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Reformas em Angola resultam a longo prazo mas enfrentam riscos no imediato

"Potencial perturbação social" pode aumentar a incerteza dos investidores sobre a direção política no país.
15 de Maio de 2019 às 15:22
João Lourenço
João Lourenço
João Lourenço, Presidente de Angola
João Lourenço, presidente angolano
João Lourenço
João Lourenço
João Lourenço, Presidente de Angola
João Lourenço, presidente angolano
João Lourenço
João Lourenço
João Lourenço, Presidente de Angola
João Lourenço, presidente angolano
A consultora Fitch Solutions considerou esta quarta-feira que as reformas lançadas pelo Governo de Angola vão colocar o país em bom plano a médio e longo prazo, alertando, no entanto, para alguns riscos de instabilidade social a curto prazo.

"Os esforços sobre uma reforma estrutural significativa que estão a ser dados sob a liderança do novo Presidente de Angola, João Lourenço, sugerem um futuro brilhante para Angola, apesar de, a curto prazo, as reformas poderem aumentar a instabilidade dentro do [partido] MPLA ou enfrentar problemas na implementação", escrevem os analistas.

Numa nota sobre Angola a médio e longo prazo, enviada aos clientes e a que a Lusa teve acesso, estes analistas do mesmo grupo que tem também a agência de rating Fitch dizem que esta "potencial perturbação social" pode aumentar a incerteza dos investidores sobre a direção política.

Contudo, vincam que "estes esforços são cruciais para melhorar as perspetivas de crescimento económico a médio e longo prazo, limitando o risco de perturbações sociais".

Num tom elogioso para com o novo Governo, os analistas escrevem, no entanto, que Angola enfrenta vários desafios, e elencam a fragmentação dentro do partido do Governo, o MPLA, a corrupção, o desemprego e a desigualdade como as principais ameaças e desafios à estabilidade.

"Não podemos excluir o risco de uma luta de poder entre diferentes fações no MPLA na próxima década, o que pode influenciar as decisões políticas", escrevem os analistas, notando que "muitos membros do partido beneficiaram fortemente da presidência de José Eduardo dos Santos e estas figuras podem opor-se abertamente à mudança e formar um grupo para preservar os interesses económicos e políticos que têm".

Sobre a corrupção, a Fitch Solutions diz que, apesar das decisões mediáticas relativamente aos apoiantes do antigo Presidente, incluindo um dos filhos, "não é de esperar que a corrupção seja erradicada na próxima década, já que construir instituições fortes que consigam prevenir adequadamente a má governação e o clientelismo vai demorar tempo".

Além disto, concluem, "também há o perigo de as medidas anticorrupção perderem o fôlego se a liderança política não quiser parecer demasiado punitiva por receio de fragmentação".

Na análise, a Fitch Solutions salienta ainda que Angola tem uma pontuação de 55,9 pontos no Índice de Risco Político, o que, comparada com a média de 49 pontos da África subsaariana, é "elevado pelos padrões regionais".
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