidos.

Isabel dos Santos é dona de várias propriedades milionárias, entre elas uma mansão de 55 milhões de dólares em Monte Carlo, um iate de 35 milhões e uma residência de luxo no Dubai.

O jornal norte-americano revela ainda que milhões de dólares de fundos estatais angolanos ajudaram a financiar festas anuais na Riviera Francesa.

Empresária nega todas as acusações
"Há um ataque orquestrado pelo atual governo movido politicamente e completamente infundado", refere a empresária num comunicado à BBC Africa. Isabel dos Santos diz ainda que as suas empresas foram alvo de um ataque informático. A filha de José Eduardo dos Santos nega ter cometido qualquer ato ilícito.

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