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ONU pede 362 milhões para ajudar população afetada pelos ciclones e pela seca em Moçambique

Valor é aplicado na saúde, abastecimento de água, educação e alimentação das mais de 2,2 milhões de pessoas abaladas pelos desastres naturais.
Lusa 12 de Setembro de 2019 às 16:16
Ciclone Idai
Passagem do Ciclone Idai em Moçambique
Passagem do Ciclone Idai em Moçambique
Ciclone Idai
Passagem do Ciclone Idai em Moçambique
Passagem do Ciclone Idai em Moçambique
Ciclone Idai
Passagem do Ciclone Idai em Moçambique
Passagem do Ciclone Idai em Moçambique
A ONU pediu esta quinta-feira em Maputo 397,9 milhões de dólares (362,8 milhões de euros) à comunidade internacional para a assistência humanitária a mais de 2,2 milhões de pessoas afetadas pelos ciclones Idai e Kenneth e pela seca em Moçambique.

O valor não está incluído no apelo de 3,2 mil milhões de dólares (2,9 mil milhões de euros) que o Governo moçambicano fez em junho para a reconstrução das infraestruturas destruídas pelos ciclones Idai e Kenneth, no centro e norte de Moçambique, dos quais foram prometidos pela comunidade internacional 1,2 mil milhões de dólares (1,09 mil milhões de euros).

Falando no lançamento esta quinta-feira do pedido de ajuda, a coordenadora-residente da ONU em Moçambique, Murta Kaulard, disse que o montante destina-se a garantir a segurança alimentar das vítimas dos dois desastres naturais e da seca, que afeta o sul, até à próxima sementeira, que se inicia em maio de 2020.

"O plano de resposta humanitário revisto, em apoio ao Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) e que apresentamos esta quinta-feira visa mobilizar cerca 398 milhões de dólares americanos e tem como alvo mais de dois milhões de pessoas que foram as mais atingidas pelo fraco desempenho agrícola", afirmou Murta Kaulard.

O valor será também canalizado para os setores de saúde, abastecimento de água e educação, acrescentou.

A coordenadora-residente da ONU em Moçambique assinalou que as vítimas dos dois ciclones e da seca continuam numa situação de vulnerabilidade à fome e expostas à próxima época de calamidades naturais.

"É fundamental que atuemos agora e mobilizemos recursos para apoiar as pessoas mais vulneráveis para lidar com os múltiplos choques climáticos", referiu.

A mobilização dos recursos solicitados esta quinta-feira não colide com o apelo lançado pelo executivo moçambicano em junho, porque a primeira intervenção visa a continuação da assistência humanitária, com um caráter imediato e urgente.

O apelo feito pelas autoridades em junho tem por finalidade a reconstrução de infraestruturas, a curto, médio e longo prazos e resultou em promessas orçadas em 1,2 mil milhões de dólares.

As verbas da ajuda que a ONU pediu esta quinta-feira vão apoiar populações das províncias de Sofala e Cabo Delgado, as mais afetadas pelos ciclones Idai e Kenneth, respetivamente, e de Nampula, Manica, Tete, Inhambane e Gaza.

A diretora-geral do INGC, Domingas Maíta, disse que o apelo corresponde ao pedido que o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez, para que Moçambique não seja esquecido, depois da passagem dos ciclones Idai e Kenneth.

"Este apelo de hoje é mais um passo, é mais um processo, para responder àquilo que foi o apelo do secretário-geral disse, para que os moçambicanos não sejam esquecidos", declarou.

O ciclone Idai, que atingiu o centro de Moçambique em março, provocou 604 mortos e afetou cerca de 1,5 milhões de pessoas.

O ciclone Kenneth, que se abateu sobre o norte do país em abril, matou 45 pessoas e afetou 250.000.

Mais de meio milhão de pessoas ainda vivem em locais destruídos ou danificados, enquanto outros 70.000 permanecem em centros de acomodação de emergência, segundo o mais recente relatório da Organização Internacional das Migrações (OIM), redigido em julho e que alerta para a falta de condições para enfrentar a nova época chuvosa, que começa em novembro.
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