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Partidos na oposição em Angola dispostos para coligação nas eleições de 2022

"Vontade da mudança e da consolidação da verdadeira democracia no país são enormes", afirmou Lucas Ngonda, presidente da FNLA.
Lusa 25 de Agosto de 2020 às 16:45
Assembleia Nacional de Angola
Assembleia Nacional de Angola FOTO: Getty Images
Os partidos na oposição em Angola dizem-se abertos a uma coligação de partidos, para alternância do poder nas eleições gerais de 2022, considerando que a "vontade da mudança e da consolidação da verdadeira democracia no país são enormes".

"Penso que a ideia é boa, nas democracias as coligações também fazem crescer a democracia e depois também o nosso modelo vai exigir que os partidos na oposição se unam e que tenham um projeto comum nesta questão das eleições", afirmou esta terça-feira à Lusa o presidente da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), Lucas Ngonda.

O político angolano Abel Chivukuvuku manifestou-se, na sexta-feira, disponível para, nas próximas eleições gerais de Angola, em 2022, participar numa possível coligação dos partidos da oposição, tema defendido por uma corrente política e da sociedade civil.

Abel Chivukuvuku, que luta pela legalização do seu novo projeto político, denominado PRA-JA Servir Angola, sublinhou que o assunto "ainda está um discurso e um debate muito incipiente" e "não aprofundado".

"Vão surgindo vozes e, obviamente, vai havendo posturas diferenciadas, até porque os próprios partidos também têm forças várias dentro das forças políticas em função do espaço democrático e de complementaridade que existe, mas considero que é bom já que em Angola surja esse debate, que deve ser alimentado, mas de forma estruturada, aprofundada, bem pensada, por que não? Em 2020 haver só o MPLA e a União dos Povos de Angola", disse durante uma mesa redonda virtual.

Esta terça-feira, o presidente da FNLA disse concordar com a ideia de Chivukuvuku, afirmando que só com um projeto comum se poderá "fazer face à situação" de "uma ditadura parlamentar imposta pelo Movimento Popular de Libertação de Angola [MPLA, no poder desde 1975]".

Para Lucas Ngonda, o MPLA deverá sempre continuar com as maiorias qualificadas, "conseguidas por diversas fraudes por nós contestadas", e isso deve prevalecer porque o sistema angolano que "não é viável e nem democrático".

"É uma democracia de partido único que abriu as portas para os outros partidos e esse é o modelo angolano, não é democracia pluralista que exige alternância, e, da forma que o sistema está, se não fizermos nada, com certeza, teremos problemas na consolidação da democracia angolana", notou.

A necessidade de uma coligação de partidos na oposição para as eleições gerais de 2022 é também defendida pelo Partido de Renovação Social (PRS), cujo sucesso passa pela "independência" do Tribunal Constitucional (TC) e da Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

Segundo o presidente do PRS, Benedito Daniel, a coligação de partidos são "ideias inovadoras", mas o "grande problema de Angola" está nas instituições que validam as eleições, nomeadamente o TC e a CNE "fundamentais para a lisura do processo".

"Os partidos poderiam juntar-se, mas enquanto não for mudada a CNE e o Constitucional não for independente a situação vai ser a mesma", afirmou o responsável, acrescentando que os eleitores votam mas "nos escritórios" vão "apresentar dados contrários, e é aí onde reside o problema".

Já a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), maior partido na oposição, que disse estar a liderar um "amplo movimento de mudança", considerou que "ainda é cedo" para a abordagem sobre coligação de partidos, apontando as autárquicas como meta inicial.

O secretário-geral da UNITA, Álvaro Chicuamanga, afirmou que o seu partido ainda não tem uma posição oficial sobre a perspetiva de uma coligação de partidos na oposição, visando as eleições de 2022, referindo, no entanto, que o "debate deve ser desencadeado".

"A vontade da mudança é enorme, agora falar em coligações de partidos acho que ainda é cedo, há questões candentes que ainda devem ser resolvidas, fundamentalmente que tem a ver com as eleições autárquicas, que foram praticamente relegadas ao segundo plano sem uma explicação pública do Governo", salientou.

Em declarações à Lusa, o político da UNITA considerou normal que o debate surja, mas frisou: "Ainda precisamos nesse momento trazer à mesa a questão das autarquias, esta é prioritária e depois disso vamos evoluir para as eleições gerais".

"Acho que se formos trabalhar para as eleições gerais sem olharmos para as autarquias estaremos a queimar uma etapa muito importante", concluiu.

As próximas eleições gerais em Angola estão previstas para 2022, estando as primeiras autárquicas agendadas para este ano.

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