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João Lourenço diz que Estado angolano foi lesado em muito mais do que 24 mil milhões

Ainda esta semana, os generais Manuel Hélder Vieira Dia "Kopelipa" e Leopoldino do Nascimento "Dino" entregaram participações em empresas em que eram acionistas.
Miguel Alexandre Ganhão(miguelganhao@cmjornal.pt) 15 de Outubro de 2020 às 13:17
Filha do presidente angolano João Lourenço foi nomeada em março para administradora executiva da Bodiva
Filha do presidente angolano João Lourenço foi nomeada em março para administradora executiva da Bodiva FOTO: Lusa

O presidente de Angola, João Lourenço, afirmou esta quinta-feira durante o discurso sobre o Estado da Nação, que o estado angolano em muito mais do que os 20,4 mil milhões de euros até agora descobertos.

"O Estado terá sido lesado em pelo menos 24 mil milhões de dólares americanos (20,4 mil milhões de euros), e dizemos pelo menos porque à medida que se vai aprofundando as investigações à volta de alguns processos em curso e de seus prováveis protagonistas envolvidos vão-se descobrindo coisas novas, sendo muito provável que mais tarde se venham a anunciar números bem maiores que este, que por si  só já ultrapassa o valor da dívida de Angola para com o seu principal credor (a  China)". 

João Lourenço, que discursava na abertura da 4ª sessão legislativa da IV legislatura da Assembleia Nacional, disse ainda que "no âmbito do processo de recuperação de ativos, o Estado já recuperou bens imóveis e dinheiro no valor de 4,9 mil milhões de dólares (4,1 mil milhões de euros) sendo 2,7 mil milhões em dinheiro e 2,1 mil milhões em bens imóveis, fábricas, terminais portuários, edifícios de escritório, edifícios de habitação, estações de rádio e televisão, unidades gráficas, estabelecimentos comerciais e outros.

Ainda esta semana, os generais Manuel Hélder Vieira Dia "Kopelipa" e Leopoldino do Nascimento "Dino" entregaram participações em empresas em que eram acionistas, bem como 271 edifícios e 837 vivendas de que eram donos, de forma a forçar um acordo com a Procuradoria Geral da República de Angola.

Segundo o presidente angolano "todas as previsões anteriores à crise apontavam que em 2020 Angola iria crescer em torno de 1,8%. Em consequência da crise pandémica, espera-se agora que o país venha a evidenciar uma taxa negativa de crescimento na ordem de 3,6%".
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